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Atlético-MG avança na Sul-Americana com drama nos pênaltis após derrota para o Bucaramanga
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Em uma noite de muita tensão na Arena MRV, o Atlético-MG garantiu sua vaga nas oitavas de final da Copa Sul-Americana ao vencer o Bucaramanga (COL) por 3 a 1 nas penalidades máximas, nesta quinta-feira. No tempo regulamentar, o Galo foi superado por 1 a 0, resultado que igualou o agregado em 1 a 1 e levou a decisão para as cobranças. O único gol da partida foi marcado por Jefferson Mena.
O herói da noite foi o goleiro Everson, que não só defendeu duas cobranças do time colombiano, como também converteu o pênalti decisivo que selou a classificação atleticana. Com a vitória, o Atlético-MG enfrentará o Godoy Cruz, da Argentina, na próxima fase da competição continental.
O jogo
Desde o início, o Atlético-MG se mostrou dominante em campo, criando diversas oportunidades de gol. Dudu obrigou o goleiro Quintana a fazer uma grande defesa logo nos primeiros minutos, Hulk teve uma finalização bloqueada e Gustavo Scarpa assustou em chute cruzado, demonstrando a superioridade do time mineiro na criação de jogadas.
No entanto, contra a maré do jogo, o Bucaramanga conseguiu abrir o placar aos 44 minutos do primeiro tempo. Em uma cobrança de falta pela direita, Sambueza cruzou com precisão para a área, e Jefferson Mena subiu mais alto que a marcação alvinegra para cabecear firme no canto esquerdo de Everson, levando o placar para 1 a 0 e igualando o confronto no placar agregado.
No segundo tempo, o Atlético-MG intensificou ainda mais a pressão em busca do gol que evitaria os pênaltis. Gustavo Scarpa chegou a acertar o travessão em uma batida colocada, e o zagueiro Jemerson quase empatou em uma cabeçada perigosa. Apesar do amplo domínio e das chances criadas, a bola insistiu em não entrar, forçando a decisão da vaga para a disputa de pênaltis.
Disputa de pênaltis
Na dramática disputa de penalidades, o Atlético-MG mostrou mais eficiência e o brilho de seu goleiro. Hulk, Gabriel Menino e Everson converteram suas cobranças para o Galo. Pelo lado mineiro, Gustavo Scarpa e Bernard desperdiçaram suas chances.
Pelo Bucaramanga, Diego Cháves foi o único a converter. Carlos Henao teve sua cobrança defendida por Everson, Mena chutou para fora e Zarate também parou nas mãos do goleiro atleticano, que se tornou o grande nome da classificação, garantindo a festa da torcida na Arena MRV.
Próximos desafios
O Galo agora volta as atenções para o Campeonato Brasileiro. Neste domingo (27), a equipe mineira terá um clássico contra o Flamengo, às 20h30 (de Brasília), no Maracanã. Já o Bucaramanga receberá o Deportivo Cali, na segunda-feira (28), às 20h, pelo Campeonato Colombiano.
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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