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Vasco vence Fluminense nos pênaltis e garante vaga na final da Copa do Brasil

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Em um clássico eletrizante no Maracanã, o Vasco da Gama assegurou sua classificação para a grande final da Copa do Brasil ao superar o Fluminense na disputa de pênaltis, por 4 a 3, após ser derrotado por 1 a 0 no tempo regulamentar. O resultado garante ao Cruzmaltino o direito de enfrentar o Corinthians na decisão, buscando o bicampeonato da competição.

O Fluminense, que precisava reverter a desvantagem da partida de ida (Vasco havia vencido por 2 a 1), fez sua parte durante os 90 minutos. Um gol contra do lateral Paulo Henrique levou o placar agregado a 2 a 2, empurrando a decisão para as penalidades.

A primeira partida da final está marcada para a próxima quarta-feira, 17 de dezembro, às 21h30 (de Brasília), na Neo Química Arena, casa do Corinthians. O confronto decisivo que definirá o campeão acontecerá no domingo, 21 de dezembro, às 18h30, no Rio de Janeiro, com o Vasco vislumbrando um título que coroaria uma temporada de superação.

O Jogo

Desde o apito inicial, a necessidade de vitória impulsionou o Fluminense, que buscou o protagonismo. O primeiro tempo foi caracterizado por uma intensa disputa no meio-campo e chances para ambos os lados. Enquanto o Vasco arriscava de longe, testando a agilidade do goleiro Fábio em duas ocasiões, o Tricolor encontrava seu caminho pela direita.

A insistência do Fluminense foi recompensada aos 44 minutos da primeira etapa. Após uma jogada bem construída pelo lado direito, com cruzamento de Canobbio e desvio de Everaldo na trave, o lateral vascaíno Paulo Henrique tentou cortar e acabou marcando contra o próprio gol, levando o Maracanã à loucura e igualando o placar agregado.

A segunda etapa seguiu com um ritmo alucinante. O jogo se transformou em um “lá e cá”, com o Fluminense pressionando incessantemente em busca do segundo gol que garantiria a classificação direta. Contudo, a equipe pecava nas finalizações, desperdiçando boas oportunidades. Do outro lado, o Vasco, aproveitando os contra-ataques, encontrava no goleiro Fábio um muro intransponível. O arqueiro tricolor realizou defesas espetaculares, especialmente em chutes de Rayan, mantendo a vantagem mínima e a esperança de seu time.

Pênaltis: A estrela de Léo Jardim brilha:

Com o placar de 1 a 0 para o Fluminense persistindo até o final, a vaga na decisão foi definida na marca da cal. Na disputa de pênaltis, o goleiro Léo Jardim, do Vasco, emergiu como o grande herói, realizando defesas cruciais. Apesar de Vegetti e Puma Rodríguez terem desperdiçado suas cobranças, a competência de Rayan, Victor Luis e Coutinho garantiu a vitória por 4 a 3 e o passaporte do Cruzmaltino para a final. Pelo lado do Fluminense, John Kenney e Canobbio não converteram, frustrando a torcida tricolor.

Com a classificação, o Vasco se prepara para um confronto emocionante contra o Corinthians, em busca de mais um título para sua gloriosa história.

Próximo desafio do Vasco:

  • Corinthians x Vasco
  • Competição: Final da Copa do Brasil (Jogo de Ida)
  • Data: 17 de dezembro (quarta-feira)
  • Horário: 21h30 (de Brasília)
  • Local: Neo Química Arena, em São Paulo (SP)
FICHA TÉCNICA
Competição Copa do Brasil (jogo de volta da semifinal)
Local Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)
Data 14 de dezembro de 2025 (domingo)
Horário 20h30 (de Brasília)
Público 67.560 torcedores
Placar Fluminense 1 (3) x 0 (4) Vasco
Cartões
Amarelos Samuel Xavier, Nonato, Lucho Acosta, Serna, Bernal e Canobbio (Fluminense); Andrés Gómez, Carlos Cuesta e Paulo Henrique (Vasco)
Vermelhos Nenhum
Arbitragem
Árbitro Wilton Pereira Sampaio (GO)
Assistentes Rodrigo Figueiredo Henrique Correa (RJ) e Bruno Raphael Pires (GO)
VAR Wagner Reway (SC)
Gol
Fluminense Paulo Henrique, aos 35′ do 1ºT (gol contra)
Fluminense Vasco
Fábio                           Léo Jardim
Samuel Xavier (Guga)                           Paulo Henrique (Victor Luis)
Thiago Silva                           Carlos Cuesta
Freytes                           Robert Renan
Renê                           Puma Rodríguez
Martinelli (Otávio)                           Barros
Nonato (Bernal)                           Thiago Mendes (Hugo Moura)
Lucho Acosta (Ganso)                           Philippe Coutinho
Canobbio                          Andrés Gómez (Matheus França)
Everaldo (John Kennedy)                          Rayan
Serna                          Nuno Moreira (Vegetti)
Técnico: Luis Zubeldía                          Técnico: Fernando Diniz

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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