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Brasil vence a Croácia por 3 a 1 em amistoso; Endrick brilha antes da convocação para a Copa
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A Seleção Brasileira mostrou força e superou a Croácia por 3 a 1 em um amistoso disputado nesta terça-feira (31-03), em Orlando, nos Estados Unidos. O resultado positivo é um respiro para a equipe, que buscava reabilitação após a recente derrota para a França, e serviu como o último grande teste antes do técnico Carlo Ancelotti definir a lista final para a Copa do Mundo de 2026. Os gols da vitória foram de Danilo, Igor Thiago e Gabriel Martinelli, enquanto Majer marcou o único da Croácia.
Um dos grandes destaques da partida foi o jovem atacante Endrick. Sua atuação decisiva incluiu a jogada que resultou no pênalti, convertido por Igor Thiago, que recolocou o Brasil à frente no placar após o empate croata. Além disso, Endrick foi o responsável pela assistência para o terceiro gol, selando a vitória brasileira com um passe preciso para Gabriel Martinelli.
O jogo
O primeiro tempo começou com um ritmo morno, mas o Brasil gradualmente encontrou seu jogo. Aos 20 minutos, Modric errou na saída de bola, permitindo que Vinícius Júnior servisse Danilo, cujo chute foi defendido por Livakovic. Pouco depois, em uma cobrança de falta ensaiada, Matheus Cunha arriscou e a bola passou perto da trave após desvio.
O goleiro croata Livakovic se destacou com defesas importantes, barrando chances claras de João Pedro e Matheus Cunha. No entanto, aos 46 minutos da primeira etapa, Matheus Cunha lançou Vinícius Júnior, que fez uma jogada individual brilhante, limpou a marcação e rolou para Danilo abrir o placar, colocando o Brasil em vantagem.
Na segunda etapa, o time brasileiro teve um breve relaxamento e a Croácia aproveitou. Aos 38 minutos, Fruk avançou pela direita e cruzou para Majer, que, aproveitando uma saída equivocada do goleiro Bento, deixou tudo igual. A reação brasileira foi imediata e fatal: aos 40, Endrick sofreu um pênalti, convertido com maestria por Igor Thiago. Nos acréscimos, aos 46, novamente Endrick em arrancada, serviu Gabriel Martinelli, que finalizou cruzado para fechar o placar em 3 a 1.
Reta final para a Copa do Mundo
A performance da equipe em Orlando oferece a Carlo Ancelotti mais elementos para a definição dos 23 nomes que representarão o Brasil na Copa do Mundo de 2026. A convocação oficial será divulgada no dia 18 de maio.
A preparação intensiva para o Mundial começará em 25 de maio, com a concentração na Granja Comary, em Teresópolis (RJ). Antes de embarcar para os Estados Unidos em 1º de junho, a Seleção fará seu último amistoso em solo brasileiro contra o Panamá, no Maracanã, em 31 de maio. Já em solo americano, um teste final aguarda o Brasil contra o Egito, em Cleveland, no dia 6 de junho.
A Seleção Brasileira integra o Grupo C da Copa do Mundo, ao lado de Marrocos, Haiti e Escócia. A estreia será contra Marrocos, em Nova Jersey, em 13 de junho. Na sequência, enfrentará o Haiti em 19 de junho, na Filadélfia, e encerrará a fase de grupos contra a Escócia, em Miami, no dia 24 de junho. A vitória sobre a Croácia insufla a confiança da equipe neste período crucial de preparação.
| FICHA TÉCNICA | |
|---|---|
| BRASIL 3 X 1 CROÁCIA | |
| Competição | Amistoso |
| Local | Camping World Stadium, em Orlando (EUA) |
| Data | 31 de março de 2026 (terça-feira) |
| Horário | 21h (de Brasília) |
| Público | 46.398 torcedores |
| Cartões Amarelos | Perisic, Caleta-Car e Vuskovic (Croácia); Casemiro (Brasil) |
| Cartões Vermelhos | Nenhum |
Arbitragem
| Função | Nome |
|---|---|
| Árbitro | Armando Villarreal (EUA) |
| Assistentes | Ryan Graves (EUA) e Kali Smith (EUA) |
| VAR | Michael Radchuk (EUA) |
Gols
| Tempo | Jogador | Seleção |
|---|---|---|
| 46′ do 1ºT | Danilo | Brasil |
| 38′ do 2ºT | Majer | Croácia |
| 42′ do 2ºT | Igor Thiago | Brasil |
| 46′ do 2ºT | Gabriel Martinelli | Brasil |
Escalações
Brasil
- Time: Bento; Ibañez (Danilo), Marquinhos, Léo Pereira e Douglas Santos (Kaiki Bruno); Casemiro (Fabinho) e Danilo (Andrey Santos); Luiz Henrique (Rayan), Vinícius Júnior (Gabriel Martinelli), Matheus Cunha (Endrick) e João Pedro (Igor Thiago).
- Técnico: Carlo Ancelotti
Croácia
- Time: Livakovic; Stanisic, Sutalo, Caleta-Car (Pongracic) e Vuskovic (Smolcic); Modric (Moro) e Sucic (Fruk); Kramaric (Pasalic), Baturina (Majer) e Perisic (Pasalic); Budimir (Musa).
- Técnico: Zlatko Dalic
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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