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Teatro e educação fortalecem prevenção à violência infantil

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O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) tem intensificado a atuação na defesa dos direitos de crianças e adolescentes por meio da educação e da cultura, e o tema foi debatido nesta terça-feira (14), durante o programa Diálogos com a Sociedade, realizado no Espaço MP Por Elas, no piso 1 do Pantanal Shopping, em Cuiabá. Para a entrevista, estiveram presentes o procurador de Justiça Paulo Roberto Jorge do Prado, titular da Promotoria Especializada na Defesa da Criança e do Adolescente, e o diretor da Cia Vostraz, Maicon D’Paula.Durante a entrevista, o procurador destacou que o projeto “A Prevenção Começa na Escola” surgiu a partir de demandas recorrentes de professores e gestores da rede de ensino, que relatavam situações de violência envolvendo alunos, especialmente casos de abuso sexual que, muitas vezes, não eram reconhecidos pelas próprias vítimas. Segundo ele, grande parte dessas ocorrências acontece no ambiente familiar ou entre pessoas próximas, o que dificulta a identificação e o rompimento do ciclo de violência.A partir desse cenário, o Ministério Público buscou estratégias que possibilitassem o diálogo direto com crianças e adolescentes, utilizando uma linguagem acessível e sensível. Foi nesse contexto que surgiu a parceria com a Cia Vostraz, iniciada em 2017. Desde então, a iniciativa já percorreu mais de 80 municípios mato-grossenses, levando informação e orientação a milhares de estudantes.“O Ministério Público, por meio da arte, encontrou uma forma de fazer essas crianças denunciarem”, destacou o procurador ao enfatizar o papel do teatro como instrumento de transformação social.As peças desenvolvidas pela companhia abordam temas sensíveis como abuso sexual infantil, bullying e violência doméstica, com adaptações específicas para diferentes faixas etárias. Entre os espetáculos apresentados estão Inocentes Pétalas Roubadas, que trata do abuso sexual e do bullying, e RE-cortes, que discute a violência doméstica e suas diversas manifestações, incluindo violência física, psicológica e patrimonial.Segundo o diretor Maicon D’Paula, a construção dos espetáculos envolveu pesquisa aprofundada e o desenvolvimento de estratégias cênicas que favorecem a identificação do público com as situações apresentadas. Um dos recursos utilizados é a interação direta com a plateia, por meio da quebra da chamada “quarta parede”, incentivando a participação das crianças e adolescentes e estimulando a reflexão sobre a importância da denúncia. “A arte educa e mostra que a realidade não está tão longe”, afirmou.De acordo com os entrevistados, os resultados vão além da conscientização. Ao final das apresentações, é comum que crianças e adolescentes procurem professores ou integrantes da equipe para relatar situações de violência, o que reforça a importância do projeto como porta de entrada para a proteção dessas vítimas. Há, inclusive, relatos de educadores que reconheceram a relevância da iniciativa ao afirmarem que, se tivessem tido acesso a esse tipo de abordagem na infância, poderiam ter rompido mais cedo situações de abuso.Outro destaque foi a importância de trabalhar a prevenção também com os meninos, incentivando a reflexão sobre comportamentos reproduzidos socialmente e reforçando que a violência não deve ser naturalizada. Nesse sentido, o projeto busca promover uma formação cidadã, baseada no respeito, na empatia e na responsabilidade social.O procurador ressaltou ainda que a escola desempenha papel estratégico na identificação das violências, uma vez que é nesse ambiente que muitas denúncias têm origem. Ele também alertou para os riscos da omissão diante de situações de violência, destacando que o silêncio pode agravar ainda mais os danos às vítimas.Para 2026, o projeto seguirá em expansão, com previsão de realização de apresentações em 35 municípios, ao longo de aproximadamente 70 dias, totalizando cerca de 70 apresentações. A expectativa é alcançar mais de 120 mil pessoas, entre crianças, adolescentes, familiares e profissionais da educação, ampliando o alcance das ações de prevenção em todo o estado.Além das apresentações, o projeto também orienta o público sobre como agir diante de situações de violência e reforça os canais de denúncia disponíveis. Escolas públicas e privadas interessadas em receber a iniciativa podem buscar informações junto ao Ministério Público (127).Outro destaque é a preparação de um novo espetáculo, intitulado “Brincadeira Tem Limite”, que abordará o bullying e suas consequências, incluindo casos de automutilação, com previsão de lançamento no segundo semestre de 2026.Ao final da entrevista, os participantes reforçaram que investir em educação, cultura e projetos sociais é fundamental para afastar crianças e adolescentes de situações de vulnerabilidade e da criminalidade, além de contribuir para a construção de uma sociedade mais consciente e segura.

*Sob supervisão da jornalista Julia Munhoz

Fonte: Ministério Público MT – MT

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Júri de policiais penais é adiado após dissolução do conselho

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O julgamento de três réus, dois deles policiais penais, acusados de envolvimento no homicídio de Giovanni Henrique Oliveira Lopes, ocorrido em 2018, foi interrompido nesta terça-feira (13) após a dissolução do Conselho de Sentença. A decisão foi proferida pelo Juízo responsável pelo caso em razão da apresentação, pela defesa, de um relatório sigiloso que não constava nos autos disponíveis na Comarca de Primavera do Leste.A controvérsia sobre o documento foi levantada pelos advogados dos réus, que sustentaram que o relatório já havia sido juntado ao processo quando o feito tramitava na Comarca de Poxoréu. Segundo a defesa, o material não teria sido encaminhado quando os autos foram transferidos para Primavera do Leste, após o desaforamento do julgamento.Os promotores de Justiça Fabison Miranda Cardoso e Eduardo Antônio Ferreira Zaque, integrantes do Grupo de Atuação Especial do Tribunal do Júri (GaeJúri) do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), manifestaram-se pela impugnação do relatório, sustentando a impossibilidade de utilização do documento nas circunstâncias apresentadas e prosseguimento do Júri.“Após a oitiva de várias testemunhas, a defesa apresentou um relatório supostamente sigiloso. O processo tramitava em Poxoréu e foi desaforado para Primavera do Leste. Quando os autos foram encaminhados, esse anexo sigiloso não foi enviado. Todos fomos surpreendidos em plenário. O Ministério Público suscitou questão de ordem para que o relatório fosse excluído ou não fosse utilizado”, explicou o promotor de Justiça Fabison Miranda Cardoso.Diante da situação, a magistrada determinou a dissolução do Conselho de Sentença e redesignou o julgamento para o dia 20 de janeiro de 2027, às 8h. Antes da interrupção dos trabalhos, dez testemunhas chegaram a ser ouvidas em plenário.“Com a dissolução do Conselho de Sentença, é designada uma nova data para o julgamento. Um novo conselho será sorteado e as testemunhas arroladas pelo Ministério Público, pela defesa e pela assistência de acusação voltarão a ser ouvidas. O Júri recomeça desde o início, com novo sorteio dos jurados, já que os integrantes do conselho dissolvido tiveram contato direto com os fatos discutidos nesta sessão”, explicou o promotor de Justiça Eduardo Antônio Ferreira Zaque.O processo apura o assassinato de Giovanni Henrique Oliveira Lopes, ocorrido em 1º de maio de 2018, em Poxoréu. Conforme a denúncia do Ministério Público, após uma discussão iniciada durante o evento denominado Encontro de Violeiros, a vítima foi perseguida até uma residência, onde foi atingida por disparo de arma de fogo.Respondem ao júri o policial penal Fábio Domingos, acusado de homicídio qualificado por recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima e apontado pelo Ministério Público como autor do disparo fatal; o policial penal Carlos Jesus de Oliveira, denunciado por homicídio qualificado em concurso de pessoas; e Josane Francisca Dias de Souza, denunciada por disparo de arma de fogo.Segundo a acusação, durante a discussão ocorrida no estacionamento da festa, Josane Francisca Dias de Souza, esposa de Fábio Domingos, teria efetuado um disparo que atingiu a lataria do veículo conduzido por Giovanni Henrique Oliveira Lopes.Também figurava entre os denunciados por homicídio qualificado Patrício Francisco Dias, apontado pelo Ministério Público como participante da ação criminosa em concurso de pessoas. O processo em relação a ele, entretanto, foi extinto em razão de seu falecimento.De acordo com a denúncia, após a discussão ocorrida durante a festa, Fábio Domingos, Carlos Jesus de Oliveira e Patrício Francisco Dias teriam seguido a vítima e invadido a residência onde ela se encontrava, apresentando-se como policiais. Conforme a acusação, Giovanni Henrique Oliveira Lopes foi surpreendido dentro do imóvel e atingido por um disparo na cabeça, na frente do filho de 4 anos, na época.Com o adiamento, o caso voltará a ser submetido ao Tribunal do Júri em janeiro do próximo ano, quando um novo Conselho de Sentença será constituído para analisar as acusações formuladas pelo Ministério Público e as teses apresentadas pelas defesas.

Fonte: Ministério Público MT – MT

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