Cultura
Carnaval de Fortaleza homenageia Macaúba do Bandolim
Cultura
Além da tradicional folia que toma conta do país nesta época do ano, as festas de carnaval também se transformam, em muitas cidades, em um momento de celebração, de resgate histórico e homenagem a quem constrói a cultura brasileira.

Em Fortaleza, Ceará, o grande homenageado do Carnaval 2026 carrega no nome artístico, seu instrumento musical de ofício: Macaúba do Bandolim.
Com mais de 60 anos dedicados à música, o fortalezense José Felipe da Silva é Mestre da Cultura, detém o título de Tesouro Vivo do Estado do Ceará e é referência do chorinho brasileiro, com atuação marcante na formação de gerações de músicos na capital e no interior.
Macaúba, apelido que recebeu quando trabalhava em uma fábrica ainda na adolescência, conta que sua trajetória começou cedo, mas sem incentivo do pai.
Minha vida com o instrumento é desde oito anos de idade. Meu pai era músico, tocava bandolim, violão e cavaquinho. Eu fui criado ouvindo música. Só que o meu pai proibiu de eu tocar, aprender a tocar, que era para não aprender a beber. O pouquinho que eu sei, eu aprendi só.
Ao contrário do pai, de quem não teve apoio inicialmente, Macaúba decidiu compartilhar o que aprendeu de forma autodidata ao longo da vida.
Toquei 60 anos na noite. (01:16) Gosto de todo tipo de música, mas o choro ele marcou a minha vida. + (01:26) Tenho dois filhos músicos jovens e um neto violinista também. Me dou muito bem com a juventude, tanto passo para eles quanto eles passam para mim. Isso é uma troca de ideia.
E a relação dele com o Carnaval também vem de longe. Em 1979, Macaúba tocou no circuito de trios elétricos da capital cearense.
De Carnaval, eu tinha um trio elétrico aqui em Fortaleza. Eu toquei quatro anos nesse trio elétrico, tocando frevo. Aí depois o trio elétrico acabou. A prefeitura tinha uma banda de música, aí a minha mulher arranjou para eu tocar na banda. Assim o conjunto foi feliz, tocando eventos da prefeitura e lá eu me aposentei.
Ao todo, já são mais de 200 choros compostos. E neste sábado, dentro da programação oficial do Carnaval de Fortaleza, Macaúba do Bandolim faz show com a banda a partir das seis e meia da tarde, no Aterrinho da Praia de Iracema.
*Com produção de Luciene Cruz e sonoplastia de Jailton Sodré.
Cultura
Viva Maria homenageia cantoras do rádio no Dia Mundial da Voz
Dedicamos esta edição de hoje às cantoras do rádio que desde sempre emprestaram a potência de suas vozes às mais lindas canções da nossa MPB. E coube a amiga poeta Galvanda Galvão, da Rádio Estamira, em Belém do Pará, prestar homenagem a uma dessas cantoras que é referência na história do rádio no Brasil.

“A voz, a história, a luz de uma estrela. Dalva de Oliveira. O maestro Heitor Villa-Lobos utilizava em suas aulas no Conservatório de Música, discos da cantora popular Dalva de Oliveira, como exemplo de agudos perfeitos. Vicentina de Paulo Oliveira nasceu na cidade paulista de Rio Claro em 5 de maio de 1917. Com 11 anos, para ajudar a mãe viúva, trabalhava em São Paulo como babá, arrumadeira, ajudante de cozinha e mais tarde cozinheira de hotel. Logo chegou ao rádio, numa travessia pelo teatro, pelo Brasil. Alternando rádio com espetáculos teatrais, conhece Elivelto Martins e se apresenta com ele e Nilo Chagas, a dupla Preto e Branco. O locutor César Ladeira os batiza de Trio de Ouro, contratado pela Rádio Mayrink Veiga e mais tarde pela Clube. O trio acumula sucessos Praça Onze, Ave Maria e Segredo.”
O rádio é esse espaço mágico, onde você imagina os corpos a partir das vozes, das entonações, dos vários sons, abertos para a imaginação. Então Dalva nunca estava sozinha, com Carmen Miranda, Marília Batista, Linda Batista, Hebe Camargo, Elisete Cardoso e Zimbo Trio, Dircinha Batista, todo o imaginário de vozes que nos atravessam até agora.
A história do rádio é esta grande invenção. Nós da Rádio Estamira para o programa Viva Maria, com a nossa queridíssima Mara Regia, aqui de Belém, do setor da Amazônia.
O nosso amigo rádio apaixonado do Tocantins, que na trilha do rádio tem um acervo precioso sobre a memória do Viva Maria, chega agora com uma homenagem mais do que especial.
Sou Cláudio Paixão, jornalista, e desde a minha infância acompanho a programação da Rádio Nacional da Amazônia. E no Dia Mundial da Voz é importante pararmos para ouvir o canto das Supermarias, que são a força e a expressão do programa Viva Maria, a caminho de seus 45 anos.
Engrossando o coro, em memória, o canto da feminista do sertão, dona Raimunda dos Cocos. “Essa luta não é fácil, mas vai ter que acontecer. As mulheres organizadas têm que chegar ao poder.” Felizmente, algumas dessas Supermarias conseguiram chegar ao poder. É o caso da ex-vereadora Cristina Lopes Afonso.
O programa Viva Maria está na minha vida desde 1986. Desde então, a gente segue com esse relacionamento. Mara Regia é uma mulher surpreendente, uma mulher que decidiu que as ondas do rádio iam, de fato, criar essa rede de proteção, essa rede de comunicação e essa rede de empatia, essa rede de alerta entre as pessoas, especialmente entre as mulheres.
De A a Z, impossível esquecer da parteira Maria Zenaide de Sousa. A mulher que nasceu aos 10 anos, porque parteira só nasce depois do primeiro parto. “Vamos dar valor a essas parteiras, vamos, vamos, vamos pessoal, pois são a pobreza dessas parteiras que desenvolve um trabalho tão legal.” Desde 1981, o Viva Maria viu nascer dezenas de lideranças e até hoje acompanha de perto o protagonismo delas. Algumas, como Kenya Silva, se redescobriram a partir da poesia.
De repente, eu crio coragem e envio essa poesia para Mara, contando toda essa trajetória. Mara Regia coloca a poesia no ar.
“Eu sou uma Maria qualquer, uma dessas mulher que vive na roça, que viaja de carroça, de cavalo ou a pé. Eu sou uma Maria qualquer, dessas que acorda cedinho, faz o bolo e o café, cuida da casa e do quintal, dos bichinhos, dos animais, que sustenta o Brasil de pé.”
E uma semana depois, a rádio tinha recebido uma enxurrada de cartas, as pessoas pedindo, as nossas Marias pedindo para ouvir novamente o poema, porque se diziam inspiradas, representadas.
Outras, como a trabalhadora doméstica Lucimar Ferreira da Silva, conquistaram seu lugar de fala, pela insistência em ouvir o Viva Maria, mesmo a contragosto de sua patroa, que não queria que essa Maria se transformasse numa militante por seus direitos.
“Minha patroa não gostava, porque disse que eu estava virando militante, que aquele programa estava fazendo muito minha cabeça, e mesmo assim eu ouvi.Foi muito importante, aprendi muita coisa com o Viva Maria, abriu a mente.”
Unidas para além da voz, da poesia, do choro e até pela indignação e protesto, as Supermarias querem ganhar a merecida visibilidade. E para isso, em nome da autoestima conquistada, querem que seus rostos, marcados por tantas lutas, se façam presentes neste ano que irá marcar a entrada do Viva Maria no novo ciclo de vida pelas ondas da internet.
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