Saúde
Audiência pública expõe crise no transporte coletivo de Várzea Grande com queixas de atrasos, superlotação e falhas na acessibilidade
Saúde
A audiência pública realizada na noite de 25 de março, na Câmara Municipal de Várzea Grande, escancarou a insatisfação da população com o transporte coletivo da cidade. Convocado pelo vereador Caio Cordeiro(PL), o debate reuniu usuários, lideranças comunitárias e representantes do poder público para discutir atrasos, superlotação, acessibilidade, tarifas e a qualidade da frota. Segundo o material da audiência, a sessão foi marcada por fortes cobranças à concessionária União Transportes e por críticas ao atual modelo de concessão do serviço.
Ao longo da audiência, usuários relataram longas esperas nos pontos, perda de compromissos de trabalho, escola e consultas médicas, além de ônibus lotados e com estrutura precária. Entre as queixas apresentadas, apareceram problemas como chuva dentro dos veículos, falta de ar-condicionado, falhas nas rampas para cadeirantes, redução e unificação de linhas e motoristas que, segundo relatos, deixam de parar nos pontos mesmo quando acionados. O resumo da audiência também aponta que a passagem municipal de R$ 4,95 e a intermunicipal de R$ 5,95 foram classificadas pelos usuários como caras diante da má qualidade do serviço.
Um dos pontos centrais do debate foi a situação contratual do transporte público em Várzea Grande. Durante a explanação técnica, foi informado que o contrato de concessão em vigor é de 2001, considerado obsoleto para a realidade atual. O documento foi aditivado em 2007 e prorrogado judicialmente em 2018 por mais oito anos, com vencimento previsto para abril de 2026. Ainda segundo a apresentação feita na audiência, uma decisão normativa posterior estendeu o contrato por mais dois anos após acordo entre município e empresa, medida que vem sendo contestada pelo Ministério Público.
A análise técnica apresentada no encontro também destacou possíveis descumprimentos contratuais, como circulação de ônibus com mais de 10 anos, deficiência na adaptação para pessoas com deficiência e o não cumprimento integral de compromissos assumidos pela empresa em 2025, entre eles a inclusão de novos veículos e a implantação de itens como ar-condicionado, biometria, GPS e Wi-Fi. Conforme o material da audiência, houve momentos em que menos de 30 ônibus operavam para atender uma população de mais de 300 mil habitantes.
Representantes da Prefeitura reconheceram a insuficiência da frota como uma das principais causas dos atrasos. Durante a audiência, a Secretaria de Serviços Públicos e Mobilidade Urbana informou que o acordo firmado em mesa técnica previa o aumento da operação para 52 veículos e mais seis de reserva. Também foi dito que parte da frota já passou por vistoria e que o município deve aplicar notificações ou penalidades em caso de descumprimento. O próprio município informou ainda que já lavrou 81 notificações contra a empresa por atrasos, superlotação e desvios de rota.
Outro ponto relevante foi o reconhecimento, por parte da Procuradoria-Geral do Município, de que o contrato atual não traz parâmetros modernos de qualidade, como tempo de viagem, número mínimo de linhas ou critérios mais objetivos de desempenho. Segundo a Procuradoria, a Prefeitura iniciou a modelagem para uma futura concessão e já recebeu propostas para estruturar uma nova licitação.
A AGER também admitiu que a precariedade do transporte municipal afeta diretamente as linhas intermunicipais, especialmente a linha 08, já que muitos passageiros recorrem a esses ônibus por falta de alternativa no sistema urbano. A agência informou que estuda soluções em conjunto com a Prefeitura e confirmou o uso irregular de veículos intermunicipais em linhas municipais, situação que, segundo o órgão, tem gerado multas à empresa.
A audiência também trouxe promessas de curto prazo. Entre elas, a implantação de uma linha noturna para atender alunos do IFMT em até 10 dias e a conclusão da ligação da iluminação no entorno da unidade, que dependia de vistoria da concessionária de energia. Além disso, foi informado que 110 novos abrigos foram instalados em 30 bairros do município.
A ausência de representantes da União Transportes no plenário foi um dos fatos mais criticados durante a noite. Segundo o resumo da audiência, a empresa foi convidada, mas não enviou representantes para responder diretamente às reclamações dos usuários. O gesto foi classificado no debate como desrespeito à população.
Ao final da audiência, ficou o retrato de um sistema pressionado por contrato antigo, fiscalização insuficiente e reclamações recorrentes da população. Ao mesmo tempo, o encontro serviu para reforçar a cobrança por medidas imediatas e por uma nova concessão que estabeleça metas claras de qualidade, acessibilidade e eficiência para o transporte coletivo em Várzea Grande.

Saúde
Serviços de saúde foram os mais procurados na 1ª edição do Acelera Mais VG
Serviços e atendimentos da área da saúde, e jamais levados para um mutirão, foram um dos mais procurados pela população da região oeste de Várzea Grande, que recebeu, na manhã deste sábado (30), a primeira edição do Acelera Mais VG. Nas primeiras duas horas do mutirão, 28 pais/responsáveis haviam buscado consultas especializadas com neuropediatra e psiquiatra para emissão de laudos aos neurodivergentes.
O atendimento especializado passou a integrar o programa Acelera Mais VG e é uma porta de entrada ao acolhimento, acompanhamento, tratamento, investigação e diagnóstico para transtornos, condições e síndromes. Idealizado pela prefeita Flávia Moretti (PL), o mutirão – que leva a gestão municipal para várias regiões da cidade – encerou as comemorações oficiais pelos 159 anos de fundação do Município e foi realizado, na Escola Municipal de Educação Básica (EMEB) Ednilson Francisco Kolling, no bairro Jardim Manaíra.
O maior contingente de atendimento foi o infantil. Ao final da manhã, 36 crianças haviam sido atendidas com a emissão de 35 laudos. Apenas uma mãe, tinha seu filho ‘laudado’, mas precisa de um encaminhamento via Sistema Único de Saúde (SUS).
Como explicou o médico da Família e do Consultório de Rua do SUS/VG, especializado em saúde mental, Fabrício Amaral, a emissão de um laudo que comprova que a criança está sob investigação para fechamento de diagnóstico, já permite acesso a cuidados especiais dentro de sala de aula, como os Técnicos de Desenvolvimento Infantil (TDI) em sala de aula e receitas especiais, por exemplo.
“Temos muitas crianças que necessitam de laudos, de investigação e tratamento. As crianças neurodivergentes têm encaminhamentos da escola, mas não estão laudadas. Consultas com especialistas muitas vezes demoram e essa demora pode impactar no rendimento escolar, gerando desinteresse e pouco aprendizado. Com esse trabalho hoje, a ideia é a gente acompanhar e aproximar mais dessas crianças, dessa necessidade de ter o laudo e ter uma resposta mais imediata. Está sendo a porta de entrada ao atendimento em saúde mental para muitas crianças. Parte já está com agendamento para acolhimento no Centro de Atenção Psicossocial Infanto (CAPS-i)”.
A Saúde de Várzea Grande inovou ainda na oferta de psiquiatria adulta e no trabalho conjunto com a Regulação. “Os pacientes saiam das consultas, tanto da psiquiatria adulto como infantil, do clínico geral e do pediatra, com exames e procedimentos agendados dentro da rede municipal. Somente na Regulação acredito que tenhamos superado mais de 700 atendimentos, pois cada paciente pode precisar de novas consultas e ou de vários exames. Inovamos nessa assistência e conseguimos atrair demanda e dar fluxo no atendimento”, pontou a secretária municipal de Saúde, Valéria Nogueira.
Sabrina Lacerda, moradora da região, estava aguardando atendimento especializado para o filho. Ele não tem laudo, mas um encaminhamento da escola relatando as dificuldades dele no dia-a-dia da rotina escolar. “Antony, tem cinco anos, está aprendendo a ler e escrever e suspeita-se de TOC, TDAH, bipolaridade e TEA. Aqui recebi mais informações e estamos agendados para segunda-feira no CAPSi”.
Dona Marina Silva, moradora do Jardim Manaíra, estava com a neta, Eloah Ribeiro, sete anos, para obter laudo de hiperatividade, e assim, dar início ao tratamento, ter acesso constante à medicação e ao auxílio de uma TDI na sala de aula. Elas foram umas das primeiras a chegar e saíra com laudo e consulta marcada.
A prefeita Flávia Moretti (PL) acompanhou de perto os atendimentos médicos. “Laudar crianças neurodivergentes é garantir direitos. Nossas crianças precisam de atenção, cuidado, acolhimento, e em alguns casos, tratamento e esse tratamento tem de ser constante. O melhor desempenho e convivência escolar vêm de auxílio de um TDI e para ter acesso, precisa de laudo e nem todas as crianças têm. Então fizemos esse esforço de trazer especialistas e assegurar esse direito. Hoje é sábado e temos uma equipe médica nunca vista, atuando e encurtando o acesso a um direito”.
Avaliando o atendimento de Saúde, a secretária Valéria frisa que ficou surpreendida com a demanda e com fluxo. “Ao ofertar serviços inéditos, a gente cria uma demanda e muitas expectativas. Antes das 11h30 todos os atendimentos da neuro pediatria estavam finalizados e atendimentos médicos em adultos caminhando sem qualquer ocorrência. Essa estratégia de ampliar o leque de serviços, trazendo ainda a Regulação, permitiu que as pessoas, em pleno sábado, resolvessem muitas coisas que estavam sendo postergadas pela correria diária”.
O médico Diego Baracat, que atuou como clínico geral, disse que atendeu muitas pessoas com pressão alta e diabetes e que não fazem acompanhamento médico. Uma delas foi encaminhada à UPA, pois apresentava um quadro de arritmia cardíaca.
OUTROS SERVIÇOS – Além de serviços especializados, a Saúde levou educação em saúde bucal com orientações às crianças e às famílias sobre escovação correta e higiene bucal, como forma de prevenção às cáries e ao acúmulo de tártaro e também houve a distribuição de kits de higiene oral. Em cerca de duas horas de atendimento, 33 pessoas receberam atendimento.
A população pôde atualizar o cartão vacinal. A maior procura nesta manhã foi para doses de influenza e hepatite B.
Também em cerca de duas horas de atendimento, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) vacinou 50 pets – cães e gatos – contra a raiva.
As equipes da Atenção Primária atualizam pesagem das crianças beneficiárias do Bolsa Família, atendendo à exigência do programa federal.
IMPORTÂNCIA DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO – Neurodivergente é o termo usado para descrever pessoas cujo cérebro funciona, processa informações e interage com o mundo de maneira diferente do padrão socialmente esperado. As condições mais são Autismo (TEA – Transtorno do Espectro Autista), TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) e Dislexia (dificuldade de aprendizagem ligada à leitura e escrita).
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