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Corinthians vence Red Bull Bragantino e conquista primeira vitória no Brasileirão
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O Corinthians celebrou sua primeira vitória no Campeonato Brasileiro na noite desta quarta-feira, ao derrotar o Red Bull Bragantino por 2 a 0 na Neo Química Arena. Os zagueiros Gabriel Paulista e Matheus Bidu foram os responsáveis pelos gols, mas o goleiro Hugo Souza também brilhou ao defender um pênalti crucial, assegurando os três pontos para o Timão.
Com este resultado, a equipe de Dorival Júnior alcança a 12ª posição na tabela da Série A, somando três pontos em dois jogos. O Red Bull Bragantino, por sua vez, perde sua invencibilidade na temporada e cai para o quinto lugar, mantendo os seis pontos.
O jogo
O início da partida foi marcado pela iniciativa do Bragantino, que criou as primeiras chances perigosas. Aos sete minutos, Pitta serviu Gabriel, cujo chute foi interceptado por uma defesa atenta de Hugo Souza. O goleiro corintiano foi novamente exigido aos 11 minutos, ao defender com segurança um forte arremate de Lucas Barbosa de fora da área. O Corinthians, embora com dificuldades para impor seu jogo ofensivo, conseguiu assustar nos minutos finais do primeiro tempo, em uma jogada de velocidade onde Yuri Alberto dominou um lançamento e finalizou para uma boa intervenção de Cleiton. As equipes foram para o intervalo com o placar zerado.
Segundo tempo
A etapa final começou com o Corinthians mostrando outra postura. Logo no primeiro minuto, após cobrança de escanteio de Garro, o zagueiro Gabriel Paulista subiu mais alto que a marcação e cabeceou para o fundo das redes, abrindo o placar.
Aos dez minutos, o Bragantino teve uma oportunidade de ouro para empatar: Pitta recebeu livre na área e chutou, a bola explodiu no braço de Gustavo Henrique, resultando em um pênalti. No entanto, o dia era de Hugo Souza, que se esticou e fez uma grande defesa, evitando o gol adversário e mantendo a vantagem alvinegra.
Aos 29 minutos, o Timão ampliou. Yuri Alberto recebeu de Garro na entrada da área, ajeitou e soltou uma bomba que Cleiton conseguiu defender parcialmente. No rebote, Matheus Bidu estava bem posicionado para empurrar a bola para o gol, selando a vitória corintiana por 2 a 0.
Próximos compromissos:
Corinthians: Enfrentará o São Bernardo pela 8ª rodada do Campeonato Paulista, neste domingo (15), às 20h30 (de Brasília), no Primeiro de Maio.
Bragantino: Terá compromisso pelo Paulistão, jogando contra o Novorizontino no mesmo dia e horário, no Cícero de Souza Marques, em Bragança Paulista.
| FICHA TÉCNICA | |
|---|---|
| CORINTHIANS 2 X 0 BRAGANTINO | |
| Competição | Campeonato Brasileiro (3ª rodada) |
| Local | Neo Química Arena, em São Paulo (SP) |
| Data | 12 de fevereiro de 2026 (quinta-feira) |
| Horário | 20h (de Brasília) |
| Público | 26.700 torcedores |
| Renda | R$ 1.571.151,00 |
| Cartões Amarelos | Cleiton, Gabriel, Lucas Barbosa e Juninho Capixaba (Bragantino); Gustavo Henrique, Matheus Bidu, Raniele e Allan (Corinthians) |
| Cartões Vermelhos | Nenhum |
| Árbitro | Felipe Fernandes de Lima (MG) |
| Assistentes | Fabrini Bevilaqua Costa (SP) e Joverton Wesley De Souza Lima (RO) |
| VAR | Rafael Traci (SC) |
| Gols | Gabriel Paulista, aos 1′ do 2ºT (Corinthians); Matheus Bidu, aos 29′ do 2ºT (Corinthians) |
| Escalação Corinthians | Hugo Souza; Matheuzinho, Gabriel Paulista, Gustavo Henrique e Matheus Bidu; Raniele, Carrillo (Charles), Matheus Pereira (Allan) e Rodrigo Garro (Vitinho); Memphis Depay (Kayke) e Yuri Alberto (Gui Negão). |
| Técnico Corinthians | Dorival Júnior |
| Escalação Bragantino | Cleiton; Hurtado, Pedro Henrique, Gustavo Marques e Juninho Capixaba; Fabinho (Nacho Sosa), Gabriel (Eric Ramires) e Gustavo Neves (Herrera); Lucas Barbosa, Henry Mosquera (Vinicinho) e Isidro Pitta (Fernando). |
| Técnico Bragantino | Vagner Mancini |
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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