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Palmeiras garante vaga nas quartas de final da Libertadores
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O Palmeiras confirmou sua classificação para as quartas de final da Copa Libertadores da América na noite desta quinta-feira, ao empatar em 0 a 0 com o Universitario, do Peru, no Allianz Parque. O resultado, sem gols, foi suficiente para o Verdão avançar na competição, beneficiado pela goleada de 4 a 0 conquistada no jogo de ida.
Próximo desafio: River Plate no caminho do Verdão
Com a vaga assegurada, o Palmeiras terá um clássico sul-americano pela frente. O adversário nas quartas de final será o River Plate, da Argentina, que eliminou o Libertad nos pênaltis. Por ter a melhor campanha geral na fase de grupos, o Alviverde terá o privilégio de decidir o confronto em casa. As partidas das quartas de final estão programadas para as semanas de 17 e 24 de setembro.
Um Duelo Sem Brilho e Poucas Emoções
O jogo de volta no Allianz Parque foi marcado por poucas chances claras de gol de ambos os lados, refletindo a cautela do Palmeiras diante da ampla vantagem. Logo aos quatro minutos, o Palmeiras desperdiçou uma oportunidade de abrir o placar quando Vitor Roque, após erro do goleiro Britos, acionou Flaco López, que finalizou para fora. Em resposta, o Universitario chegou com Castillo, mas Weverton fez a defesa.
Ainda no primeiro tempo, o time peruano chegou a balançar as redes com Concha, mas o lance foi anulado por impedimento de Churín, que interferiu na visão de Weverton. O Palmeiras tentou com Murilo de cabeça e cruzamentos de Giay, mas sem sucesso. Nos acréscimos, Allan acertou o travessão em uma cabeçada, sendo a chance mais clara do Verdão na primeira etapa.
O segundo tempo seguiu o mesmo roteiro, com o Universitario buscando o gol, apesar da desvantagem quase irreversível. Vélez e Felipe Anderson trocaram chutes de longe. O Palmeiras, por sua vez, continuava encontrando dificuldades para furar a defesa adversária. Weverton precisou intervir em finalizações de Pérez e Valera, mantendo a igualdade no placar. Já no ataque, Vitor Roque tentou um voleio e Flaco López finalizou sem força, ambos sem sucesso. A partida se encerrou sem gols, mas com a classificação garantida para o time paulista.
Agenda dos Times
O Palmeiras agora volta suas atenções para o Campeonato Brasileiro. A equipe enfrentará o Sport na próxima segunda-feira, às 19h (de Brasília), novamente no Allianz Parque, pela 21ª rodada da competição nacional. Já o Universitario-PER tem compromisso pelo Campeonato Peruano no domingo, quando enfrenta o Alianza Lima às 19h30, no Estádio Monumental de Lima, pela sétima rodada do Apertura.
FICHA TÉCNICA
PALMEIRAS 0x0 UNIVERSITARIO-PER
Local: Allianz Parque, em São Paulo (SP)
Data: 21/08/2025
Horário: 21h30 (de Brasília)
Árbitro: Piero Maza (CHI)
Assistentes: Claudio Urrutia (CHI) e Juan Serrano (CHI)
VAR: Rodrigo Carvajal (CHI)
Público: 33.203 torcedores
Renda: R$ 2.262.425,80
Cartões amarelos: Allan (Palmeiras); Carabalí (Universitario)
PALMEIRAS: Weverton; Gustavo Gómez, Murilo e Micael; Giay (Khellven), Emiliano Martínez (Aníbal Moreno), Allan (Lucas Evangelista), Mauricio e Felipe Anderson (Piquerez); Flaco López e Vitor Roque (Facundo Torres). Técnico: Abel Ferreira
UNIVERSITARIO-PER: Britos; Inga, Santamaría, Di Benedetto e Polo; Carabalí, Castillo e Pérez Guedes (Murrugarra); Concha (Calcaterra), Vélez (Rivera) e Churín (Valera). Técnico: Jorge Fossati
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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