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Flamengo vence Internacional no Beira-Rio e avança às quartas da Libertadores

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O Flamengo garantiu sua vaga nas quartas de final da Copa Libertadores ao superar o Internacional por 2 a 0, em partida disputada na noite desta quarta-feira (20) no Beira-Rio. Com o triunfo fora de casa, o rubro-negro carioca enfrentará agora o tetracampeão Estudiantes, da Argentina, em confrontos previstos para setembro, com o jogo de ida no Rio de Janeiro e a volta em La Plata.

A partida em Porto Alegre teve um início atípico, com um atraso no apito inicial devido à grande quantidade de papel picado no gramado, jogado pela torcida do Internacional. Quando a bola rolou, o confronto se mostrou movimentado, com ambas as equipes buscando o ataque, embora as primeiras chances claras demorassem a surgir. O Flamengo, gradualmente, assumiu o controle da posse de bola e começou a criar perigo.

Aos 26 minutos do primeiro tempo, o time carioca abriu o placar. Após uma finalização de Samuel Lino que Rochet defendeu, Arrascaeta aproveitou o rebote e, de cabeça, mandou para o fundo das redes, colocando o Flamengo em vantagem. O gol pareceu abalar o Internacional, que passou a cometer faltas mais duras. O Flamengo, por sua vez, manteve a posse e chegou a ter um gol de Bruno Henrique anulado por impedimento aos 41 minutos, mantendo a vantagem mínima até o intervalo.

Na segunda etapa, o Internacional voltou com a necessidade de buscar o resultado, tentando pressionar o Flamengo. Contudo, foram os visitantes que quase ampliaram logo aos quatro minutos, em uma cabeçada de Saul defendida por Rochet após cobrança de falta. O lance reacendeu o Flamengo, que reassumiu o controle da posse de bola. Bruno Henrique voltou a balançar as redes, mas teve outro gol anulado por impedimento aos 18 minutos. Pouco depois, Léo Pereira quase marcou após escanteio.

Nos momentos finais da partida, o Internacional intensificou sua pressão em busca de um gol que pudesse mudar o cenário. A melhor chance dos gaúchos veio aos 36 minutos, com Borré acertando a trave em um cruzamento perigoso. No entanto, foi o Flamengo quem selou a vitória e a classificação. Aos 43 minutos, Pedro completou um cruzamento rasteiro, confirmando o 2 a 0 e a passagem para a próxima fase da competição continental.

FICHA TÉCNICA

INTERNACIONAL-RS 0 X 2 FLAMENGO-RJ

Local: Beira-Rio, em Porto Alegre (RS)
Data: 20/08/2025
Horário: 21h30 (de Brasília)
Árbitro: Esteban Ostojich (URU)
Assistentes: Carlos Barreiro (URU) e Agustín Berisso (URU)
VAR: Andres Cunha (URU)
Cartões amarelos: Juninho e Bernabei (Internacional); Varela (Flamengo)

GOLS: Arrascaeta, aos 26′ 1º T; Pedro, aos 43′ do 2º T (FLAMENGO)

INTERNACIONAL: Rochet, Aguirre, Juninho, Vitão e Bernabei; Rodríguez (Carbonero), Thiago Maia, Bruno Tabata (Borré) e Alan Patrick; Wesley (Vitinho) e Ricardo Mathias (Valencia). Técnico: Roger Machado

FLAMENGO: Rossi, Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro; Jorginho, Saul e Arrascaeta (Luiz Araújo); Plata, Bruno Henrique (Pedro) e Samuel Lino. Técnico: Filipe Luís

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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