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Fluminense vence Bahia e avança à semifinal da Copa do Brasil

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Em uma noite de virada emocionante no Maracanã, o Fluminense garantiu sua vaga na semifinal da Copa do Brasil ao derrotar o Bahia por 2 a 0, nesta quarta-feira. Com gols de Agustín Canobbio e Thiago Silva, o Tricolor Carioca reverteu a desvantagem do jogo de ida, quando havia perdido por 1 a 0, e segue firme na busca pelo título. O Bahia, por sua vez, comandado por Rogério Ceni, se despede da competição.

O Jogo:

A partida começou com o Fluminense impondo ritmo e buscando o gol desde os primeiros minutos. Agustín Canobbio teve uma boa chance logo aos três minutos, mas parou em defesa de Ronaldo. Pouco depois, Thiago Silva cabeceou com perigo, mostrando a intenção ofensiva dos donos da casa. No entanto, o Bahia ajustou a marcação, dificultando as investidas tricolores. O Fluminense só voltou a ameaçar com Everaldo aos 22 minutos, e o jogo se tornou mais equilibrado, com poucas chances claras para ambos os lados até o intervalo. A única oportunidade do Bahia no primeiro tempo veio nos acréscimos, com Kayky tentando encobrir Fábio, que fez a defesa e manteve o placar zerado.

Na etapa final, o Bahia retornou com uma postura mais ofensiva, mas foi o Fluminense quem capitalizou primeiro. Aos nove minutos, um cruzamento de Renê resultou em pênalti, após a bola tocar no braço de Michel Araújo. Canobbio converteu a cobrança com precisão, abrindo o placar e igualando o agregado.

O gol deu novo ânimo ao Fluminense, que intensificou a pressão. Apesar de pecar no último passe em algumas oportunidades, a equipe carioca não desistiu de buscar o gol da classificação. Aos 39 minutos, a insistência foi recompensada: Thiago Silva, após cobrança de falta na área, subiu mais alto que a defesa e cabeceou para o fundo das redes, sem chances para Ronaldo, selando a vitória e a classificação.

Mesmo com a vantagem, o Fluminense manteve a postura ofensiva, enquanto o Bahia, sem conseguir furar o bloqueio defensivo adversário, pouco produziu e viu sua jornada na Copa do Brasil chegar ao fim.

Próximos Desafios

Agora, o Fluminense aguarda o vencedor do confronto entre Botafogo e Vasco para conhecer seu adversário na semifinal. Pelo Campeonato Brasileiro, o Fluminense enfrenta o Corinthians no Maracanã, em partida válida pela 23ª rodada. Já o Bahia, eliminado da Copa do Brasil, volta suas atenções para o Brasileirão, onde receberá o Cruzeiro na Arena Fonte Nova.

Ficha Técnica

Fluminense 2 x 0 Bahia

Competição: Copa do Brasil – Quartas de Final

Local: Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)

Data:10 de setembro

Horário: 19h (horário de Brasília)

Cartões Amarelos:

  • Fluminense: Agustín Canobbio, Juan Pablo Freytes
  • Bahia: Nicolás Acevedo, Kayky, Ronaldo, Iago, Cauly

Arbitragem:

  • Árbitro: Matheus Delgado Candançan (SP)
  • Assistentes: Danilo Ricardo Simon Manis (SP) e Neuza Ines Back (SP)
  • VAR: Caio Max Augusto Vieira (GO)

Gols:

  • Fluminense: Agustín Canobbio (10′ do 2º Tempo)
  • Fluminense: Thiago Silva (39′ do 2º Tempo)

Fluminense:

  • Goleiro: Fábio
  • Defensores: Guga, Thiago Silva, Freytes, Renê
  • Meio-campistas: Martinelli (Bernal), Hércules, Gustavo Nonato (Lucho Acosta), Agustín Canobbio (Ignácio)
  • Atacantes: Kevin Serna (Keno), Everaldo (Cano)
  • Técnico: Renato Gaúcho

Bahia:

  • Goleiro: Ronaldo
  • Defensores: Gilberto, David Duarte, Santiago Ramos, Luciano
  • Meio-campistas: Acevedo (Rezende), Jean Lucas, Michel Araújo (Iago), Everton Ribeiro (Edivan)
  • Atacantes: Kayky (Matheus Sanabria), Willian José (Cauly)
  • Técnico: Rogério Ceni

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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