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Cruzeiro domina Botafogo no Nilton Santos e retoma liderança provisória do Brasileirão
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Em uma noite de futebol no Nilton Santos, o Cruzeiro surpreendeu o Botafogo e conquistou uma vitória imponente por 2 a 0, reassumindo a liderança provisória do Campeonato Brasileiro. A equipe mineira, que chegou ao Rio precisando de uma reação, exibiu um domínio tático e soube aproveitar as falhas defensivas do adversário para repetir o feito do ano passado, vencendo o Alvinegro em seus próprios domínios pela 18ª rodada da competição nacional.
Para o Botafogo, o resultado marca a primeira derrota sob o comando de Davide Ancelotti, que vinha de uma sequência de invencibilidade após empates com Vitória e Corinthians, e vitórias sobre Red Bull Bragantino e Sport.
Com os três pontos, o Cruzeiro alcança 37 unidades e aguarda o desfecho da partida entre Flamengo e Ceará, no Castelão, para confirmar sua permanência na ponta da tabela. O Rubro-Negro, com 36 pontos, entra em campo ainda neste domingo. Já o Glorioso, com a derrota, estaciona nos 26 pontos e cai para a sétima posição.
A agenda dos clubes segue intensa. Na próxima rodada do Brasileirão, o Botafogo viaja para enfrentar o Fortaleza, no sábado, no Castelão, enquanto o Cruzeiro recebe o Santos no Mineirão no domingo. Antes, porém, ambos terão compromissos pela Copa do Brasil: o Botafogo visita o Red Bull Bragantino na quarta-feira, às 19h (de Brasília), e o Cruzeiro encara o CRB na quinta-feira, às 21h, no Rei Pelé.
Cruzeiro letal e falhas decisivas
O início da partida foi marcado pela velocidade e pela iniciativa de ambas as equipes, mas o Cruzeiro se mostrou mais organizado e perigoso. Explorando a velocidade nos contra-ataques, a Raposa criou as primeiras chances claras com Kaio Jorge e William, que esbarraram em boas defesas do goleiro John. A pressão celeste logo se traduziu em gol. Aos 22 minutos, uma saída de bola errada de John foi crucial: a posse foi recuperada pelo Cruzeiro, e após cruzamento rasteiro de Kaiki, Christian se antecipou a Alex Telles para abrir o placar.
O Botafogo sentiu o impacto do gol, mas teve uma chance de ouro para o empate aos 31 minutos, quando um pênalti foi assinalado a seu favor. Contudo, a alegria alvinegra durou pouco. Após consulta ao VAR, a decisão foi corretamente anulada, para frustração da torcida e dos jogadores.
E a situação do Botafogo piorou ainda mais antes do intervalo. Aos 40 minutos, em um contra-ataque fulminante, Kaio Jorge protagonizou uma arrancada impressionante de quase 60 metros, deixando Barboza para trás. Chegando à linha de fundo, ele rolou para Matheus Pereira, que bateu de primeira para ampliar o placar para 2 a 0, levando o Cruzeiro para o vestiário com uma vantagem confortável.
Botafogo pressiona, mas sem efetividade
No segundo tempo, o Botafogo voltou com mais vontade e tentou diminuir o prejuízo. Savarino, em uma tentativa de bicicleta, parou em Cássio, e Barboza, de cabeça, também exigiu boa intervenção do goleiro cruzeirense. A chance mais clara, no entanto, veio novamente com Savarino, que recebeu um belo lançamento de Cuiabano e chutou com categoria, vendo a bola raspar a trave. A persistência botafoguense esbarrava na falta de sorte e na solidez da defesa adversária.
O Cruzeiro, por sua vez, soube administrar a vantagem, controlou o ritmo do jogo e, embora não tenha ampliado o marcador, garantiu uma vitória incontestável. O triunfo encerra um jejum de três jogos sem vencer da Raposa e a coloca novamente no topo do Brasileirão. Para o Botafogo, a noite fica marcada pelo fim de uma sequência de cinco jogos de invencibilidade no campeonato e pela queda de posição na tabela.
FICHA TÉCNICA
Botafogo 0 X 2 Cruzeiro
Local: Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ)
Data: 03/08/2025
Hora: 16h (de Brasília)
Competição: 18ª rodada do Campeonato Brasileiro 2025
Árbitro: Matheus Delgado Candançan (SP)
Assistente 1: Alex Ang Ribeiro (SP)
Assistente 2: Márcia Bezerra Lopes (RO)
VAR: Gilberto Rodrigues Castro Jr. (PE)
Cartões amarelos: Alexander Barboza, Allan e Joaquín Correa (BOT) e Christian e Kaiki Bruno (CRU)
Público: 35.126 pessoas
Gols: Christian (CRU) aos 22 minutos e Matheus Pereira (CRU) aos 40 minutos do 1° tempo
BOTAFOGO: John; Vitinho, Kaio (David Ricardo), Alexander Barboza e Alex Telles (Cuiabano); Marlon Freitas, Allan (Newton), Artur (Joaquín Correa), Savarino e Montoro; Arthur Cabral. Técnico: Davide Ancelotti
CRUZEIRO: Cássio; William, Fabrício Bruno, Villalba e Kaiki Bruno; Lucas Romero, Lucas Silva, Christian (Matheus Henrique), Matheus Pereira (Eduardo) e Wanderson (Marquinhos); Kaio Jorge (Lautaro Díaz). Técnico: Leonardo Jardim
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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