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São Paulo vence Corinthians e respira no Brasileirão
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Em uma noite de sábado decisiva no Morumbis, o São Paulo conquistou uma vitória importantíssima por 2 a 0 sobre o Corinthians, em confronto válido pela 15ª rodada do Campeonato Brasileiro. O atacante Luciano foi o grande nome do Majestoso, marcando os dois gols que garantiram o triunfo tricolor.
Com este resultado, o São Paulo, que iniciou a rodada flertando com a zona de rebaixamento, afasta-se provisoriamente do grupo dos quatro últimos colocados, ganhando um fôlego vital na tabela. A equipe aguarda agora os demais resultados do domingo para consolidar sua posição. Já o Corinthians perdeu uma oportunidade de ouro de se aproximar do G6, que dá acesso à próxima edição da Copa Libertadores.
O Tricolor Paulista volta a campo na próxima quinta-feira, quando visita o Juventude, às 19h (de Brasília), pelo Campeonato Brasileiro. O Corinthians, por sua vez, terá o Cruzeiro pela frente na quarta-feira, às 19h30, em Itaquera, também pela competição nacional.
Luciano comandou a festa no Morumbis
O São Paulo teve um início de jogo com desafios inesperados. Após perder Enzo Díaz no aquecimento, o técnico Hernán Crespo viu Oscar deixar o campo precocemente devido a uma queda. Apesar dos desfalques, o Tricolor mostrou resiliência. Arboleda assustou em uma sobra de escanteio, e o goleiro Rafael fez uma defesa crucial em chute de Romero, após belo passe de Memphis Depay, mantendo o placar zerado.
A partir daí, Luciano assumiu o protagonismo. Após desperdiçar uma chance clara ao desviar por cima do gol, o atacante se redimiu com maestria. Aos 31 minutos, Luciano recebeu de André Silva, dominou com categoria e bateu cruzado, rasteiro, sem chances para o goleiro Hugo Souza, abrindo o placar no Morumbis.
Mal o Corinthians teve tempo de digerir o primeiro gol, e Luciano já estava balançando as redes novamente. Aos 34, Wendell avançou pela direita e fez um cruzamento rasteiro. O camisa 10 se antecipou à zaga e, com um carrinho, desviou para o fundo do gol, incendiando o Morumbis e consolidando a vantagem tricolor.
Segundo tempo de domínio e administração tricolor
No retorno para a segunda etapa, o técnico Dorival Júnior tentou mudar o panorama do Corinthians, sacando Memphis Depay, Félix Torres e Martínez. No entanto, as alterações não surtiram o efeito desejado, e a tônica do jogo permaneceu a mesma: o São Paulo com controle absoluto das ações.
Apesar de não criar tantas chances claras como no primeiro tempo, o Tricolor neutralizou as investidas corintianas. Aos 18 minutos, Cédric Soares cruzou rasteiro para Alisson, que finalizou em cima do goleiro Hugo Souza. O Corinthians, mesmo com as entradas de Angileri e Talles Magno, seguiu sem criatividade no setor ofensivo. A posse de bola aumentou na reta final, reflexo da necessidade de buscar o empate, mas a equipe não conseguiu agredir o São Paulo de forma efetiva.
Nos minutos finais, coube ao São Paulo administrar a confortável vantagem construída, sem deixar de pressionar a saída de bola do desorganizado Corinthians. O apito final confirmou a importante vitória por 2 a 0, celebrada com aplausos pela torcida tricolor, que viu sua equipe conquistar três pontos preciosos no Campeonato Brasileiro e respirar na tabela.
FICHA TÉCNICA
SÃO PAULO 2 X 0 CORINTHIANS
Data: 19 de julho de 2025, sábado
Horário: às 21h (de Brasília)
Local: Morumbis, em São Paulo (SP)
Árbitro: Anderson Daronco (RS)
Assistentes: Rafael da Silva Alves (RS) e Tiago Augusto Kappes Diel (RS)
VAR: Daniel Nobre Bins (RS)
Público: 47.964 torcedores.
Renda: R$ 2.667.868,00
GOLS: Luciano, aos 31′ e aos 34′ do 1ºT (São Paulo)
Cartões amarelos: Alisson, Tapia (São Paulo) / Raniele e Garro (Corinthians)
Cartão vermelho: Marcelo Carpes, preparador de goleiros do Corinthians
SÃO PAULO: Rafael; Arboleda, Alan Franco (Sabino) e Ferraresi; Cédric Soares, Marcos Antônio, Bobadilla (Pablo Maia), Oscar (Alisson) e Enzo Díaz; Luciano (Gonzalo Tapia) e André Silva (Ferreira). Técnico: Hernán Crespo
CORINTHIANS: Hugo Souza; Félix Torres (Léo Maná), André Ramalho, Cacá e Matheus Bidu (Angileri); Breno Bidon, José Martínez (Raniele), André Carrillo (Talles Magno) e Rodrigo Garro; Memphis Depay (Gui Negão) e Romero. Técnico: Dorival Júnior
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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