Cultura
Dia do Poeta da Literatura de Cordel é celebrado hoje em todo o Brasil
Cultura
A nossa literatura celebra nesta sexta-feira os poetas de um gênero genuinamente brasileiro: o Cordel, que traduz em versos e narrativas orais tradições e saberes, e tem entre seus expoentes a pernambucana Maria Rosa. 

Neste 1º de agosto se comemora o Dia do Poeta da Literatura de Cordel com uma agenda de eventos Brasil afora para exaltar os artistas que emprestam talento à poesia cantada e declamada.
Maria Rosa é uma das dezenas de representantes do gênero literário popular, que já estão na Feira Literária de Paraty, no Rio de Janeiro.
“Nós estamos aí entrando com a salvaguarda do Iphan. Eu faço parte dessa comissão de salvaguarda aqui de São Paulo. Há quatro anos que nós somos convidados pelo Iphan para ir para Flip, na Casa do Cordel. Aí a gente rodizia: cada ano vai um grupo de cordelistas que estão aqui no Sudeste, ou quem esteja, participa dessa comitiva.”
A data também é celebrada em Fortaleza, onde o espaço Caixa Cultural recebe até o próximo domingo (3), a 6ª Feira do Cordel Brasileiro. Espetáculos teatrais, feira, palestras, exposições, oficinas e shows fazem parte da programação gratuita. Entre as atrações, o cordelista e repentista baiano Mestre Bule-Bule, que possui mais de 60 anos dedicados a cultura sertaneja.
“Olá, meu Brasil velho cheio de ladeira e buraco. Em 1º de agosto, às 20h20, estarei no palco com Adiel Luna dando trompaço de omissão um no outro. E aí perguntando: ‘olá, sambador, eu vim aqui te avisar que tem com que ir em frente, quem não tem, saia da frente e sempre deixe eu passar.’”
Já em João Pessoa, Paraíba, dentro das celebrações dos 440 anos da capital, acontece até o dia 5, no Parque Solon de Lucena, a Feira do Cordel. E, nesta sexta, a partir das 19h, a Biblioteca Demonstrativa do Ministério da Cultura, em Brasília, promove no seu canal no Youtube a palestra “Patativa, Presente!”, com o Poeta Daniel, neto do grande Patativa do Assaré. É preciso se inscrever antecipadamente pelo Instagram da biblioteca.
Também em comemoração à data, a Associação Cultural Jornada Literária do Distrito Federal está com inscrições abertas para o Concurso Leandro Gomes de Barros de Literatura de Cordel, que vai premiar os 5 primeiros colocados com a impressão de mil exemplares de cordéis autorais. O edital está disponível no site jornaldaliterariadf.com.br.
*Com produção de Luciene Cruz e sonoplastia de Jailton Sodré
Cultura
Ao poeta, poesia: amigos se despendem de Luis Turiba neste sábado (29)
DESACONTESSÊNCIAS

desaconteci
(mentavelmente)
tudo acontece para
desacontecer em si
anoitece para amanhecer
nascer viver crescer morrer
tecer escrituras em silêncios
semânticas em pura seda
Luis Turiba desaconteceu na madrugada de 26 de agosto, em Salvador, aos 76 anos. Poeta, ativista cultural, jornalista. Nascido no Recife, em 1950, Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma ampla obra, que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários, revistas culturais e parcerias musicais.
Seu primeiro livro de poesia, Kiprokó, foi lançado em 1977. No Rio de Janeiro, pra onde se mudou ainda jovem, conseguiu emprego como repórter, iniciando uma bem-sucedida carreira com passagens pela revista Manchete e pelos jornais O Globo e Gazeta Mercantil. Foi como correspondente da Gazeta que Turiba mudou-se para Brasília, em 1979. Ganhou vários prêmios por suas reportagens, inclusive dois Esso regionais.
Amigo de Turiba desses tempos de início de Brasília, o poeta Nicolas Behr conta que conversou com o amigo na véspera do falecimento
“Não esperava essa notícia. Grande agitador cultural, um homem de ideias e de realizações, que fazia poeta, jornalista, atuante, ativo, presente. Editor da revista Brica Brac, né? Essa revista que nos anos 80 entrou para a história da literatura a história das história das revistas literárias brasileiras do século passado. Grande Turiba, só temos que celebrar sua memória, sua eterna presença entre nós.”
A revista cultural Bric-a-Brac foi editada entre 1985 e 2022. A publicação extrapolou os limites do Distrito Federal, entrevistando intelectuais e artistas como Caetano Veloso e Paulinho da Viola; Nise da Silveira; Manoel de Barros, entre outras personalidades.
Em sua trajetória, passou pela assessoria de comunicação do ministério da Cultura, que soltou nota lamentando a morte de Turiba e afirmando que o jornalista “participou de momentos importantes da história do próprio MinC”.
O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal lembrou que “além de sua escrita afiada nas redações, Turiba foi um símbolo vivo da resistência democrática que marca a história da categoria. Militante histórico, ele sofreu severa perseguição política, prisão e tortura durante o regime militar”.
Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia concedeu anistia política a Turiba, reconhecendo que a farta documentação que o escritor reuniu e apresentou ao colegiado comprova que, durante a ditadura, ele foi perseguido por razões políticas, tendo sido monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980. Além da condição de anistiado, Turiba recebeu do Estado brasileiro um pedido formal de desculpas.
Após anos atuando como assessor do Ministério da Cultura, aposentou-se no início da década de 2010 para dedicar-se exclusivamente à literatura. Viveu os últimos anos entre o Rio de Janeiro, Salvador e Brasília.
Neste sábado, amigos prestam a última homenagem no Beirute, tradicional restaurante de Brasília. Reduto de muitos encontros e acontecências.
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