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Quando o ego é maior que o cargo

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Por: Laudemir Moreira Nogueira

Há cargos públicos que exigem o triplo de maturidade, serenidade e senso institucional. E, por ironia trágica, muitas vezes são justamente esses cargos que acabam ocupados por pessoas que carregam o oposto disso tudo: impulsos desmedidos, vaidades inflamadas e um pacote de conflitos internos que não caberia nem num caminhão de mudanças.

É nesse ponto que a gestão pública começa a padecer.

Alguns agentes comissionados, em vez de assumirem a função com visão estratégica, utilizam o posto como palco para externalizar fragilidades emocionais. A estrutura pública passa a funcionar como megafone para dilemas pessoais mal resolvidos, para necessidades de afirmação e para inseguranças que deveriam ter sido tratadas em instâncias adequadas — e não na administração pública.

A caneta, que deveria ser instrumento de política pública, vira válvula de escape. A autoridade, que deveria representar responsabilidade, transforma-se em escudo para compensar medos internos. E as decisões, que deveriam ser técnicas e equilibradas, passam a exalar o perfume inconfundível do improviso emocional.

Quando alguém com poder de decisão não domina suas próprias turbulências internas, o resultado é previsível: decisões precipitadas; direcionamentos pouco transparentes; conflitos desnecessários; ambiente institucional contaminado por disputas de ego; e uma clara dificuldade de separar o cargo da frustração pessoal.

Esse tipo de postura desmonta qualquer ideia de liderança. Porque liderança não é gritar, impor ou marcar território. Liderança é equilíbrio, respeito e lucidez diante da responsabilidade — e nada disso combina com quem usa o cargo para projetar inseguranças.

A gestão, especialmente a pública, existe para servir à coletividade, mas trava quando o gestor trata a função como extensão do próprio ego. O que deveria ser espaço de planejamento vira laboratório de impulsos. O que deveria ser ambiente de coordenação vira arena de tensões fabricadas. O que deveria ser instituição vira cenário. Tudo porque alguém não conseguiu — ou não quis — resolver dentro de si o que despeja sobre a estrutura que está a gerir.

Há quem imagine que respeito nasce do cargo. Não nasce. Ele surge da coerência, da prudência e da capacidade de olhar para o público com grandeza, e não com ambições pessoais mesquinhas. Respeito nasce de quem entende que autoridade é responsabilidade, não arma; que imparcialidade é requisito, não detalhe; que ética é fundamento, não ornamento; que maturidade emocional é tão essencial quanto qualquer formação técnica.

Sem isso, o cargo perde brilho, a gestão perde rumo e a sociedade perde confiança.

A verdade é simples, embora desconfortável: quem não governa a si mesmo não tem condições de governar nada que envolva o interesse público. A estrutura do Estado não é esconderijo para vulnerabilidades emocionais, nem palco para dramas particulares, nem extensão de conflitos internos.

Ocupantes de altos cargos comissionados precisam levar ao gabinete mais maturidade do que vaidade, mais equilíbrio do que impulso, mais visão pública do que dramas pessoais. Porque o cargo é grande. E, quando o ocupante não acompanha essa grandeza, quem encolhe não é ele — é a função que deveria atender o interesse maior, o público.

 

*Laudemir Moreira Nogueira – Advogado e Diretor Presidente do Hospital de Câncer de Mato Grosso.

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Sua marca é uma maratonista ou um corredor de final de semana?

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Sou uma pessoa que leva muito a sério a prática de esportes. Não tenho uma sincera paixão pela corrida (venho do tennis e do futebol) mas entendo o porquê das pessoas terem tanto apreço por ela.

Não é sobre percorrer longos trajetos o mais rápido possível. É sobre superar limites, dia após dia, sobre ter dias ruins e dias bons, sobre estar bem o suficiente para conseguir apreciar a paisagem após 8km corridos.

E quando falamos sobre empreender, esse deveria ser o nosso pensamento. Explico:

Em um mercado cada vez mais competitivo, não é o produto que diferencia uma empresa e sim a forma como ela se posiciona. Afinal, quantas marcas você conhece que vendem água mineral ou até mesmo combustível? O que muda, de fato, é o posicionamento que cada uma constrói.

É aí que entra o branding.

Mais do que identidade visual ou design, branding é sobre alinhamento. É quando uma marca encontra sua voz, define seus valores e garante que tudo isso seja comunicado de forma consistente em todos os canais, do digital ao painel rodoviário que você vê todos os dias no caminho para o trabalho. Uma marca bem construída não diz apenas o que faz. Ela demonstra no dia a dia o que acredita.

Quando uma empresa tem clareza sobre quem é, para quem fala e como se comunica, ela deixa de disputar atenção apenas pelo preço ou pelo produto. Ela passa a ser percebida pelo valor. Isso impacta diretamente nos resultados: orçamentos mais altos, negociações mais seguras e menor necessidade de “provar” qualidade a cada novo contato.

Além disso, o branding fortalece não só a relação com o consumidor, mas também com o mercado como um todo. Empresas bem posicionadas atraem talentos, parceiros e oportunidades com mais facilidade. Afinal ninguém quer correr ao lado de quem vai atrapalhar seu desempenho pessoal, certo?

Voltando à singela comparação com a corrida, você que corre sabe: não se começa a correr em uma maratona. Se começa com pouca distância, às vezes até caminhando. Como um grande amigo meu diz: “Toda batalha começa ao levantar da cama, e essa é igual pra todos.”

Em resumo o que quero dizer é que se sua empresa quer ser grande, ela precisa passar por etapas. Para se comunicar não é diferente. Não é sobre encher um instagram com conteúdos iguais aos de outras marcas que fazem aquilo sem entender o porquê. É sobre levantar uma bandeira e construir uma história independente do canal da vez.

E por falar no canal da vez, a inteligência artificial surge como uma ferramenta poderosa, mas não como solução final. Ela acelera processos, ajuda na prototipagem e permite respostas mais rápidas ao que acontece no mundo. Mas nada disso substitui o essencial: estratégia, argumento e posicionamento.

Uma campanha não se sustenta por ter sido feita com tecnologia. Ela se sustenta pelo que diz, pelo que defende e pela forma como se conecta com as pessoas. A IA pode fortalecer uma conversa. Mas não cria, sozinha, uma conversa relevante.

As redes sociais continuam sendo canais importantes, mas já não ocupam o papel central de antes. Hoje funcionam mais como ponto de partida do que como destino final. Experiências presenciais, conexões reais e formatos mais tradicionais de comunicação, por exemplo, tem se mostrado muito mais eficientes, por exemplo.

No fim, branding é sobre consistência e intenção, é entender que marcas não são feitas de pequenos sprints, mas sim de uma maratona que requer uma construção contínua. Como sua marca tem se exercitado?

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