Mato Grosso
Arte e cultura abrem novos caminhos para adolescentes do sistema socioeducativo de MT
Mato Grosso
A arte, a literatura e as manifestações da cultura urbana ganham espaço como ferramentas de transformação social nas unidades socioeducativas de Mato Grosso com a 5ª edição do projeto Caminhos Literários no Sistema Socioeducativo – Pelo Direito à Cultura, que terá como tema “Resistir em batida, verso, corpo e traço”. Promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), por meio do Programa Fazendo Justiça, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o evento será realizado entre os dias 2 e 8 de julho e reúne adolescentes em todo o país em atividades voltadas à produção cultural, ao protagonismo juvenil e à garantia do direito à cultura.
Com apoio do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), sob a coordenação do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF), Mato Grosso terá participação ativa com oficinas e apresentações desenvolvidas pelos próprios adolescentes em cinco unidades socioeducativas do estado. As atividades desenvolvidas valorizam diferentes linguagens artísticas inspiradas na cultura hip-hop e nas artes urbanas, permitindo que os jovens expressem suas histórias, talentos e perspectivas por meio da dança, música, poesia e das artes visuais.
Para a juíza Leilamar Aparecida Rodrigues, titular da 2ª Vara Especializada da Infância e Juventude de Cuiabá e coordenadora das Ações da Área Socioeducativa do GMF/TJMT, iniciativas como o Caminhos Literários reforçam o caráter educativo das medidas socioeducativas.
“A participação de Mato Grosso na 5ª edição do Caminhos Literários reafirma o compromisso do Tribunal de Justiça com a garantia integral dos direitos dos adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas. A cultura não é acessória: é um direito e uma dimensão essencial do processo socioeducativo, pois possibilita escuta, expressão, pertencimento e a construção de novas perspectivas de vida”, afirmou.
A magistrada destaca ainda que reconhecer e incentivar as diferentes formas de expressão artística significa oferecer oportunidades concretas para que os adolescentes reconstruam suas trajetórias.
“Ao valorizar linguagens como o rap, o grafite, a dança, o breaking e a literatura, reconhecemos as juventudes em sua potência criativa e asseguramos espaços concretos de protagonismo. As atividades desenvolvidas nas unidades socioeducativas aproximam os adolescentes de suas referências culturais, fortalecem vínculos e contribuem para que a medida socioeducativa seja efetivamente orientada pela dignidade, pela responsabilização e pela oportunidade de transformação. Garantir cultura no sistema socioeducativo é reconhecer que cada adolescente deve ser visto para além do ato praticado, como sujeito de direitos, capaz de criar, aprender, participar e construir novos caminhos”, completou.
SELECIONADOS
Com o tema “Resistir em Batida, Verso, Corpo e Traço”, a quinta edição do Caminhos Literários utiliza o hip-hop como linguagem central para discutir identidade, pertencimento, cidadania e direitos. A programação nacional inclui debates, oficinas, apresentações culturais e mostras artísticas produzidas pelos adolescentes, fortalecendo a cultura como eixo estruturante do processo socioeducativo e reafirmando seu papel na construção de novos projetos de vida.
Em Mato Grosso, foram selecionadas as seguintes obras para serem apresentadas no dia 3 de julho:
Entre Muros e Traços – Oficina artístico-cultural do Centro de Atendimento Socioeducativo Feminino de Cuiabá
Do cinza à cor – Oficina de grafite do Centro de Atendimento Socioeducativo Masculino de Cuiabá
Para além do Beat – Oficina de dança do Centro Socioeducativo de Rondonópolis
Batalha de rima – Oficina de rap do Centro de Atendimento Socioeducativo de Barra do Garças
Entre linhas e rimas – Oficina de vivência cultural extramuros do Centro de Atendimento Socioeducativo Masculino de Sinop
Além das atividades desenvolvidas nas unidades, Mato Grosso terá participação de destaque na programação nacional do evento, apresentando a oficina Entre linhas e rimas na Mostra Cultural do Socioeducativo, que reúne experiências culturais desenvolvidas pelos próprios internos de unidades socioeducativas de todo o Brasil.
O protagonismo das meninas mato-grossenses responsáveis pelo projeto Entre muros e traços participarão do Videocast Cria Caminhos durante a abertura do evento. A produção estabelece um diálogo entre o Caminhos Literários e o projeto Cria das Letras, clube de leitura implantado na unidade em fevereiro de 2026, em parceria entre o CNJ e a Companhia das Letras.
No episódio, as adolescentes entrevistarão a artista visual e graffiteira cuiabana Negramina, que desenvolve trabalhos de arte urbana como ferramenta de expressão, pertencimento e transformação social. Cofundadora do coletivo Manas do Mato, sua produção dialoga com o território, a ancestralidade e as vivências urbanas. A mediação será realizada por Lucas Budoia, escritor e apresentador do Podcast 5.6.7.8., cuja trajetória integra arte, educação, esporte e comunicação.
O diálogo do videocast foi inspirado na obra Mano a Mano, de Mano Brown, atualmente trabalhada pelo clube de leitura, cuja estrutura em formato de entrevistas e as reflexões sobre a cultura hip-hop serviram de referência para a construção do videocast, estabelecendo uma conexão entre o projeto Cria das Letras e a proposta desta edição do Caminhos Literários.
Além disso, o projeto Entre Muros e Traços foi contemplado com um minicurso de cobertura jornalística promovido pelo CNJ, iniciativa que incentiva os adolescentes a registrar e comunicar as experiências vivenciadas durante o evento, ampliando sua participação como produtores de conteúdo e narradores de suas próprias histórias.
A programação nacional contará ainda com a participação da mato-grossense Monicky, integrante do Coletivo Mulheres Hip-hop de Mato Grosso. Ela representará o elemento breaking na mesa “Elementos da Cultura Hip-hop: Voz, Corpo, Som, Traço e Consciência”, realizada no primeiro dia do evento. Sua participação reforça a presença de Mato Grosso no debate nacional sobre cultura, juventude e socioeducação.
A atuação do GMF/TJMT ocorre em parceria com a Secretaria de Estado de Justiça (SEJUS-MT), apoiando a mobilização das unidades socioeducativas, a articulação institucional e o acompanhamento das atividades realizadas durante toda a programação.
O Caminhos Literários integra a ação de Fomento à Cultura do Programa Fazendo Justiça e tem como objetivo promover o acesso aos direitos culturais, incentivar a autoria e a expressão dos adolescentes, fortalecer práticas culturais nos territórios e consolidar a Diretriz Nacional de Cultura no Sistema Socioeducativo (2024) como referência para a garantia de direitos.
Programações do evento (todo o cronograma segue o horário de Brasília):
Autor: Ana Assumpção
Fotografo:
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
Mato Grosso
Desembargadora compartilha reflexões sobre “Comunicação Não Violenta” com adolescentes
A presidente do Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (NugJur) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargadora Clarice Claudino da Silva ministrou, na manhã desta sexta-feira (7), a palestra “Comunicação Não Violenta” para adolescentes participantes do projeto “15 Anos Solidário: Realizando Sonhos, Construindo Cidadania”, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Assistência Social de Nossa Senhora do Livramento.O encontro foi realizado no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) do município e reuniu 47 adolescentes que completam 15 anos em 2026 e integram a quarta edição da iniciativa. O projeto tem como objetivo promover o desenvolvimento pessoal e social das adolescentes, fortalecer a autoestima, superar situações de vulnerabilidade e incentivar o protagonismo juvenil por meio de atividades realizadas ao longo do ano.
Durante a palestra, a desembargadora explicou que a Comunicação Não Violenta propõe um diálogo baseado em quatro pilares: observar sem julgar, reconhecer sentimentos, identificar necessidades e formular pedidos claros. Segundo a magistrada, essa prática ajuda a construir relações mais respeitosas e empáticas.
“É o terceiro ano que fomos convidados e tem sido muito prazeroso participar desse projeto. Queremos proporcionar a essas meninas um momento para pensar no futuro e acreditar nos próprios sonhos. A Comunicação Não Violenta é uma ferramenta que faz diferença na vida de qualquer ser humano, especialmente de quem está nos verdes anos da juventude”, afirmou.Na sequência, as debutantes participaram de Círculos de Construção de Paz, com atividades voltadas ao autoconhecimento e à construção de projetos de vida. “Hoje o ser humano sente muito a falta de ser escutado. Uma das grandes bandeiras dos Círculos de Construção de Paz é justamente aprender a ouvir com atenção, respeito e foco na paz”, acrescentou a desembargadora.
Para a secretária municipal de Assistência Social, Elizabeth Oliveira, a presença da magistrada representa inspiração para as adolescentes. “Trazer a desembargadora Clarice para falar com essas meninas é muito significativo. Ela tem uma história de vida simples e hoje ocupa um espaço de destaque no Judiciário. Isso mostra às adolescentes que elas também podem sonhar e conquistar seus objetivos”, disse.
Participante do projeto, a estudante Thaiany Acosta, de 15 anos, contou que saiu do encontro mais confiante em relação ao futuro. “Foi muito gratificante e motivador. Quero lembrar desse momento lá na frente e usar isso como um degrau para alcançar meus sonhos. Pretendo ser advogada criminalista ou arquiteta paisagista e ajudar outras meninas a persistirem nos próprios sonhos”, comentou.
Já a estudante Geovana Ranyelly, também de 15 anos, ressaltou o aprendizado sobre diálogo e paciência. “A roda de conversa foi maravilhosa, nós conversamos muito. Também aprendi sobre comunicação não violenta, a ter um pouco mais de paciência, saber conversar e me comunicar, e isso me motiva muito. Meu sonho é fazer faculdade. Quero me formar em Agronomia ou ser uma grande empresária”, pontuou.-
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