Mato Grosso
Curso da SES capacita 40 profissionais para atendimento odontológico de pessoas com deficiência
Mato Grosso
A Escola de Saúde Pública (ESP-MT), a Coordenadoria de Saúde Bucal da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) e o Centro Estadual de Odontologia para Pacientes Especiais (Ceope), realizam capacitação em atendimento odontológico à Pessoa com Deficiência (PcD) em Colíder, desta segunda a sexta-feira (25 a 29.8).
O curso terá 40 horas de duração, sendo 16 horas teóricas e 24 horas práticas, com certificação da ESP, e será ministrado por seis docentes. A parte prática do treinamento será realizada na unidade do Programa Saúde da Família (PSF) Central e PSF Torre.
Serão capacitados 40 profissionais, entre cirurgiões-dentistas dos municípios de Colíder, Itaúba, Marcelândia, Nova Canaã do Norte, Nova Guarita, Nova Santa Helena e do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Kayapó, e Auxiliares de Saúde Bucal (ASB) e Técnicos em Saúde Bucal (TSB).
A superintendente da ESP, Silvia Tomaz, destaca que essa capacitação deverá impactar positivamente a saúde bucal das Pessoas com Deficiência da região de Colíder.
“O projeto é coordenado pela Escola de Saúde Pública, 100% realizado pela Secretaria de Estado de Saúde em todas as regiões de saúde, durante todo o ano, pois consideramos fundamental capacitar os cirurgiões-dentistas, auxiliares e técnicos em saúde bucal para que sejam capazes de prestar um excelente serviço específico a essa população”, disse.
Segundo a diretora do Escritório Regional de Saúde de Colíder, Deborah Mazei, os alunos participantes do curso foram indicados pelas Secretarias Municipais de Saúde dos municípios contemplados, pois estas vagas são para os profissionais que já atuam na rede municipal.
“O objetivo do curso é qualificar os profissionais de odontologia que atuam nos Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs) e nas Equipes de Saúde Bucal (ESBs) para que estejam preparados às especificidades do atendimento odontológico da Pessoa com Deficiência. Serão abordadas as necessidades específicas de cada grupo de pessoas com deficiência, as formas de preparo antes da consulta e condutas adequadas durante o atendimento odontológico”, revelou Deborah.
De acordo com o coordenador do curso da ESP, Assis Gomes, os profissionais farão uma atividade prática de educação em saúde nas dependências da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), na tarde de quarta-feira (27.8).
“Essa ação vai coincidir com a ‘Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla’, celebrada anualmente de 21 a 28 de agosto. A Apae vai apresentar os talentos de seus alunos, como artesanato, pintura, dança, canto, entre outras atividades”, explicou o coordenador.
Dois profissionais do Ceope estão entre os professores da capacitação. Conforme a diretora do Centro, Martha Aquilino Pereira, a ideia é desmistificar o atendimento odontológico aos PcDs.
“Sempre recebemos o feedback muito positivo dos profissionais sobre os treinamentos: entendem que apenas o manejo à Pessoa com Deficiência é diferente, com características peculiares, mas que a odontologia em si realizada é a mesma. A partir daí, eles se sentem mais seguros para atender a esse público”, destacou Martha.
Além de garantir atendimento odontológico qualificado aos pacientes especiais, o Ceope tem como missão proporcionar educação continuada para melhorar o serviço bucal no Estado.
“Como o Ceope é a única referência estadual neste tipo de atendimento especializado, quanto mais capacitarmos os cirurgiões-dentistas do interior para que atendam com efetividade melhor. Assim, o Centro fica responsável por atender os casos mais complexos e as equipes treinadas nos municípios se sentem capazes e já não encaminham todos os casos para Cuiabá, o que é melhor para o paciente que não precisa se deslocar até a capital e recebe tratamento odontológico de excelência na Atenção Básica do seu município”, concluiu.
O projeto piloto desta capacitação foi realizado em 2023, com os municípios da Regional da Baixada Cuiabana, quando foram capacitados 20 cirurgiões. Desde então, mais de 220 cirurgiões-dentistas e 79 Auxiliares e Técnicos em Saúde Bucal foram capacitados no Estado. Ao todo, esses profissionais atenderam mais de 600 pacientes durante as capacitações.
Alunos vão atender a população no treinamento
Durante as aulas práticas, serão atendidos 64 pacientes, sendo 28 de Colíder, quatro de Itaúba, 10 de Marcelândia, 10 de Nova Canaã do Norte, quatro de Nova Guarita, quatro de Nova Santa Helena e quatro pacientes do Dsei Kayapó.
Para a coordenadora de Saúde Bucal da Prefeitura de Colíder, Luana Cristina Ribeiro, o curso é importante para garantir que todos tenham acesso a cuidados odontológicos de qualidade.
“Nossos profissionais serão capacitados para lidar com as particularidades de cada paciente, assim podendo oferecer um atendimento individualizado, seguro e eficiente. Dessa forma, a gente consegue contribuir para a inclusão social e a redução das desigualdades no acesso à saúde”, pontuou.
Os materiais de insumo para a capacitação serão fornecidos pelo município de Colíder. As despesas com locomoção, hospedagem e alimentação dos alunos serão custeadas pelas Secretarias Municipais de Saúde, como forma de contrapartida. O custeio dos professores e técnicos que acompanharão o curso será por conta da SES.
“Enfim, com essa capacitação estaremos melhorando a qualidade do atendimento à pessoa com deficiência, otimizando recursos dos municípios e dando maior qualidade de vida a essa população que necessita de um atendimento especializado”, concluiu Gomes.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
TJMT e TVCA promovem fórum “Destinos Roubados: a epidemia do feminicídio”
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), em parceria com a TV Centro América (TVCA), realizou nesta sexta-feira (29), em Cuiabá, o fórum “Destinos Roubados: A Epidemia do Feminicídio”. O evento ocorreu no auditório da emissora e reuniu representantes do sistema de Justiça, forças de segurança, instituições públicas e especialistas para discutir ações de enfrentamento à violência contra a mulher em Mato Grosso.
O encontro integrou o encerramento do projeto jornalístico especial “Destinos Roubados: A Epidemia do Feminicídio”, série documental composta por cinco reportagens sobre violência doméstica, feminicídio e os impactos sociais provocados por esse tipo de crime. O trabalho foi dirigido pela jornalista Ariane Locatelli.
Representando o TJMT no fórum, participaram dos debates os magistrados da 2ª Vara Especializada de Família e Sucessões de Cuiabá, juiz titular Marcos Agostinho Terêncio e a juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa.
Rede de enfrentamento e prevenção
Durante o encontro, foram discutidos os principais desafios da rede de enfrentamento à violência doméstica, o acolhimento às vítimas, medidas de prevenção, atendimento aos órfãos do feminicídio e a integração entre as instituições.
A juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa destacou que o fórum reuniu toda a rede de enfrentamento para refletir e, ao final, elaborar uma carta de compromissos com o objetivo de modificar a realidade da violência contra a mulher no estado.
Para ela, o fortalecimento das redes é fundamental para ampliar a proteção às vítimas. “Sozinho ninguém consegue resolver o problema da violência doméstica. Hoje, dos 142 municípios de Mato Grosso, 123 já possuem redes de enfrentamento instaladas. Esse é um espaço para fortalecer vínculos, promover maior engajamento e qualificar o atendimento prestado às mulheres”, ressaltou.
A magistrada também enfatizou a importância de ações preventivas e do trabalho voltado aos autores de violência doméstica. “Não adianta tratar apenas das mulheres. É preciso trabalhar também com o autor da violência. O homem que participa dos grupos reflexivos dificilmente volta a delinquir”, explicou.
Ana Graziela destacou ainda iniciativas desenvolvidas pelo Poder Judiciário e parceiros, como o projeto “A Escola Ensina, a Mulher Agradece”, palestras sobre a Lei Maria da Penha nas escolas e capacitações realizadas com professores da rede pública. “Precisamos trabalhar desde cedo com as crianças e adolescentes para construir relações pautadas no respeito e impedir que novos casos de violência cheguem ao sistema”, concluiu.
Responsabilização e conscientização
O juiz Marcos Terêncio destacou que o enfrentamento à violência doméstica passa pela responsabilização dos agressores, mas também por ações de conscientização e transformação de comportamento.
O debate conduzido por ele no fórum abordou “a responsabilidade penal dos agressores, tanto pela punição propriamente dita, quanto pelos sistemas de autorresponsabilização”. Ele citou os Grupos Reflexivos para homens, desenvolvidos pelo Judiciário.
“A intenção é diminuir a reincidência, demonstrando, de um lado, que a punição é certa e célere e, de outro, fazer com que esses homens reflitam sobre a violência, o machismo enraizado e os impactos causados às vítimas e às próprias famílias”, afirmou.
O magistrado também ressaltou a importância da abordagem adotada durante a série exibida pela emissora. “As narrativas são dramáticas, mas não sensacionalistas. O protagonismo é da mulher. O agressor não deve ser o protagonista da história, mas precisa reconhecer o seu papel e compreender o que a violência causa para todos ao seu redor”, completou.
Parceria institucional
Para o diretor de Conteúdo da TVCA, Marcello Rosa, o enfrentamento à violência contra a mulher exige mobilização permanente da sociedade e atuação conjunta das instituições.
De acordo com ele, a parceria com o TJMT fortalece o debate e amplia a capacidade de mobilização social. “A Justiça é fundamental nesse processo. A melhor parceria possível é ter o TJ encabeçando a organização desse evento e trazendo outros players para essa discussão. É assim que vamos transformando a sociedade, mudando pensamentos e garantindo mais segurança para as mulheres, principalmente por meio da educação”, destacou.
Do luto à luta
Alenir Gomes da Silva, mãe de uma vítima de feminicídio, participou da série documental. Aline tinha 20 anos e um filho de quatro anos quando foi morta pelo marido, em 2020.
“Ela tentava sair da relação, mas não conseguia. Muitas coisas ela não contava porque tinha medo dele. Eu tentei registrar boletim de ocorrência, mas naquela época diziam que quem precisava denunciar era a vítima”, relembrou.
Ao defender a importância de dar visibilidade aos casos de violência doméstica, Alenir explicou que decidiu participar da série para conscientizar outras mulheres e famílias. “Enquanto eu continuar falando, divulgando, alguém vai cair na real e perceber os sinais. É importante que ninguém esqueça.”
Ela também ressaltou a necessidade de investir em educação e prevenção desde a infância. “Tem que começar cedo, na escola, conscientizando meninos e meninas sobre respeito e sobre como a violência começa”, disse.
Carta de Compromisso Institucional
Ao final do fórum, as instituições participantes construíram uma Carta de Compromisso Institucional com propostas voltadas ao fortalecimento das políticas públicas de prevenção e combate ao feminicídio no estado, que somente neste ano já registrou 18 feminicídios, deixando órfãs 22 crianças e adolescentes, além de 79 tentativas de feminicídio.
Série disponível no Globoplay
Os episódios da série “Destinos Roubados: A Epidemia do Feminicídio” estão disponíveis no aplicativo Globoplay, com as edições exibidas entre os dias 25 e 29 de maio no telejornal Bom Dia MT.
Autor: Marcia Marafon
Fotografo: Alair Ribeiro
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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