Cultura
Fecham desfiles no RJ: Tuiuti, Vila Isabel, Grande Rio e Salgueiro
Cultura
É hoje o dia que a nossa série sobre os enredos das escolas do Grupo Especial chega ao fim. Mas não é tempo para tristeza! Então já coloque a fantasia, vista seu melhor sorriso, e escute com atenção, porque ainda tem muito samba no último dia de desfile, no dia 17 de fevereiro. 

Alô, Bateria! Que outra forma melhor de começar o último dia de desfiles na Marquês de Sapucaí senão com a Pequena Valente de São de Cristóvão, a Paraíso do Tuiuti, que traz o enredo “Lonã Ifá Lukumi”. A amarelo-e-azul redescobre a conexão espiritual entre Brasil e Cuba, ao reverenciar a cultura dos Iorubás escravizados no país caribenho. Chamados pelos colonizadores de Lucumís, sua vertente religiosa também é praticada no nosso país.
Após a passagem da Tuiuti, vamos entender que a religiosidade se encontra com a música na Avenida, pois “macumba desde sempre se misturou com o samba”. Pelo menos, é o que diz um dos pais do samba, que sonhou a África no Rio de Janeiro e é homenageado pela Unidos de Vila Isabel.
“Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África” homenageia um dos maiores multiartistas da história do Brasil, Heitor dos Prazeres. Frequentador das primeiras rodas promovidas pela matriarca do samba, Tia Ciata, na zona portuária do Rio, Heitor dos Prazeres participou da criação de duas das maiores agremiações do Carnaval, Estação Primeira de Mangueira e Portela.
Além disso, compôs canções como a marchinha “Pierrô Apaixonado”, uma das mais regravadas da história, junto ao seu grande amigo e maior ícone da Vila, Noel Rosa.
Por meio dessa forte conexão, a escola vai direcionar o olhar para a história do samba e importância de Heitor nessa construção.
O homenageado também se destacou pelas pinturas. Através das telas, sonhava com a proteção das tradições de matriz africana na zona portuária do Rio, apelidada por ele de “Pequena África”.
O carnavalesco Leonardo Bora explica que a Vila Isabel vai representar a vida de Heitor de forma inédita…
“Heitor foi um fundador, foi um inventor, grande mediador cultural, um aglutinador, um líder. E o enredo passeia por essas muitas facetas desse personagem que ainda não foi protagonista de um enredo do grupo especial do Rio de Janeiro. Então nós sentíamos essa lacuna. E é claro que tem muito de representatividade, é um enredo que exalta toda uma história da arte brasileira que, infelizmente, até pouco tempo, a gente não estudou no colégio”.
Prepare-se, pois uma revolução está chegando na Sapucaí. Depois de Heitor dos Prazeres, as arquibancadas do Sambódromo vão tremer com a Acadêmicos do Grande Rio que ergue seu estandarte tricolor ao som dos manguezais…
Sobre uma palafita, a Tricolor da Baixada Fluminense anuncia o enredo “Nação do Mangue”, inspirado no “Manguebeat”, movimento musical transformador, iniciado em Pernambuco, no início dos anos 90, liderado, entre outros, por Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A. Caracterizado pela fusão de ritmos regionais como maracatu, frevo, coco, com outros mundiais, como rock, hip-hop, funk e música eletrônica, ele reverenciava os manguezais que, na visão deles, eram berço de movimentos de transformação social.
Na Avenida, a Grande Rio vai exaltar a fauna, flora, o maracatu e a identidade do povo que vive nas margens dos rios e mangues. Tudo isso, exaltando a figura do caranguejo, como símbolo de resistência e um grito contra a pobreza e a falta de perspectiva.
Por falar em transformação, vamos encerrar o dia com aquela que tornou o Carnaval uma paixão para milhões de brasileiros ao mostrar o país na Avenida. É Rosa Magalhães a homenageada no enredo da Acadêmicos do Salgueiro, em nosso último destaque…
Que tititi é esse pelo mundo a me levar? É o barulho ensurdecedor da bateria Furiosa do Salgueiro que se infla ao homenagear nada menos que a lendária carnavalesca, que se transformou na mulher com mais títulos de Campeã do Carnaval na era Sapucaí.
Somando sete conquistas, a professora Rosa Magalhães acumulou passagens por agremiações tradicionais, incluindo a mais longeva da carreira: a Imperatriz Leopoldinense, onde conquistou cinco títulos em 18 anos. Mas o que muitos não sabem é que foi no Salgueiro, onde ela começou sua trajetória, em 1970, como assistente de outro ícone: o carnavalesco, Fernando Pamplona. A ideia da escola é resgatar o universo criativo deixado ao longo dos seus 50 anos de Carnaval, mas não como algo biográfico que segue uma linha cronológica. O carnavalesco do Salgueiro, Jorge Silveira, explica que cada setor do enredo é como a ala de uma biblioteca, um acervo cultural e estético…
“A professora Rosa Magalhães é sem dúvida a maior artista que a passarela do samba já produziu. Ela é filha da revolução salgueirense encabeçada por Fernando Pamplona e Arlindo Rodrigues e ela herda as características estéticas desses profissionais e vai construir seu próprio legado e uma revolução que começa em vermelho e branco na Acadêmicos do Salgueiro. Então, é justo que essa homenagem seja feita pelo Acadêmicos do Salgueiro, que é o seu berço cultural, é de onde ela parte para o mundo do samba para construir seu legado”.
Mesmo após sua morte em 2024, aos 77 anos, o “legado” de Rosa segue reverenciado por todos que transformaram o Carnaval em uma paixão.
E, com essa merecida homenagem à Professora, chegamos ao fim da série especial sobre os enredos das grandes escolas de samba do Rio de Janeiro. Mas, aqui, a folia nunca acaba e você pode acompanhar a maior festa do mundo em nossa programação, que, como diria o locutor e ex-presidente da Liesa: é Nota 10!
*Supervisão de Vitória Elizabeth
**Atualizada às 12h47
Cultura
Ouro Negro: espetáculo em Recife celebra os 100 anos de Moacir Santos
Domingo (18) o palco do Teatro do Parque, em Recife, recebe um espetáculo que celebra o centenário do compositor, maestro, arranjador e multi-instrumentista pernambucano, Moacir Santos.

O musical “Canto e Encanto Pernambuco – Ouro Negro: 100 Anos de Moacir Santos” leva ao palco ritmos afro-brasileiros, influências do sertão e elementos do jazz que tornaram a obra do artista única. Além da música, o texto passeia por momentos marcantes de sua trajetória artística.
Autor do álbum clássico Coisas, lançado em 1965, e primeiro orquestrador negro da Rádio Nacional, Moacir deixou legado que inspirou outras referências da MPB como Baden Powell, João Donato, Sérgio Mendes, Paulinho da Viola e tantos outros.
Sua identidade musical ultrapassou fronteiras e conquistou reconhecimento internacional quando ele passou a morar nos Estados Unidos a partir de 1967. Por lá, lançou álbuns, continuou atuando como professor de música, fazendo parcerias com grandes nomes do jazz e da música instrumental; além de compor trilhas sonoras para filmes de Hollywood nas equipes de maestros como Henry Mancini.
A montagem do Musical, reunindo mais de 80 jovens e professores, é resultado do trabalho social de iniciação à música do Núcleo Musical Irmã Scheilla desenvolvido pela Fraternidade Espírita Peixotinho desde 2010.
A encenação será às 16h e os ingressos para o espetáculo estão disponíveis na plataforma Sympla.
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