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Cruzeiro tropeça em casa e empata com o lanterna Sport no Mineirão

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Em uma partida que prometia consolidar sua posição no G-4, o Cruzeiro decepcionou sua torcida neste domingo, ao empatar em 1 a 1 com o Sport, lanterna do Campeonato Brasileiro. O confronto, válido pela 27ª rodada, teve Derik Lacerda abrindo o placar para os visitantes, enquanto Gabigol garantiu o ponto solitário para a Raposa no Mineirão.

Com o resultado, o Cruzeiro alcança 52 pontos, mantendo a terceira posição na tabela, mas vê a distância para os líderes Flamengo e Palmeiras, que possuem 55 pontos, aumentar ligeiramente, ainda que com jogos a mais para o time mineiro. Já o Sport, apesar de ainda amargar a última colocação, soma 16 pontos, celebrando um ponto importante fora de casa em sua luta desesperada contra o rebaixamento, tendo conquistado apenas duas vitórias até o momento na competição.

O jogo

O primeiro tempo foi marcado pela surpresa. Aos 41 minutos, Derik Lacerda aproveitou uma excelente bola enfiada por Matheusinho, driblou o goleiro Cássio e, com o gol aberto, mandou para as redes, calando o Mineirão e colocando o Sport na frente. A vantagem levava os visitantes para o intervalo com a esperança de um feito histórico.

Na etapa final, o Cruzeiro voltou determinado a reverter a situação. A pressão celeste surtiu efeito aos 14 minutos, quando Gabigol, recebendo passe preciso de Matheus Pereira dentro da área, mostrou frieza e bateu no canto do goleiro adversário, deixando tudo igual no marcador e incendiando a partida novamente. Apesar das tentativas de ambos os lados, o placar não se alterou mais, culminando em um empate que deixou um gosto amargo para os cruzeirenses e um alívio para os pernambucanos.

Próximos desafios:

Ambas as equipes terão compromissos importantes nas próximas rodadas do Brasileirão.

  • Cruzeiro: O time mineiro terá um clássico pela frente, enfrentando o Atlético-MG no próximo dia 15 de outubro, na Arena MRV, às 21h30 (de Brasília), em jogo válido pela 28ª rodada.
  • Sport: Antes de seguir na competição principal, o Sport tem um jogo atrasado pela frente, contra o Atlético-MG na próxima quarta-feira, dia 8, às 19h, também na Arena MRV, pela 14ª rodada.

FICHA TÉCNICA

Cruzeiro 1 x 1 Sport

Competição: Brasileirão (27ª rodada)

Local: Mineirão, em Belo Horizonte (MG)

Data: 5 de outubro de 2025 (domingo)

Horário: 20h30 (de Brasília)

Cartões Amarelos:

  • Keny Arroyo (Cruzeiro)
  • Hyoran (Sport)
  • Aderlan (Sport)

Arbitragem:

  • Árbitro: Jefferson Ferreira de Moraes (GO)
  • Assistentes: Bruno Raphael Pires (GO) e Leila Naiara Moreira da Cruz (DF)
  • VAR: José Cláudio Rocha Filho (SP)

Gols:

  • Derik Lacerda, aos 41′ do 1ºT (Sport)
  • Gabigol, aos 14′ do 2ºT (Cruzeiro)

Cruzeiro: Cássio; Kauã Moraes (Marcus Vinicius), Jonathan Jesus (Sinisterra), Lucas Villalba e Kaiki; Lucas Silva (João Marcelo) e Matheus Henrique (Christian – Ryan Guilherme)); Keny Arroyo, Matheus Pereira e Carlos Eduardo; Gabigol. Técnico: Leonardo Jardim

Sport: Gabriel; Aderlan, Rafael Thyere, Ramon e Luan Cândido; Zé Lucas (Pedro Augusto) e Christian Rivera (Lucas Kal); Matheusinho (Chrystian Barletta), Hyoran (Rodrigo Atencio) e Romarinho (Igor Aquino); Derik Lacerda. Técnico: Daniel Paulista

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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