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Atlético-MG goleia o Itabirito e avança à semifinal do Mineiro

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Em uma noite de gala no Estádio Castor Cifuentes, o Atlético-MG confirmou sua passagem para as semifinais do Campeonato Mineiro com uma convincente goleada de 7 a 2 sobre o Itabirito, neste sábado. O placar elástico, válido pela oitava e última rodada da fase de grupos, sacramentou a liderança do Galo no Grupo A, com 14 pontos, e representou uma resposta em campo no primeiro compromisso da equipe após a saída do técnico Sampaoli.

O show de bola atleticano teve Hulk como protagonista, balançando as redes três vezes. Victor Hugo, Gustavo Scarpa, Cassiera e Renan Lodi completaram a lista de artilheiros do Alvinegro. Pelo lado do Itabirito, Romário Simões e Apolinário marcaram os gols de honra, mas não conseguiram evitar a despedida do torneio, onde a equipe terminou na terceira posição do Grupo C, com sete pontos.

O jogo

O Atlético-MG não demorou a impor seu ritmo. Aos 16 minutos do primeiro tempo, Victor Hugo abriu o placar. Após um cruzamento preciso de Natanael pela direita, o jovem atacante surgiu livre na área para cabecear e colocar o Galo em vantagem. O Itabirito tentou responder, com Luís Araújo finalizando com perigo aos 21, mas o domínio atleticano se consolidou.

Aos 30 minutos, o talento de Hulk brilhou intensamente. Com Dudu sofrendo falta na entrada da área, o camisa 7 cobrou com maestria, mandando a bola direto para o fundo das redes em um golaço que Vinícius Dias, goleiro do Itabirito, não teve como alcançar. Antes do intervalo, o Galo ampliou sua vantagem: Alan Franco roubou a bola no campo de ataque e serviu Gustavo Scarpa, que arrematou rasteiro para fazer o terceiro aos 43 minutos.

Avalanche de gols no segundo tempo e Hat-Trick de Hulk

A etapa final viu o Atlético-MG intensificar a pressão. Hulk, em grande fase, marcou seu segundo gol pessoal aos seis minutos. Após uma boa jogada e assistência de Dudu, o atacante invadiu a área e tocou por cima do goleiro, ampliando o marcador. Não demorou para o artilheiro completar seu hat-trick: aos 15, Reinier sofreu pênalti e Hulk, com frieza, converteu a cobrança.

Ainda houve tempo para mais dois gols atleticanos de penalidade máxima. Reinier, novamente, foi derrubado na área e Cassiera assumiu a responsabilidade, convertendo o sexto gol do Galo aos 25 minutos. Aos 30, Renan Lodi, em um belíssimo chute de fora da área, fechou a conta para o Atlético-MG com o sétimo gol.

O Itabirito, mesmo diante da derrota iminente, demonstrou garra e conseguiu diminuir o prejuízo. Romário Simões marcou aos 32 minutos, e Apolinário, após assistência de Denzel, balançou as redes aos 43, fechando o placar em 7 a 2.

Com a classificação garantida e a confiança em alta, o Atlético-MG volta suas atenções para o Campeonato Brasileiro. O próximo desafio será contra o Grêmio, pela 4ª rodada da competição, no dia 25 de fevereiro de 2026, às 21h30 (de Brasília), na Arena do Grêmio, em Porto Alegre.

FICHA TÉCNICA
                                                     ITABIRITO 2 x 7 ATLÉTICO-MG
Competição Campeonato Mineiro (8ª rodada)
Local Estádio Castor Cifuentes, em Nova Lima (MG)
Data 14 de fevereiro de 2026 (sábado)
Horário 19h (de Brasília)
Cartões Amarelos Pedro Rodrigues (Itabirito)
Cartões Vermelhos Nenhum
Árbitro Felipe Fernandes de Lima
Assistentes Felipe Alan Costa de Oliveira e Magno Arantes Lira
VAR Emerson de Almeida Ferreira
Gols do Atlético-MG Victor Hugo, aos 16′ do 1°T
Hulk, aos 30′ do 1°T
Gustavo Scarpa, aos 43′ do 1°T
Hulk, aos 6′ do 2°T
Hulk, aos 15′ do 2°T
Cassiera, aos 25′ do 2°T
Renan Lodi, aos 30′ do 2°T
Gols do Itabirito Romário Simões, aos 32′ do 2°T
Apolinário, aos 41′ do 2°T
Escalação Itabirito Vinícius Dias; Gleisinho, Wallace, Felipe Camargo e Bryan; Serginho, Pedro Rodrigues (Apolinário) e Matheus Galdino (Nathan Zamith); Guilherme Givigi (Ferreira), Romário e Luis Araújo (Hulk).
Técnico: Luizão
Escalação Atlético-MG Everson; Ruan, Natanael, Vitor Hugo e Lodi (Bernard); Maycon (Reinier), Alan Franco, Victor Hugo e Scarpa; Dudu (Cuello) e Hulk.
Técnico: Lucas Gonçalves

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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