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PSG vence Bayern e avança para a semifinal da Copa do Mundo de Clubes
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O Paris Saint-Germain garantiu sua vaga na semifinal da Copa do Mundo de Clubes ao superar o Bayern de Munique por 2 a 0 em uma partida emocionante neste sábado, no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta. Os gols parisienses foram marcados por Ousmane Dembélé e Desiré Doué, sendo este último um dos destaques que também brilhou na final da Liga dos Campeões.
O confronto foi marcado por um equilíbrio intenso e chances claras para ambos os lados. Enquanto o PSG apostou na velocidade de seus atacantes em contra-ataques letais, o Bayern de Munique criou perigo, principalmente através das investidas de Michael Olise.
Um momento de grande apreensão marcou a partida com a grave lesão do meio-campista Jamal Musiala, do Bayern, que fraturou o tornozelo em uma dividida com o goleiro Donnarumma. O incidente chocou atletas de ambos os times em campo.
Na próxima fase, o Paris Saint-Germain aguarda o vencedor do duelo entre Real Madrid e Borussia Dortmund, que se enfrentam ainda neste sábado.
Primeiro tempo
O início do jogo viu um PSG mais ofensivo, criando algumas oportunidades nos primeiros 25 minutos, mas sem conseguir finalizar com real perigo ao gol de Manuel Neuer.
O Bayern, por sua vez, respondeu com duas chegadas perigosas de Olise, que exigiu duas boas defesas de Donnarumma. Pouco depois, Kvaratskhelia testou Neuer, que defendeu em dois tempos.
Aos 46 minutos, o Bayern chegou a balançar as redes com Upamecano após uma cobrança de falta, mas o gol foi anulado por impedimento. Segundos depois, ocorreu o lance mais triste da partida: em uma dividida de bola com Donnarumma, Jamal Musiala sofreu uma grave lesão no tornozelo, deixando os jogadores em choque e a partida paralisada por alguns minutos.
Segundo tempo
A etapa final começou com a melhor chance do jogo para o PSG, quando Kvaratskhelia deu um passe espetacular para Barcola, que saiu cara a cara com Neuer. O goleiro alemão, no entanto, fez uma defesa espetacular, evitando o primeiro gol francês.
O Bayern manteve seu ímpeto ofensivo, e Michael Olise continuou sendo uma ameaça, com duas novas finalizações perigosas contra o gol de Donnarumma.
Aos 28 minutos, Neuer quase entregou um gol ao PSG ao se atrapalhar na saída de bola e perder a dividida para Dembélé, que finalizou desequilibrado, com a bola saindo lentamente rente à trave.
O placar foi aberto cinco minutos depois. João Neves encontrou Desiré Doué na entrada da área. O atacante francês chutou rasteiro no canto esquerdo, e Neuer, escorregando, não conseguiu chegar a tempo: 1 a 0 para o PSG.
A situação do PSG se complicou aos 37 minutos, quando Pacho, zagueiro da equipe, foi expulso com cartão vermelho direto por uma dividida com pé alto em Goretzka. Para piorar, Lucas Hernández, que havia acabado de entrar, também recebeu cartão vermelho direto por uma cotovelada em Raphael Guerreiro, deixando o Paris Saint-Germain com dois jogadores a menos.
Mesmo com nove homens em campo, o PSG não se intimidou. Hakimi roubou a bola, aplicou uma caneta no marcador e serviu Ousmane Dembélé, que finalizou firme no canto direito de Neuer, ampliando o placar para 2 a 0 e selando a vitória e a classificação para a semifinal.
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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