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Santos vence o Deportivo Cuenca e vai aos playoffs da Sul-Americana

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O Santos assegurou sua continuidade na Copa Sul-Americana ao derrotar o Deportivo Cuenca, do Equador, por 3 a 0, em duelo disputado na Vila Belmiro. Com o resultado positivo na rodada final da fase de grupos, o time comandado pelo técnico Cuca confirmou a segunda colocação do Grupo D e carimbou a vaga para os playoffs da competição continental. O Peixe encerrou a campanha com sete pontos, mesma pontuação do San Lorenzo, mas levou a melhor no saldo de gols (dois contra um dos argentinos). O adversário da equipe paulista na próxima fase será definido após o encerramento dos grupos da Copa Libertadores.

O jogo

A partida contou com espectadores ilustres nas tribunas. O atacante Rodrygo, atualmente no Real Madrid, acompanhou o jogo no camarote de Neymar, que também marcou presença no estádio para apoiar o clube que o revelou.

Dentro de campo, o Santos impôs o ritmo desde o apito inicial. Com menos de um minuto, Gabriel Bontempo quase abriu o placar após cruzamento de Miguelito. Pouco depois, o árbitro chegou a consultar o monitor do VAR por um suposto pênalti a favor do time da casa devido a um toque de mão de Piedra, mas a infração não foi marcada. A insistência santista deu resultado quando Bontempo deu um passe de letra para Igor Vinícius, que cruzou rasteiro para Gabigol empurrar para as redes e inaugurar o marcador.

No segundo tempo, o Santos ampliou a vantagem logo aos três minutos. Após uma saída de bola errada da defesa equatoriana, Barreal recebeu passe de cabeça de Gabigol e cruzou para Miguelito finalizar cruzado. O goleiro Facundo Ferrero tentou a defesa, mas a bola ultrapassou a linha e Bontempo completou para garantir o gol. O terceiro gol saiu aos 10 minutos, em um contra-ataque rápido puxado por Bontempo. Ele serviu Gabigol, que segurou a marcação e devolveu o passe no momento exato para o próprio Bontempo invadir a área e encobrir o goleiro com um toque de cavadinha.

O Santos chegou a balançar as redes mais uma vez com Miguelito, aproveitando outra falha do goleiro Ferrero, mas o lance foi anulado por impedimento apontado pelo VAR. Nos minutos finais, o Deportivo Cuenca teve a chance de diminuir em cobrança de pênalti cometida por Moisés sobre Chacón. No entanto, o goleiro Gabriel Brazão acertou o canto esquerdo e defendeu o chute de Leguizamón, mantendo o placar de 3 a 0 intacto até o fim. Com a derrota, a equipe equatoriana encerrou sua participação no torneio na lanterna da chave, com seis pontos.

Próximos jogos

SANTOS 

  • Santos x Vitória (18ª rodada do Campeonato Brasileiro)
  • Data e horário: 30/05 (sábado), às 21h (de Brasília)
  • Local: Vila Belmiro, em Santos (SP)

DEPORTIVO CUENCA 

  • Deportivo Cuenca x Delfín (16ª rodada do Campeonato Equatoriano)
  • Data e horário: 30/05 (sábado), às 21h (de Brasília)
  • Local: Estádio Alejandro Serrano Aguilar, em Cuenca (Equador)

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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