Mato Grosso
Polícia Civil desarticula grupo criminoso envolvido em furtos de soja fazenda em Tapurah
Mato Grosso
Quatro integrantes de um grupo criminoso envolvidos em um furto de mais de R$ 700 mil em soja de uma propriedade de rural de Tapurah foram presos em flagrante pela Polícia Civil, na terça-feira (17.2), em ação realizada pelos policiais do município.
Além da prisão dos suspeitos, de 31, 40 e dois de 21 anos, a ação resultou na apreensão de diversos aparelhos celulares, quatro carretas, uma delas carregada de soja e um veículo utilizado no crime.
Os furtos de soja ocorreram entre os dias 2 a 16 de fevereiro, em uma propriedade rural localizada na Rodovia MT-338, na zona rural de Tapurah. Para dificultar a sua identificação, o grupo criminoso virou as câmeras de monitoramento do local para que a ação não fosse registrada.
Porém, os policiais conseguiram levantar imagens do furto ocorrido no dia 4, quando um caminhão Scânia permaneceu certa de 30 minutos no armazém, seguido de um caminhão Volvo, que ficou no local pelo mesmo período.
Nos dias 9 e 11 de fevereiro, foi possível identificar que os criminosos agiram novamente, desta vez utilizando três caminhões para fazer o transbordo dos grãos. No dia 15, os suspeitos estiveram novamente na propriedade movimentando as câmeras, reforçando a suspeita de continuarem com a empreitada criminosa.
Com a identificação dos dias e horários dos crimes, os policiais conseguiram, no dia 16, identificar os caminhões utilizados nos furtos, sendo possível localizar os veículos em um posto da região, assim como seus motoristas que a todo momento ficavam no celular.
Com o trabalho de monitoramento, os policiais da Delegacia de Tapurah verificaram quando duas carretas seguiram sentido à fazenda, com um forte indicativo de um novo furto. Por volta das 23h55, três suspeitos chegaram ao armazém e iniciaram a virada das câmeras, momento em que chegou o primeiro caminhão.
Diante das evidências, os policiais abordaram seis suspeitos que estavam no local, três motoristas e três operadores de armazém, sendo que três deles conseguiram empreender fuga.
No momento da abordagem já estavam na propriedade quatro caminhões. No interior dos veículos foram encontrados placas falsas, que seriam utilizadas para dificultar a identificação dos caminhões. Uma das carretas estava com a placa ocultada com uma camiseta e já estava carregado com a carga de soja.
Em continuidade às diligências, os policiais conseguiram prender o quarto suspeito no distrito de Ana Terra. A ação resultou ainda na apreensão de um veículo VW Gol, utilizado pelo grupo criminoso em diversas ações para a prática do crime.
Diante das evidências, os quatro suspeitos foram conduzidos à Delegacia de Tapurah, onde após serem interrogados pelo delegado Franklin Alves foram autuados em flagrante pelo crime de furto qualificado e organização criminosa, sendo posteriormente colocados à disposição da Justiça.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
TJMT e TVCA promovem fórum “Destinos Roubados: a epidemia do feminicídio”
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), em parceria com a TV Centro América (TVCA), realizou nesta sexta-feira (29), em Cuiabá, o fórum “Destinos Roubados: A Epidemia do Feminicídio”. O evento ocorreu no auditório da emissora e reuniu representantes do sistema de Justiça, forças de segurança, instituições públicas e especialistas para discutir ações de enfrentamento à violência contra a mulher em Mato Grosso.
O encontro integrou o encerramento do projeto jornalístico especial “Destinos Roubados: A Epidemia do Feminicídio”, série documental composta por cinco reportagens sobre violência doméstica, feminicídio e os impactos sociais provocados por esse tipo de crime. O trabalho foi dirigido pela jornalista Ariane Locatelli.
Representando o TJMT no fórum, participaram dos debates os magistrados da 2ª Vara Especializada de Família e Sucessões de Cuiabá, juiz titular Marcos Agostinho Terêncio e a juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa.
Rede de enfrentamento e prevenção
Durante o encontro, foram discutidos os principais desafios da rede de enfrentamento à violência doméstica, o acolhimento às vítimas, medidas de prevenção, atendimento aos órfãos do feminicídio e a integração entre as instituições.
A juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa destacou que o fórum reuniu toda a rede de enfrentamento para refletir e, ao final, elaborar uma carta de compromissos com o objetivo de modificar a realidade da violência contra a mulher no estado.
Para ela, o fortalecimento das redes é fundamental para ampliar a proteção às vítimas. “Sozinho ninguém consegue resolver o problema da violência doméstica. Hoje, dos 142 municípios de Mato Grosso, 123 já possuem redes de enfrentamento instaladas. Esse é um espaço para fortalecer vínculos, promover maior engajamento e qualificar o atendimento prestado às mulheres”, ressaltou.
A magistrada também enfatizou a importância de ações preventivas e do trabalho voltado aos autores de violência doméstica. “Não adianta tratar apenas das mulheres. É preciso trabalhar também com o autor da violência. O homem que participa dos grupos reflexivos dificilmente volta a delinquir”, explicou.
Ana Graziela destacou ainda iniciativas desenvolvidas pelo Poder Judiciário e parceiros, como o projeto “A Escola Ensina, a Mulher Agradece”, palestras sobre a Lei Maria da Penha nas escolas e capacitações realizadas com professores da rede pública. “Precisamos trabalhar desde cedo com as crianças e adolescentes para construir relações pautadas no respeito e impedir que novos casos de violência cheguem ao sistema”, concluiu.
Responsabilização e conscientização
O juiz Marcos Terêncio destacou que o enfrentamento à violência doméstica passa pela responsabilização dos agressores, mas também por ações de conscientização e transformação de comportamento.
O debate conduzido por ele no fórum abordou “a responsabilidade penal dos agressores, tanto pela punição propriamente dita, quanto pelos sistemas de autorresponsabilização”. Ele citou os Grupos Reflexivos para homens, desenvolvidos pelo Judiciário.
“A intenção é diminuir a reincidência, demonstrando, de um lado, que a punição é certa e célere e, de outro, fazer com que esses homens reflitam sobre a violência, o machismo enraizado e os impactos causados às vítimas e às próprias famílias”, afirmou.
O magistrado também ressaltou a importância da abordagem adotada durante a série exibida pela emissora. “As narrativas são dramáticas, mas não sensacionalistas. O protagonismo é da mulher. O agressor não deve ser o protagonista da história, mas precisa reconhecer o seu papel e compreender o que a violência causa para todos ao seu redor”, completou.
Parceria institucional
Para o diretor de Conteúdo da TVCA, Marcello Rosa, o enfrentamento à violência contra a mulher exige mobilização permanente da sociedade e atuação conjunta das instituições.
De acordo com ele, a parceria com o TJMT fortalece o debate e amplia a capacidade de mobilização social. “A Justiça é fundamental nesse processo. A melhor parceria possível é ter o TJ encabeçando a organização desse evento e trazendo outros players para essa discussão. É assim que vamos transformando a sociedade, mudando pensamentos e garantindo mais segurança para as mulheres, principalmente por meio da educação”, destacou.
Do luto à luta
Alenir Gomes da Silva, mãe de uma vítima de feminicídio, participou da série documental. Aline tinha 20 anos e um filho de quatro anos quando foi morta pelo marido, em 2020.
“Ela tentava sair da relação, mas não conseguia. Muitas coisas ela não contava porque tinha medo dele. Eu tentei registrar boletim de ocorrência, mas naquela época diziam que quem precisava denunciar era a vítima”, relembrou.
Ao defender a importância de dar visibilidade aos casos de violência doméstica, Alenir explicou que decidiu participar da série para conscientizar outras mulheres e famílias. “Enquanto eu continuar falando, divulgando, alguém vai cair na real e perceber os sinais. É importante que ninguém esqueça.”
Ela também ressaltou a necessidade de investir em educação e prevenção desde a infância. “Tem que começar cedo, na escola, conscientizando meninos e meninas sobre respeito e sobre como a violência começa”, disse.
Carta de Compromisso Institucional
Ao final do fórum, as instituições participantes construíram uma Carta de Compromisso Institucional com propostas voltadas ao fortalecimento das políticas públicas de prevenção e combate ao feminicídio no estado, que somente neste ano já registrou 18 feminicídios, deixando órfãs 22 crianças e adolescentes, além de 79 tentativas de feminicídio.
Série disponível no Globoplay
Os episódios da série “Destinos Roubados: A Epidemia do Feminicídio” estão disponíveis no aplicativo Globoplay, com as edições exibidas entre os dias 25 e 29 de maio no telejornal Bom Dia MT.
Autor: Marcia Marafon
Fotografo: Alair Ribeiro
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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