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Corinthians surpreende o Cruzeiro no Mineirão e conquista vantagem na Copa do Brasil

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Em um confronto eletrizante pela semifinal da Copa do Brasil, o Corinthians superou o Cruzeiro por 1 a 0 na noite desta quarta-feira, no Mineirão. Com um gol decisivo do atacante holandês Memphis Depay, o Timão garantiu uma importante vantagem no jogo de ida, deixando a decisão da vaga na grande final para a Neo Química Arena.

A vitória em solo mineiro significa que o Alvinegro Paulista precisará apenas de um empate na partida de volta para selar sua classificação. Uma derrota por um gol de diferença levará o embate para a disputa de pênaltis, enquanto um revés por dois ou mais gols reverterá a vantagem para o time celeste. A outra semifinal terá início nesta quinta-feira, às 20h (de Brasília), com o clássico carioca entre Vasco e Fluminense no Maracanã.

O jogo

O início do jogo foi marcado por um ritmo intenso e oportunidades para ambos os lados. O Corinthians demonstrou maior agressividade nos primeiros minutos, quase abrindo o placar aos cinco minutos com uma cobrança de escanteio de Memphis Depay que, após desvio, exigiu grande defesa do goleiro Cássio. O Cruzeiro respondeu aos 10, com um chute rasteiro de Matheus Pereira que foi interceptado por Hugo Souza.

O Timão, bem postado taticamente, conseguiu neutralizar as investidas dos donos da casa e continuou a ameaçar. Aos 12 minutos, Memphis Depay, em uma jogada individual, arriscou um chute de longa distância que passou raspando o travessão.

A superioridade corintiana se materializou aos 21 minutos. Em uma construção ofensiva envolvente, Carrillo cruzou para Yuri Alberto, que inteligentemente escorou para Memphis Depay. O camisa 9 finalizou em duas tentativas e colocou o Corinthians em vantagem no placar. Após o gol, a partida se tornou mais física, com um aumento na tensão entre os jogadores. O Corinthians optou por recuar suas linhas, cedendo a posse de bola ao Cruzeiro, que, apesar das tentativas, não conseguiu criar chances claras de gol antes do intervalo.

No segundo tempo, a equipe mineira voltou com uma postura mais ofensiva, buscando o empate desde o primeiro minuto. Arroyo quase marcou de cabeça, exigindo boa defesa de Hugo Souza. A pressão aumentou aos 13, quando um desvio na cabeça de Matheus Bidu, após cruzamento de Arroyo, forçou o goleiro corintiano a realizar outra importante intervenção. O Cruzeiro seguiu rondando a área adversária, com Matheus Pereira e Kaio Jorge criando perigo, mas sem conseguir superar a defesa do Timão.

Mesmo sob forte pressão, o Corinthians soube suportar o ímpeto cruzeirense e quase ampliou a vantagem aos 39 minutos. Vitinho, após um belíssimo drible, chutou cruzado, mas a bola saiu pela linha de fundo. A partida terminou com a vitória mínima do Corinthians, que agora tem a vantagem de decidir em casa.

Próximo confronto

O jogo de volta que definirá um dos finalistas da Copa do Brasil acontecerá no próximo domingo, 14 de dezembro, às 18h (de Brasília), na Neo Química Arena, em São Paulo. A torcida corintiana promete lotar o estádio para empurrar o time em busca da vaga na decisão do torneio.

FICHA TÉCNICA
Competição Copa do Brasil (ida da semifinal)
Placar Cruzeiro 0 x 1 Corinthians
Local Mineirão, em Belo Horizonte (MG)
Data 10 de dezembro de 2025 (quarta-feira)
Horário 21h30 (de Brasília)
Público 59.052 torcedores
Renda R$ 6.376.848,02
Gols
Minuto Time Jogador
21′ do 1ºT Corinthians Memphis Depay
Cartões
Tipo Time Jogadores
Amarelos Corinthians Memphis Depay, Romero, Gustavo Henrique, Hugo Souza, Maycon, André
Amarelos Cruzeiro Matheus Pereira, Fabrício Bruno, Lucas Romero
Vermelhos Ambos Nenhum
Arbitragem
Função Nome Estado
Árbitro Anderson Daronco RS
Assistente 1 Rafael da Silva Alves RS
Assistente 2 Maira Mastella Moreira RS
VAR Rodrigo D’Alonso Ferreira SC
Time Escalação Técnico
Cruzeiro Cássio; William, Fabrício Bruno, Villalba (Jonathan Jesus) e Kaiki Bruno; Lucas Romero, Lucas Silva (Eduardo), Christian (Sinisterra) e Matheus Pereira; Arroyo (Gabigol) e Kaio Jorge. Leonardo Jardim
Corinthians Hugo Souza; Matheuzinho, André Ramalho, Gustavo Henrique e Matheus Bidu; José Martínez (Charles), Maycon, Carrillo (André) e Breno Bidon (Angileri); Memphis Depay (Rodrigo Garro) e Yuri Alberto (Vitinho). Dorival Júnior

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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