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Corinthians vence o Grêmio e ganha fôlego antes da pausa no Brasileirão
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De virada, o Corinthians derrotou o Grêmio por 3 a 1 na tarde deste sábado, na Arena, em duelo válido pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro e o último antes da interrupção para a Copa do Mundo. A equipe paulista saiu atrás no placar, mas reagiu ainda no primeiro tempo com gol de André e consolidou a vitória na etapa final, com mais dois gols do atacante e o primeiro de Kaio César pelo clube.
O resultado teve impacto direto na tabela. Com os três pontos, o Timão se afastou da zona de rebaixamento e fechou a rodada na nona colocação, com 24 pontos. Já o Grêmio caiu para o 15º lugar, somando 21 pontos, apenas três a mais que o Santos, primeiro time dentro da degola, embora com uma partida a menos.
O jogo
O início foi favorável ao Grêmio, que assustou logo aos quatro minutos com Tetê finalizando mal após sobra de bola na área. Pouco depois, aos seis, os gaúchos abriram o marcador. Gabriel Mec avançou pela esquerda, foi desarmado por Raniele na entrada da área, mas a bola sobrou para Carlos Vinícius, que tentou cavar na saída de Hugo Souza. Breno Bidon salvou em cima da linha, mas Mec aproveitou a sobra e completou para as redes.
A resposta corintiana veio aos 17 minutos, em cobrança de falta de Garro, defendida por Beltrame. O time visitante ainda voltou a incomodar com Yuri Alberto e Matheuzinho, mas encontrou dificuldade para transformar as chegadas em gol. Quando o primeiro tempo já se encaminhava para o fim, aos 46 minutos, Matheus Bidu levantou na área, Viery afastou de cabeça e André pegou a sobra na entrada da área para finalizar de primeira e deixar tudo igual.
Na etapa final, o Corinthians voltou mais agressivo e virou aos 19 minutos. Garro acionou Yuri Alberto na intermediária, o atacante encontrou André em profundidade e o meia bateu com categoria no canto para marcar seu segundo no jogo. Dois minutos depois, Yuri apareceu novamente na construção da jogada, serviu Kaio César, que cortou para dentro, deixou Viery para trás e chutou de chapa com a esquerda para ampliar.
O Grêmio ainda tentou reagir, mas acabou sofrendo novo baque aos 30 minutos. Em contra-ataque, Matheus Bidu disputou um lançamento na entrada da área e o goleiro gremista cometeu falta fora da jogada, sendo expulso por impedir uma chance clara de gol como último homem de defesa. A partir daí, o Corinthians controlou o resultado até o apito final e encerrou a rodada com vitória convincente fora de casa.
Próximos jogos
Grêmio
- Jogo: Mirassol x Grêmio
- Data e horário: 22 de julho de 2026 (quarta-feira) | horário não definido
- Competição: Campeonato Brasileiro
- Local: José Maria de Campos Maia
Corinthians
- Jogo: Corinthians x Remo
- Data e horário: 22 de julho de 2026 (quarta-feira) | horário não definido
- Competição: Campeonato Brasileiro
- Local: Neo Química Arena
| FICHA TÉCNICA | |
|---|---|
| Grêmio 1 x 3 Corinthians | |
| Competição | Campeonato Brasileiro |
| Local | Arena do Grêmio, em Porto Alegre (RS) |
| Data | 30 de maio de 2026 (sábado) |
| Horário | 17h30 (de Brasília) |
| Cartões amarelos | Grêmio: Wagner Leonardo, Enamorado e Viery; Corinthians: Rodrigo Garro e Kaio César |
| Cartões vermelhos | Thiago Beltrame (Grêmio) |
| Arbitragem | Árbitro: Lucas Paulo Torezin (PR) Assistentes: Luanderson Lima dos Santos (BA) e Andrey Luiz de Freitas (PR) VAR: Marco Aurelio Augusto Fazekas Ferreira (MG) |
| Gols | Gabriel Mec, aos 6′ do 1ºT (Grêmio) André, aos 19′ do 2ºT (Corinthians) Kaio César, aos 21′ do 2ºT (Corinthians) André, aos 46′ do 2ºT (Corinthians) |
| Grêmio | Thiago Beltrame; Marcos Rocha (João Pedro), Wagner Leonardo, Viery e Pedro Gabriel; Arthur, Leo Pérez, Gabriel Mec (André Henrique) e Tetê (Enamorado); Braithwaite (Amuzu) e Carlos Vinícius (Gabriel Menegon). Técnico: Luis Castro. |
| Corinthians | Hugo Souza; Matheuzinho, Gabriel Paulista, Gustavo Henrique e Matheus Bidu; Raniele (Allan), André (Carrillo), Breno Bidon (Matheus Henrique) e Garro (Dieguinho); Kaio César (Zakaria Labyad) e Yuri Alberto. Técnico: Fernando Diniz. |
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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