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Flamengo vence Bragantino e coloca uma mão na taça do Brasileirão
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O Flamengo deu um passo gigantesco em direção ao título do Campeonato Brasileiro na noite deste sábado (22.11), ao golear o Red Bull Bragantino por 3 a 0 no Maracanã, em partida válida pela 35ª rodada. Com o resultado, o Rubro-Negro isola-se na ponta da tabela, abrindo quatro pontos de vantagem sobre o segundo colocado, o Palmeiras, que empatou em sua rodada.
A vitória leva o time carioca aos 74 pontos, consolidando sua posição de líder. O Palmeiras, agora com 70 pontos após o empate com o Fluminense, vê a distância aumentar. Já o Bragantino, que permanece com 45 pontos, ocupa a oitava colocação, buscando uma vaga nas competições continentais.
O jogo
O jogo começou com o Flamengo buscando impor seu ritmo, mas o Bragantino se mostrava bem postado defensivamente. A primeira boa chance foi dos visitantes, com John John assustando em um chute perigoso. O Rubro-Negro respondeu com Everton Cebolinha e Alex Sandro, que obrigaram o goleiro Cleiton a trabalhar em duas oportunidades, mostrando reflexos apurados. Carrascal também arriscou, acertando a rede pelo lado de fora.
Apesar da posse de bola do Flamengo, o Bragantino conseguiu levar perigo em uma bola parada, com Gustavo Marques cabeceando perto do gol. Do outro lado, Varela testou Cleiton novamente, que fez uma grande defesa. O primeiro tempo terminou sem gols, com o Bragantino conseguindo conter o ímpeto flamenguista e levando a igualdade para o intervalo.
Segundo tempo
A etapa final começou com o Bragantino tentando surpreender. Em um cruzamento rasteiro, a bola desviou em Danilo e exigiu uma defesa espetacular de Rossi, salvando o Flamengo. Contudo, aos quatro minutos, a sorte sorriu para os donos da casa. A defesa paulista errou na saída de bola, Jorginho interceptou e tocou para Arrascaeta, que finalizou com categoria para abrir o placar no Maracanã, levando a torcida ao delírio.
Mesmo com a vantagem, o Flamengo manteve a postura ofensiva. Aos 18 minutos, em uma jogada pela esquerda, Everton Cebolinha tentou o cruzamento, e a bola acertou a mão de Hurtado dentro da área. O árbitro assinalou pênalti, e Jorginho, com frieza, converteu a cobrança, ampliando a vantagem rubro-negra para 2 a 0.
Com o Bragantino tentando reagir e se abrindo mais em campo, o Flamengo aproveitou os espaços para sacramentar a vitória. Aos 26 minutos, Bruno Henrique foi lançado em profundidade, invadiu a área e finalizou sem chances para Cleiton, marcando o terceiro gol e garantindo a tranquilidade. Com a vitória encaminhada, o Flamengo administrou o resultado, controlando a posse de bola e esperando o apito final para celebrar mais três pontos cruciais na corrida pelo título.
Próximos desafios
Flamengo:
- Adversário: Atlético-MG (36ª rodada do Campeonato Brasileiro)
- Data e Horário: 25 de novembro (terça-feira), às 21h30 (de Brasília)
- Local: Arena MRV, em Belo Horizonte
Bragantino:
- Adversário: Fortaleza (36ª rodada do Campeonato Brasileiro)
- Data e Horário: 26 de novembro (quarta-feira), às 19h (de Brasília)
- Local: Estádio Cícero de Souza Marques, em Bragança Paulista
FICHA TÉCNICA
Flamengo 3 x 0 Bragantino
Competição: 35ª rodada do Campeonato Brasileiro
Local: Maracanã, no Rio de Janeiro
Data: 22 de novembro de 2025 (sábado)
Horário: 21h30 (de Brasília)
Arbitragem:
- Árbitro: Fernando Antonio Mendes de Salles Nascimento Filho
- Assistentes: Alessandro Alvaro Rocha de Matos e Alex dos Santos
- VAR: Braulio da Silva Machado
Cartões Amarelos:
- Flamengo: Varela, Bruno Henrique
- Bragantino: Eduardo Sasha, Praxedes, Gustavo Marques
Gols:
- Flamengo:
- Arrascaeta, aos 4′ do 2ºT
- Jorginho, aos 18′ do 2ºT
- Bruno Henrique, aos 26′ do 2ºT
Flamengo:
- Goleiro: Rossi
- Defensores: Varela, Danilo, Léo Pereira e Alex Sandro
- Meio-campo: Jorginho (De la Cruz), Evertton Araújo e Arrascaeta (Wallace Yan)
- Atacantes: Everton Cebolinha (Samuel Lino), Plata (Bruno Henrique) e Carrascal (Luiz Araújo)
- Técnico: Filipe Luís
Bragantino:
- Goleiro: Cleiton
- Defensores: Hurtado, Pedro Henrique, Gustavo Marques e Juninho Capixaba
- Meio-campo: Gabriel, Fabinho (Matheus Fernandes) e Jhon Jhon (Fernando)
- Atacantes: Gustavo Neves (Praxedes), Lucas Barbosa (Laquintana) e Eduardo Sasha (Isidro Pitta)
- Técnico: Wágner Mancini
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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