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Emendas travam relação entre Assembleia e Governo às vésperas do recesso parlamentar
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A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) realiza nesta quarta-feira (15) a última sessão ordinária antes do recesso parlamentar em meio ao aumento da insatisfação entre deputados estaduais e o Governo do Estado. O principal foco do desgaste é a execução das emendas parlamentares impositivas, especialmente diante das regras impostas pelo calendário eleitoral de 2026.
Nos bastidores da Casa, parlamentares afirmam que o Executivo ainda não cumpriu os compromissos assumidos quanto ao empenho, à liquidação e ao pagamento das emendas, sobretudo das destinadas à área da Saúde. A situação ampliou a tensão entre o Palácio Paiaguás e o Legislativo justamente em um momento em que o Governo necessita do apoio da base para aprovar matérias consideradas estratégicas.
Neste ano eleitoral, a legislação estabeleceu novas regras para a execução das emendas parlamentares. A expectativa dos deputados era de que todos os recursos estivessem empenhados e liquidados até o fim de junho, além do pagamento integral das emendas da Saúde e de pelo menos metade das demais previstas na Lei Orçamentária Anual (LOA).
Segundo parlamentares, o cronograma não foi cumprido.
Outro fator que intensificou o descontentamento foi a divergência entre os números apresentados pela Assembleia Legislativa e os dados divulgados no Portal Transparência do Governo de Mato Grosso.
Conforme os controles internos da ALMT, pouco mais de R$ 660 milhões foram empenhados, cerca de R$ 270 milhões liquidados e aproximadamente R$ 243 milhões efetivamente pagos. No caso das emendas impositivas destinadas à Saúde, os registros apontam cerca de R$ 338 milhões empenhados, R$ 256 milhões liquidados e apenas R$ 135 milhões pagos.
Já o Executivo apresenta números superiores. Segundo o Portal Transparência, foram empenhados aproximadamente R$ 870,8 milhões, liquidados R$ 573,1 milhões e pagos R$ 507,4 milhões. Na Saúde, os dados oficiais indicam R$ 447,1 milhões empenhados, R$ 315,7 milhões liquidados e R$ 273,1 milhões pagos.
A diferença entre os levantamentos passou a ser alvo de questionamentos dentro do Parlamento. Deputados defendem esclarecimentos para evitar dúvidas sobre a efetiva execução do orçamento estadual.
Além disso, parlamentares também reclamam dos critérios adotados pelo Governo na análise técnica das emendas. Nos corredores da Assembleia, há relatos de que entidades indicadas por deputados governistas enfrentariam menos exigências burocráticas do que aquelas vinculadas a parlamentares independentes ou de oposição. A avaliação é rejeitada oficialmente pelo Executivo, mas o assunto passou a integrar as discussões internas da Casa.
Na semana passada, durante uma reunião reservada entre deputados, o tema dominou os debates. Como forma de pressionar o Governo, os parlamentares deixaram de votar projetos encaminhados pelo Executivo, aguardando uma sinalização sobre o cumprimento dos compromissos assumidos.
A resposta do Palácio Paiaguás foi levada aos deputados pelo presidente da Comissão de Fiscalização e Acompanhamento da Execução Orçamentária (CFAEO), Carlos Avallone (PSDB). Segundo ele, o Governo assumiu o compromisso de cumprir a legislação, realizando o pagamento das emendas da Saúde e regularizando o empenho e a liquidação das demais indicações parlamentares.
Apesar da sinalização, o ambiente continua marcado pela desconfiança. O avanço do calendário eleitoral também preocupa os deputados, já que, desde o início de julho, passaram a vigorar restrições legais para a celebração de convênios entre o Estado e os municípios, o que pode dificultar a execução de parte das emendas caso os procedimentos administrativos não tenham sido concluídos dentro dos prazos estabelecidos.
O presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (Podemos), buscou reduzir o clima de tensão e afirmou que não há rompimento entre os Poderes.
“Não há rompimento entre o Legislativo e o Executivo.”
Ao mesmo tempo, Max admitiu que, se necessário, a Assembleia poderá consultar o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT) para esclarecer se as emendas impositivas destinadas à Saúde poderão continuar sendo pagas durante o período de restrições eleitorais.
Com o início do recesso parlamentar, a expectativa é de que o impasse permaneça sem uma definição até agosto. Quando os deputados retomarem as atividades, faltarão menos de dois meses para o primeiro turno das eleições, reduzindo o espaço para negociações políticas e ampliando a pressão sobre o Governo para regularizar a execução das emendas previstas no Orçamento de 2026.
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Declarações de Abilio sobre deputados geram reação na ALMT
As declarações do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), envolvendo deputados estaduais provocaram reação do deputado estadual Lúdio Cabral (PT). As falas foram feitas durante a 58ª Expoagro, na última sexta-feira (10), quando o prefeito afirmou que alguns parlamentares criticam o agronegócio, apesar de, segundo ele, serem beneficiados pelos recursos gerados pelo setor.
Durante o evento, Abilio também fez declarações sobre a vida pessoal de integrantes da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). Sem citar nomes ou apresentar provas, o prefeito afirmou que alguns deputados teriam encerrado relacionamentos e iniciado novos envolvimentos com assessores ou outras pessoas ligadas ao ambiente da própria Assembleia.
Abilio ainda mencionou ter visto reportagens sobre parlamentares que, segundo ele, teriam despesas incompatíveis com seus rendimentos. O prefeito afirmou que os próprios corredores do Legislativo saberiam a quem se referia.
Ao abordar as críticas ao agronegócio, o chefe do Executivo cuiabano declarou que parte dos recursos utilizados pelos deputados teria origem na atividade econômica do setor.
“Se eles têm recursos hoje que sustentam os seus salários, as suas verbas indenizatórias e os seus gabinetes, boa parte desses recursos são frutos do agronegócio.”
O prefeito também afirmou que possíveis reações às suas declarações poderiam indicar quem teria se sentido atingido.
“Se aparecer um deputado ou outro amanhã falando que não deveria falar das amantes, pode ver, provavelmente aquele ali é o que está se entregando.”
As declarações foram rebatidas nesta segunda-feira (13) pelo deputado estadual Lúdio Cabral. O parlamentar afirmou que Abilio estaria criando polêmicas para tirar o foco das críticas relacionadas à gestão da Prefeitura de Cuiabá.
“É assim, é o Abilio sendo o Abilio, mais uma vez lançando isca para desviar a atenção da incompetência dele como prefeito de Cuiabá. Apenas isso. Mais uma do Abilio sendo o Abilio”, afirmou.
Lúdio também ironizou a atuação política do prefeito e disse que Abilio estaria contribuindo para fortalecer sua própria pré-campanha a deputado estadual.
“O Abilio, inclusive, é meu camisa 9 na pré-campanha para deputado estadual, de tão ruim que ele é como prefeito de Cuiabá. O camisa 10 é o Pivetta”, declarou.
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