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Fluminense é derrotado pelo Lanús na Argentina e terá que reverter no Maracanã
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O Fluminense iniciou sua jornada nas quartas de final da Copa Sul-Americana com um tropeço. Em partida disputada na noite desta terça-feira, no Estádio Ciudad de Lanús, o Tricolor carioca foi superado por 1 a 0 pelo time da casa, com um gol solitário de Marcelino Moreno nos minutos finais do confronto. O resultado coloca o Fluminense em desvantagem na busca por uma vaga na semifinal da competição continental.
O Jogo
O primeiro tempo da partida foi marcado por uma intensa disputa tática. Apesar de atuar fora de casa, o Fluminense conseguiu controlar as ações e apresentar um ligeiro domínio territorial, mantendo mais posse de bola que os argentinos. O Lanús, com suas limitações técnicas, tentou pressionar, mas encontrou uma defesa bem postada do Flu. A melhor oportunidade tricolor surgiu aos 33 minutos, quando Guga, após boa troca de passes, cruzou para Renê, que finalizou de primeira, mas sem precisão.
Na segunda etapa, o Lanús buscou adiantar suas linhas e aumentar a pressão, porém, continuou com dificuldades para criar chances claras de gol. O jogo seguiu sem grandes emoções e com poucas finalizações perigosas de ambos os lados, caminhando para um empate sem gols. Contudo, aos 44 minutos, em um momento crucial, o Fluminense se lançou ao ataque após um escanteio e foi surpreendido por um contra-ataque mortal. Aquino lançou na esquerda para Salvio, que encontrou Marcelino Moreno livre na área. O atacante finalizou com categoria, balançando as redes e garantindo a vitória mínima para o Lanús.
Cenário para a volta
Com a derrota por 1 a 0, o Fluminense terá uma missão clara no jogo de volta. O próximo confronto está agendado para a próxima terça-feira, dia 23, às 21h30 (de Brasília), no Maracanã. Para avançar diretamente à semifinal, o Tricolor precisará vencer o Lanús por, no mínimo, dois gols de diferença. Um triunfo por apenas um gol de diferença levará a decisão para a disputa de pênaltis, adicionando mais dramaticidade ao embate.
Próximos compromissos
Antes do decisivo duelo pela Sul-Americana, ambas as equipes têm compromissos por seus respectivos campeonatos nacionais. O Lanús enfrentará o Platense em seu estádio pela nona rodada do Campeonato Argentino, enquanto o Fluminense viajará para Salvador para encarar o Vitória, no Barradão, em partida válida pela 24ª rodada do Brasileirão.
Ficha Técnica
Lanús 1 x 0 Fluminense
Competição: Quartas de final da Copa Sul-Americana
Local: Estádio Ciudad de Lanús, Lanús, Argentina
Data: 16 de setembro de 2025 (terça-feira)
Horário: 21h30 (horário de Brasília)
Arbitragem Árbitro: Gustavo Tejera (URU)
Assistentes: Carlos Barreiro (URU) e Agustin Berisso (URU)
VAR:Leodan Gonzalez (URU)
Gol Lanús: Marcelino Moreno, aos 44′ do 2ºT
Escalações
Lanús: Nahuel Losada, Gonzalo Pérez (Armando Méndez), Carlos Izquierdoz, Canale e Sasha Marcich; Agustín Medina, Agustín Cardozo e Marcelino Moreno (Watson); Eduardo Salvio (Lautaro Acosta), Alexis Segovia (Aquino) e Rodrigo Castillo (Walter Bou). Técnico: Mauricio Pellegrino
Fluminense: Fábio, Guga (Julio Fidélis), Thiago Silva, Juan Freytes e Renê, Hércules, Martinelli (Bernal) e Nonato (Acosta); Agustín Canobbio, Kevin Serna (Soteldo) e Everaldo (Cano). Técnico: Renato Gaúcho
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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