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Flamengo é goleado pelo Palmeiras no Maracanã
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O Palmeiras venceu o Flamengo por 3 a 0 na noite deste sábado (23.05), no Maracanã, pela 17ª rodada do Campeonato Brasileiro, e abriu vantagem ainda maior na ponta da tabela. Com um jogador a mais desde os 20 minutos do primeiro tempo, o time comandado por Abel Ferreira encerrou um jejum de quase 11 anos sem derrotar o rival carioca no estádio e construiu o triunfo com gols de Flaco López, Allan e Paulinho.
Com o resultado, o Verdão chegou aos 38 pontos e ampliou para sete a diferença sobre o Flamengo, que segue com 31 e ainda tem uma partida a menos. A vitória garante ao clube paulista a liderança isolada antes da pausa para a Copa do Mundo.
O jogo
A partida começou com o Flamengo mais agressivo, empurrado pela torcida. Logo nos primeiros minutos, Samuel Lino levou perigo em chute de fora da área, e Paquetá também teve boa oportunidade, mas parou em Carlos Miguel. O panorama da partida mudou aos 20 minutos, quando Carrascal foi expulso após atingir Murilo com o pé alto em uma dividida.
Com superioridade numérica, o Palmeiras passou a controlar melhor o jogo e foi eficiente nas chegadas ao ataque. Aos 37 minutos, Allan apareceu pela direita, tocou para trás, e Flaco López finalizou para abrir o placar. Antes do intervalo, o Flamengo ainda tentou reagir, mas esbarrou na defesa palmeirense.
Na volta para o segundo tempo, o time paulista seguiu explorando os espaços deixados pelo adversário. Aos 11 minutos, Allan iniciou a jogada, participou da transição ofensiva e aproveitou a sobra na área para marcar o segundo gol. O Flamengo ainda buscou diminuir, principalmente com Paquetá e Samuel Lino, mas voltou a encontrar dificuldades diante da marcação rival e das defesas de Carlos Miguel.
Nos minutos finais, o Palmeiras quase ampliou com Maurício, em chute defendido por Rossi. Já nos acréscimos, Jefté avançou pela esquerda e encontrou Paulinho livre na área. O camisa 10 finalizou para marcar pela primeira vez desde que voltou aos gramados após cirurgia na perna direita e fechou o placar em 3 a 0.
O terceiro gol provocou tensão dentro de campo. Na comemoração, Paulinho fez gesto de silêncio em direção à torcida flamenguista, o que gerou revolta entre jogadores do Flamengo e iniciou uma confusão nos instantes finais da partida.
Mesmo com um início melhor do time da casa, a expulsão no primeiro tempo teve peso decisivo no confronto. O Palmeiras aproveitou a vantagem, foi mais objetivo e saiu do Maracanã com uma vitória expressiva em confronto direto pela liderança do campeonato.
Próximos jogos
Flamengo
Jogo: Flamengo x Cusco-PER
Competição: Copa Libertadores (6ª rodada)
Data e hora: 26 de maio de 2026 (terça-feira), às 21h30 (de Brasília)
Local: Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)
Palmeiras
Jogo: Palmeiras x Junior Barranquilla-COL
Competição: Copa Libertadores (6ª rodada)
Data e hora: 28 de maio de 2026 (quinta-feira), às 19h (de Brasília)
Local: Allianz Parque, em São Paulo (SP)
| FICHA TÉCNICA | |
|---|---|
| Flamengo 0 x 3 Palmeiras | |
| Competição | Campeonato Brasileiro – 17ª rodada |
| Data | 23 de maio de 2026 (sábado) |
| Horário | 21h (de Brasília) |
| Local | Maracanã, Rio de Janeiro (RJ) |
| Público | 71.205 torcedores |
| Renda | R$ 7.748.120,00 |
| Cartões amarelos | Paquetá, De La Cruz, Wallace Yan e Léo Pereira (Flamengo); Andreas Pereira, Flaco López, Jhon Arias, Carlos Miguel e Paulinho (Palmeiras) |
| Cartão vermelho | Carrascal (Flamengo) |
| Árbitro | Davi de Oliveira Lacerda (ES) |
| Assistentes | Bruno Raphael Pires (GO) e Bruno Boschilia (PR) |
| VAR | Caio Max Augusto Vieira (GO) |
| Gols | Flaco López, aos 37′ do 1ºT; Allan, aos 11′ do 2ºT; Paulinho, aos 49′ do 2ºT |
| Palmeiras | Carlos Miguel; Giay, Gustavo Gómez, Murilo e Arthur (Jefté); Marlon Freitas, Andreas Pereira (Mauricio) e Emiliano Martínez; Allan (Paulinho), Jhon Arias (Felipe Anderson) e Flaco López (Lucas Evangelista). Técnico: Abel Ferreira |
| Flamengo | Rossi; Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro; Evertton Araújo (Bruno Henrique), Jorginho (Saúl) e Paquetá (De La Cruz); Carrascal, Lino (Plata) e Pedro (Wallace Yan). Técnico: Leonardo Jardim |
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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