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Bahia vence Internacional e se aproxima do G4 do Brasileirão
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Em um confronto eletrizante válido pela 14ª rodada atrasada do Campeonato Brasileiro, o Bahia conquistou uma vitória importante sobre o Internacional por 1 a 0, nesta quarta-feira, na Arena Fonte Nova. O triunfo manteve vivo o sonho do Tricolor de Aço de alcançar a zona de classificação para a Libertadores.
O gol da vitória foi marcado por Willian José, que aproveitou o rebote de um pênalti no final do primeiro tempo. Com o resultado, o Bahia ascendeu à quinta colocação na tabela, somando agora 49 pontos, e diminuiu para apenas três a diferença para o Mirassol, quarto colocado com 52 pontos, que atualmente ocupa a última vaga direta para a competição continental.
Do outro lado, o Internacional segue em situação delicada. A derrota mantém o Colorado na 14ª posição, com 35 unidades, flertando com a parte de baixo da tabela.
O Jogo
A partida começou com as equipes buscando o domínio, mas foi o Bahia quem conseguiu abrir o placar de forma dramática. Aos 50 minutos do primeiro tempo, Ademir foi derrubado na área por Bernabei, e o árbitro assinalou a penalidade máxima. Willian José foi para a cobrança, o goleiro Ivan defendeu e a bola ainda beijou a trave, mas o atacante tricolor não desistiu e, no rebote, mandou para o fundo das redes, fazendo a festa da torcida.
No segundo tempo, a situação do Internacional ficou ainda mais complicada. Aos 25 minutos da etapa complementar, o lateral Alisson cometeu uma dura falta em Rodrigo Nestor e recebeu o cartão vermelho direto, deixando a equipe gaúcha com um jogador a menos e dificultando qualquer reação. O Bahia soube administrar a vantagem e garantiu os três pontos em casa.
Próximos desafios
Ambas as equipes já têm compromissos marcados pela sequência do Brasileirão.
Para o Bahia, o próximo confronto será:
- São Paulo x Bahia
- Data e horário: 25 de outubro, às 21h30 (de Brasília)
- Local: Morumbis
O Internacional, por sua vez, enfrentará:
- Fluminense x Internacional
- Data e horário: 25 de outubro, às 17h30 (de Brasília)
- Local: Maracanã
FICHA TÉCNICA
BAHIA 1 x 0 INTERNACIONAL
Competição: Campeonato Brasileiro (14ª rodada) Data: 22 de outubro de 2025 (quarta-feira) Local: Arena Fonte Nova, em Salvador (BA) Placar: Bahia 1 x 0 Internacional
Gols: Willian José, aos 50′ do 1º Tempo (Bahia)
Cartões Amarelos: Acevedo (Bahia) | Mercado e Bernabei (Internacional)
Cartões Vermelhos: Alisson, aos 25′ do 2º Tempo (Internacional)
Arbitragem:
- Árbitro: Flavio Rodrigues de Souza (SP)
- Assistentes: Daniel Paulo Ziolli (SP) e Leandro Matos Feitosa (SP)
- VAR: Wagner Reway (SC)
BAHIA: Ronaldo; Gilberto, Gabriel Xavier, Ramos Mingo e Juba (Iago); Michel Araújo (Rodrigo Nestor), Acevedo (Erick), Jean Lucas; Ademir (Kayky), Willian José e Sanabria (Tiago). Técnico: Rogério Ceni
INTERNACIONAL: Ivan; Vitão (Sampaio), Benítez (Prado), Mercado, Vitor Gabriel; Thiago Maia, Bruno Gomes, Luis Otávio (Bruno Henrique), Alexandro Bernabei (Alisson); Vitinho (Haykkonen) e Rafael Borré. Técnico: Ramon Díaz
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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