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Neymar brilha, marca hat-trick e garante vitória crucial do Santos na luta contra o Z4
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O Santos deu um passo gigante rumo à permanência na elite do Campeonato Brasileiro ao vencer o Juventude por 3 a 0, nesta quarta-feira, no Estádio Alfredo Jaconi. O grande herói da noite foi o camisa 10, Neymar, que marcou os três gols da equipe paulista, todos no segundo tempo, em uma atuação memorável pela 37ª rodada da competição.
Neymar, que entrou em campo no sacrifício devido a dores no joelho esquerdo, superou as expectativas e alcançou seu primeiro hat-trick desde o retorno ao Alvinegro Praiano, provando ser decisivo no momento mais delicado da temporada santista.
Alívio na tabela para o Peixe
Com a importante vitória, o Santos saltou para a 14ª colocação, acumulando 44 pontos. O resultado abre uma vantagem de dois pontos sobre o Vitória, que atualmente encabeça a zona de rebaixamento. O cenário foi ainda mais favorável ao Peixe devido às derrotas de concorrentes diretos: o Vitória foi goleado por 4 a 0 pelo Red Bull Bragantino, e o Internacional perdeu por 3 a 0 para o São Paulo.
Do outro lado, o Juventude, já com seu rebaixamento confirmado, permanece na 19ª posição, com 34 pontos, e não conseguiu evitar a derrota diante de sua torcida.
O Jogo
O primeiro tempo no Alfredo Jaconi foi marcado por poucas emoções. O Santos até começou levando perigo, com um forte chute de Guilherme nos primeiros minutos que exigiu boa defesa de Jandrei. No entanto, a equipe paulista encontrou dificuldades para manter a agressividade. O Juventude, mesmo rebaixado, tentou assumir o controle da partida e chegou a balançar as redes com Taliari aos 27 minutos, mas o gol foi corretamente anulado por impedimento.
A volta do intervalo trouxe um Santos com outra postura. Mais incisivo, o time de Dorival Júnior viu Neymar assumir o protagonismo. Aos 10 minutos da etapa final, em uma bela jogada coletiva, Neymar tabelou com Guilherme e, de frente para o gol, encheu o pé para abrir o placar, levando alívio ao banco santista.
O craque não demorou a ampliar. Aos 19 minutos, Igor Vinícius puxou um contra-ataque e serviu o camisa 10, que finalizou com precisão na saída de Jandrei para fazer o segundo gol. Cinco minutos depois, a vitória se transformou em goleada quando Lautaro Díaz sofreu um pênalti. Na cobrança, Neymar converteu e selou seu hat-trick, garantindo os três pontos fundamentais para o Santos na reta final do Campeonato Brasileiro.
| FICHA TÉCNICA | |
|---|---|
| Juventude 0 X 3 Santos | |
| Competição | Campeonato Brasileiro (37ª rodada) |
| Local | Estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul (RS) |
| Data | 03 de dezembro de 2025 (quarta-feira) |
| Horário | 19h30 (de Brasília) |
| Gols |
|
| Cartões Amarelos | Rodrigo Sam (Juventude); Souza, Zé Rafael (Santos) |
| Cartões Vermelhos | Nenhum |
| Arbitragem |
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| Escalação Juventude |
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| Escalação Santos |
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Fonte: Esportes
Esportes
O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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