Mato Grosso
Corpo de Bombeiros integra rede de atendimento e passam a levar pacientes com AVC direto para HMC
Mato Grosso
O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) passou a integrar a rede de atendimento pré-hospitalar do programa SOS AVC, iniciativa da Prefeitura de Cuiabá que ocorre no Hospital Municipal de Cuiabá (HMC). O objetivo é propiciar atendimento pré-hospitalar qualificado, em tempo ideal, às vítimas de Acidente Vascular Cerebral (AVC) na baixada cuiabana.
A medida viabiliza intervenções e a adoção de protocolos internacionais que envolvem uso de alta tecnologia, o que aumenta as chances de recuperação dos pacientes e reduz o risco de sequelas graves nos usuários da rede do Sistema Único de Saúde (SUS).
Com a nova parceria, as vítimas poderão ser levadas direto pelos bombeiros à unidade referência HMC/Rede SOS AVC poupando as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Por isso, a orientação é que a população acione os números de emergência 192 (SAMU) ou 193 (Bombeiros) em caso de suspeita de AVC, garantindo atendimento ágil, diagnóstico rápido e o envio imediato de equipes especializadas.
O comandante-geral do CBMMT, coronel BM Flávio Glêdson Vieira Bezerra, destacou que a participação no programa visa agilizar o atendimento emergencial, reduzindo o tempo entre o início dos sintomas e o tratamento, fator decisivo para melhorar o prognóstico dos pacientes.
“Nossa missão finalística é salvar vidas. Somos parceiros para fazer esse projeto acontecer de forma ainda mais eficaz. O Estado investiu na estrutura dos bombeiros, incluindo a atuação das nossas equipes de bombeiros da saúde, e agora vamos juntos aprimorar o atendimento com protocolos específicos. Estamos convencidos de que a ação traz maior eficiência e fortalece a área da saúde”, afirmou o coronel durante reunião com a equipe da Secretaria Municipal de Saúde.
Idealizador do programa SOS AVC, o neurocirurgião Wilson Guimarães Novais explicou que há uma janela de até 4h30 após o início dos sintomas para que o tratamento seja eficaz na reversão do quadro. O atendimento dentro desse período reduz o tempo de internação e diminui significativamente as sequelas e os óbitos causados por AVC.
Por isso, a importância da identificação e remoção ágil da vítima até o hospital. Entre os sinais de alerta estão fraqueza ou formigamento súbito em um dos lados do corpo (rosto, braço ou perna), dificuldade para falar ou compreender a fala, alterações visuais, tontura, perda de equilíbrio e dor de cabeça intensa e súbita.
“É fundamental criar uma ponte eficiente para garantir que esses pacientes recebam atendimento o mais rápido possível. Hoje, contamos com o SAMU nas ruas e, agora, temos o reforço dos bombeiros de Mato Grosso. Quando o paciente busca primeiro uma UPA, há perda de tempo. E, muitas vezes, essa janela de tratamento eficiente já se fechou. Por isso, a integração direta dos bombeiros ao programa SOS AVC é essencial”, destacou Novais.
O tenente-coronel BM Jean Carlos Pinto de Arruda Oliveira, adjunto da Diretoria de Saúde do CBMMT, explicou que o protocolo prevê a identificação precoce dos sinais de AVC já durante a triagem das chamadas aos números 192 ou 193. Havendo suspeita, uma equipe do Corpo de Bombeiros Militar é enviada imediatamente ao local para realizar os primeiros atendimentos e garantir o transporte ágil e seguro da vítima ao HMC.
Na unidade hospitalar, o paciente é atendido pela rede SOS AVC, que oferece exames como tomografia e hemodinâmica, além de contar com uma equipe especializada de médicos intervencionistas, prontos para realizar os procedimentos necessários.
“Esse protocolo contempla a fase pré-hospitalar, com intervenção imediata no local, evoluindo para o atendimento hospitalar no HMC. O objetivo é reduzir o tempo de atendimento inicial, garantindo mais eficiência e o encaminhamento adequado ao hospital” explicou o diretor adjunto.
A médica Fanavya Sulzbacher, diretora técnica do Hospital Municipal de Cuiabá, destacou que poucas cidades no Brasil oferecem tratamento para AVC agudo pelo sistema público de saúde, apesar de a doença ser uma das principais causas de morte no país. Sendo assim, o apoio do Corpo de Bombeiros Militar é fundamental para fortalecer uma rede de atendimento mais eficiente, incentivando a população a compreender quando e como acionar os serviços de emergência.
“O acionamento correto, o uso do protocolo correto, permite termos a resposta rápida, o diagnóstico e a intervenção necessária ao melhor atendimento do paciente desta janela. Nossa equipe do HMC, tem as condições de atender a população e garantir estas primeiras intervenções”, concluiu a médica.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
TJMT e TVCA promovem fórum “Destinos Roubados: a epidemia do feminicídio”
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), em parceria com a TV Centro América (TVCA), realizou nesta sexta-feira (29), em Cuiabá, o fórum “Destinos Roubados: A Epidemia do Feminicídio”. O evento ocorreu no auditório da emissora e reuniu representantes do sistema de Justiça, forças de segurança, instituições públicas e especialistas para discutir ações de enfrentamento à violência contra a mulher em Mato Grosso.
O encontro integrou o encerramento do projeto jornalístico especial “Destinos Roubados: A Epidemia do Feminicídio”, série documental composta por cinco reportagens sobre violência doméstica, feminicídio e os impactos sociais provocados por esse tipo de crime. O trabalho foi dirigido pela jornalista Ariane Locatelli.
Representando o TJMT no fórum, participaram dos debates os magistrados da 2ª Vara Especializada de Família e Sucessões de Cuiabá, juiz titular Marcos Agostinho Terêncio e a juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa.
Rede de enfrentamento e prevenção
Durante o encontro, foram discutidos os principais desafios da rede de enfrentamento à violência doméstica, o acolhimento às vítimas, medidas de prevenção, atendimento aos órfãos do feminicídio e a integração entre as instituições.
A juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa destacou que o fórum reuniu toda a rede de enfrentamento para refletir e, ao final, elaborar uma carta de compromissos com o objetivo de modificar a realidade da violência contra a mulher no estado.
Para ela, o fortalecimento das redes é fundamental para ampliar a proteção às vítimas. “Sozinho ninguém consegue resolver o problema da violência doméstica. Hoje, dos 142 municípios de Mato Grosso, 123 já possuem redes de enfrentamento instaladas. Esse é um espaço para fortalecer vínculos, promover maior engajamento e qualificar o atendimento prestado às mulheres”, ressaltou.
A magistrada também enfatizou a importância de ações preventivas e do trabalho voltado aos autores de violência doméstica. “Não adianta tratar apenas das mulheres. É preciso trabalhar também com o autor da violência. O homem que participa dos grupos reflexivos dificilmente volta a delinquir”, explicou.
Ana Graziela destacou ainda iniciativas desenvolvidas pelo Poder Judiciário e parceiros, como o projeto “A Escola Ensina, a Mulher Agradece”, palestras sobre a Lei Maria da Penha nas escolas e capacitações realizadas com professores da rede pública. “Precisamos trabalhar desde cedo com as crianças e adolescentes para construir relações pautadas no respeito e impedir que novos casos de violência cheguem ao sistema”, concluiu.
Responsabilização e conscientização
O juiz Marcos Terêncio destacou que o enfrentamento à violência doméstica passa pela responsabilização dos agressores, mas também por ações de conscientização e transformação de comportamento.
O debate conduzido por ele no fórum abordou “a responsabilidade penal dos agressores, tanto pela punição propriamente dita, quanto pelos sistemas de autorresponsabilização”. Ele citou os Grupos Reflexivos para homens, desenvolvidos pelo Judiciário.
“A intenção é diminuir a reincidência, demonstrando, de um lado, que a punição é certa e célere e, de outro, fazer com que esses homens reflitam sobre a violência, o machismo enraizado e os impactos causados às vítimas e às próprias famílias”, afirmou.
O magistrado também ressaltou a importância da abordagem adotada durante a série exibida pela emissora. “As narrativas são dramáticas, mas não sensacionalistas. O protagonismo é da mulher. O agressor não deve ser o protagonista da história, mas precisa reconhecer o seu papel e compreender o que a violência causa para todos ao seu redor”, completou.
Parceria institucional
Para o diretor de Conteúdo da TVCA, Marcello Rosa, o enfrentamento à violência contra a mulher exige mobilização permanente da sociedade e atuação conjunta das instituições.
De acordo com ele, a parceria com o TJMT fortalece o debate e amplia a capacidade de mobilização social. “A Justiça é fundamental nesse processo. A melhor parceria possível é ter o TJ encabeçando a organização desse evento e trazendo outros players para essa discussão. É assim que vamos transformando a sociedade, mudando pensamentos e garantindo mais segurança para as mulheres, principalmente por meio da educação”, destacou.
Do luto à luta
Alenir Gomes da Silva, mãe de uma vítima de feminicídio, participou da série documental. Aline tinha 20 anos e um filho de quatro anos quando foi morta pelo marido, em 2020.
“Ela tentava sair da relação, mas não conseguia. Muitas coisas ela não contava porque tinha medo dele. Eu tentei registrar boletim de ocorrência, mas naquela época diziam que quem precisava denunciar era a vítima”, relembrou.
Ao defender a importância de dar visibilidade aos casos de violência doméstica, Alenir explicou que decidiu participar da série para conscientizar outras mulheres e famílias. “Enquanto eu continuar falando, divulgando, alguém vai cair na real e perceber os sinais. É importante que ninguém esqueça.”
Ela também ressaltou a necessidade de investir em educação e prevenção desde a infância. “Tem que começar cedo, na escola, conscientizando meninos e meninas sobre respeito e sobre como a violência começa”, disse.
Carta de Compromisso Institucional
Ao final do fórum, as instituições participantes construíram uma Carta de Compromisso Institucional com propostas voltadas ao fortalecimento das políticas públicas de prevenção e combate ao feminicídio no estado, que somente neste ano já registrou 18 feminicídios, deixando órfãs 22 crianças e adolescentes, além de 79 tentativas de feminicídio.
Série disponível no Globoplay
Os episódios da série “Destinos Roubados: A Epidemia do Feminicídio” estão disponíveis no aplicativo Globoplay, com as edições exibidas entre os dias 25 e 29 de maio no telejornal Bom Dia MT.
Autor: Marcia Marafon
Fotografo: Alair Ribeiro
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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