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Cruzeiro aplica goleada no Juventude e consolida liderança isolada do Brasileirão
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O Cruzeiro reforçou sua posição de protagonista no Campeonato Brasileiro neste domingo ao golear o Juventude por 4 a 0, em um Mineirão completamente lotado. Com gols de Christian, Gabigol (duas vezes) e Carlos Eduardo, o “Cabuloso” não apenas garantiu mais três pontos, mas também se manteve firme na ponta da tabela, ampliando a distância para os adversários.
A vitória expressiva levou o Cruzeiro a 33 pontos, assegurando a liderança isolada da rodada, independentemente dos demais resultados. A equipe mineira ainda pode ver sua vantagem no topo da classificação ser ampliada, aguardando o desfecho do clássico entre Flamengo e Fluminense.
O Jogo
O início da partida no Mineirão foi marcado por um cenário de cautela. Apesar do fervor da torcida que lotou as arquibancadas, o Cruzeiro encontrou dificuldades para furar a bem postada defesa do Juventude nos primeiros minutos.
No entanto, à medida que o cronômetro avançava para o intervalo, os donos da casa ajustaram o posicionamento e intensificaram a pressão. Aos 38 minutos, o esforço foi recompensado: após cruzamento de Marquinhos, Kaio Jorge dominou e tentou uma bicicleta, mas Christian, atento à jogada, apareceu no meio do caminho para desviar a bola para o fundo das redes, abrindo o placar para o Cruzeiro.
A segunda etapa trouxe um roteiro completamente diferente. Se no primeiro tempo o gol demorou a sair, o Cruzeiro voltou do vestiário com outra intensidade. Logo aos seis minutos, Kaio Jorge desceu pela direita e cruzou rasteiro para Gabigol, que, no segundo pau, bateu de primeira, no contrapé do goleiro, ampliando a vantagem celeste.
O domínio do Cruzeiro se consolidou aos 17 minutos. Após revisão do VAR, um pênalti foi marcado em favor do Cabuloso, com Marcos Paulo cometendo a infração em Kaio Jorge. Gabigol foi para a cobrança e não titubeou, deslocando o goleiro e fazendo a torcida cruzeirense explodir em festa no Mineirão.
Com a vantagem confortável, o Cruzeiro reduziu o ritmo e passou a administrar o placar. Contudo, nos acréscimos, ainda houve tempo para transformar a vitória em goleada. Após um cruzamento preciso da esquerda, Eduardo recebeu um passe de cabeça de Bolasie e completou para o fundo do gol, selando o placar de 4 a 0 e coroando uma atuação dominante.
Próximos Desafios
O Cruzeiro volta a campo na próxima quarta-feira, às 19h30 (de Brasília), para um difícil confronto contra o Corinthians, na Neo Química Arena, em Itaquera. Já o Juventude terá pela frente o São Paulo, na quinta-feira, às 19h, em Caxias do Sul.
FICHA TÉCNICA
CRUZEIRO 4 X 0 JUVENTUDE
Local: Mineirão, em Belo Horizonte (MG)
Data: 20/07/2025
Horário: 16h (de Brasília)
Árbitro: Lucas Casagrande (PR)
Assistentes: Bruno Boschilia (PR) e Andrey Luiz de Freitas (PR)
VAR: Wagner Reway (SC)
Gols: Christian, aos 38 do 1ºT, Gabigol, aos 6 e aos 17 do 2ºT, Carlos Eduardo, aos 47 do 2 ºT (Cruzeiro)
Cartões amarelos: Caíque, Marcos Paulo (Juventude); Bolasie (Cruzeiro)
CRUZEIRO: Léo Aragão; William, Fabrício Bruno, Villalba e Kaiki; Lucas Romero (Lucas Silva) (Walace) e Carlos Eduardo; Christian (Wanderson), Gabriel (Bolasie) e Marquinhos; Kaio Jorge (Matheus Pereira). Técnico: Leonardo Jardim.
JUVENTUDE: Gustavo; Reginaldo, Wilker Ángel, Marcos Paulo (Abner) e Marcelo Hermes; Hudson (Batalla), Caíque e Jadson; Mandaca (Alan Ruschel), Gabriel Taliari (Matheus Babi) e Gilberto. Técnico: Claudio Tencatti.
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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