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Santos e Fluminense empatam em jogo marcado por gols anulados e retorno de Neymar

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A Vila Belmiro foi palco de um confronto sem gols entre Santos e Fluminense, pela 22ª rodada do Campeonato Brasileiro. A partida, que terminou em 0 a 0, foi pontuada por momentos de alta tensão, com o time da casa tendo dois gols anulados, além de marcar o aguardado retorno de Neymar aos gramados.

O camisa 10 santista voltou a atuar após se recuperar de um problema físico não especificado, que o tirou de alguns treinos e da convocação da Seleção Brasileira para os recentes compromissos das Eliminatórias Sul-Americanas. No entanto, sua atuação foi discreta, especialmente na primeira etapa, onde encontrou dificuldades para superar a forte marcação tricolor.

O Jogo

A primeira etapa do jogo teve poucas emoções de fato, mas não foi isenta de lances capitais. Logo aos 13 minutos, Guilherme, do Santos, protagonizou uma bela jogada individual, driblando o goleiro e balançando as redes, mas a arbitragem assinalou impedimento, invalidando o que seria o primeiro gol do Peixe. O Fluminense, por sua vez, teve sua melhor oportunidade em um cruzamento rasteiro que procurava Santi Moreno, mas a defesa santista, com um carrinho providencial de Zé Ivaldo, conseguiu afastar o perigo.

Segundo Tempo

A dinâmica do jogo mudou no segundo tempo, com o Santos adotando uma postura mais ofensiva. Nos minutos iniciais, Rollheiser quase abriu o placar após receber um passe de Neymar em uma cobrança de escanteio ensaiada, obrigando o goleiro Fábio a fazer uma grande defesa. Pouco depois, em nova bola parada, Zé Ivaldo e Guilherme se conectaram, e o atacante cabeceou perto da meta adversária.

A pressão santista persistiu, e o Peixe chegou a balançar as redes novamente no apagar das luzes. Tiquinho Soares, de cabeça, completou uma cobrança de falta, mas, para a frustração da torcida e dos jogadores, o lance foi novamente anulado por impedimento, sacramentando o placar inalterado na Vila Belmiro.

Cenário na Tabela e Próximos Desafios

Com o empate, o Santos permanece em situação delicada na tabela do Brasileirão, próximo da zona de rebaixamento. Apesar da proximidade, o resultado garante que a equipe não possa entrar matematicamente no grupo dos quatro últimos colocados nesta rodada, devido à diferença de três vitórias para o Vitória.

O calendário prevê um hiato para o Santos, que só retorna aos gramados em 14 de setembro, às 16h (horário de Brasília), para enfrentar o Atlético-MG fora de casa, pelo Campeonato Brasileiro. Já o Fluminense terá um compromisso importante antes, no dia 10 de setembro, às 19h (horário de Brasília), quando recebe o Bahia no Maracanã pelo jogo de volta das quartas de final da Copa do Brasil.

FICHA TÉCNICA

SANTOS 0 X 0 FLUMINENSE

Local: Vila Belmiro, em Santos (SP)
Data: 31/08/2025
Horário: 16h (de Brasília)
Árbitro: Wilton Pereira Sampaio (GO)
Assistentes: Bruno Raphael Pires (GO) e Leone Carvalho Rocha (GO)
VAR: Emerson de Almeira Ferreira (MG)

Cartões amarelos: Martinelli, Santi Moreno, Kevin Serna (Fluminense); Escobar, Rollheiser (Santos)

SANTOS: Brazão; Mayke (Igor Vinícius), Luan Peres, Zé Ivaldo e Esobar; Tomás Rincón (João Schmidt), Zé Rafael, Rollheiser (Barreal) e Caballero (Deivid Washington); Neymar e Guilherme (Tiquinho Soares). Técnico: Juan Pablo Vojvoda.

FLUMINENSE: Fábio; Guga, Thiago Silva, Freytes e Renê; Martinelli (Otávio), Hércules (Thiago Santos), Lucho Acosta (Ganso); Santi Moreno (Soteldo), Kevin Serna e Germán Cano (Igor Rabello). Técnico: Renato Gaúcho.

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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