Opinião
Quando a emoção encontra melodia
Opinião
*Por Manoel Izidoro
Vivemos em uma era marcada por estímulos constantes, sobrecarga emocional e, ao mesmo tempo, dificuldade de expressão. Crianças e adolescentes são cobrados a se comportar, ser produtivos, corresponderem às expectativas, mas raramente são ensinados a nomear e acolher o que sentem. É nesse cenário que a música emerge não apenas como uma atividade extracurricular, mas como uma ferramenta de saúde emocional e desenvolvimento pessoal.
Tocar um instrumento, cantar, compor ou simplesmente experimentar sons é uma forma de se comunicar sem precisar explicar. Quando palavras faltam, ou não dão conta, a melodia aparece como tradução daquilo que é íntimo, mas ainda confuso. Alunos que muitas vezes chegam tímidos, retraídos ou ansiosos, aos poucos vão descobrindo na música um canal de expressão e um espaço seguro onde não existem respostas erradas, apenas interpretações.
A prática musical ativa áreas do cérebro ligadas à emoção, à memória e à autorregulação. Não é por acaso que, ao tocar, muitos relatam sensação de alívio, pertencimento e confiança. Mais do que isso, a música convida ao contato consigo e com o outro, nos ensina a ouvir, respeitar o tempo do grupo e entender a pausa tanto quanto a nota.
Na Escola de Música IGC, em Cuiabá, vejo isso acontecer todos os dias. Os alunos não aprendem apenas escalas e partituras. Aprendem a respirar fundo, a lidar com o erro, a persistir diante do desafio. Aprendem, sem saber, sobre paciência, resiliência e sensibilidade. E, muitas vezes, encontram ali a coragem para mostrar ao mundo aquilo que sentem, não com palavras, mas com sons.
Por isso, é preciso valorizar o ensino musical não apenas como um caminho artístico, mas como um instrumento de cuidado com a saúde emocional. Porque, no fim das contas, a música é isso, uma forma de existir no mundo de maneira mais verdadeira. E quanto mais cedo oferecermos esse espaço de expressão, mais adultos inteiros e conscientes ajudaremos a formar.
*Manoel Izidoro é professor e proprietário da Escola de Música IGC de Cuiabá.
Opinião
Comissão aprova inclusão de guardas municipais na Força Nacional de Segurança Pública
A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 5877/25, que permite a participação de integrantes das guardas municipais na Força Nacional de Segurança Pública (FNSP).
Atualmente, a tropa é composta principalmente por policiais civis, militares e bombeiros dos estados.
A proposta autoriza a União a firmar convênios diretamente com os municípios para que os guardas municipais atuem na Força Nacional.
O texto também permite a convocação de guardas municipais aposentados há menos de cinco anos para reforçar o efetivo em operações especiais.
Os guardas municipais que atuarem na Força Nacional terão os mesmos direitos dos demais integrantes da corporação, incluindo o recebimento de diárias e indenização em caso de morte ou invalidez decorrente das missões. O objetivo é assegurar tratamento igualitário aos profissionais mobilizados.
Parecer do relator
Os parlamentares acolheram o parecer do relator, deputado Evair Vieira de Melo (Republicanos-ES), pela aprovação do projeto. Segundo o relator, a medida corrige uma lacuna institucional e valoriza o papel dos municípios na segurança.
“Ao equalizar o regime de pagamentos e de proteção dos guardas municipais ao das demais corporações, garante-se a igualdade para os agentes que arriscam a vida nessas missões”, disse.
O autor da proposta, deputado Capitão Alden (PL-BA), afirmou que as guardas municipais já são reconhecidas como integrantes do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), mas ainda precisavam de uma regra clara para atuar na Força Nacional.
Próximas etapas
A proposta será ainda analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Para virar lei, precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.
Reportagem – Murilo Souza
Edição – Marcelo Oliveira
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