Várzea Grande
Várzea Grande forma comissão para acompanhar estudos técnicos sobre saneamento básico
Várzea Grande
A elaboração deste estudo é fundamental à valoração do DAE e, então, a formalização e publicação do edital de Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) para início de processo de concessão pública
A Prefeitura de Várzea Grande instituiu Comissão de trabalho para acompanhar, alinhar tecnicamente e executar ações relativas ao contrato firmado com Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) que está realizando estudos técnicos sobre a viabilidade da concessão do Departamento de Água e Esgoto (DAE).
Consta da publicação que a Comissão irá coordenar, planejar, propor ações estratégicas e operacionais, encaminhar sugestões, fazer alinhamento técnico, executar, encaminhar, acompanhar e monitorar atividades das empresas, exercer outras atribuições correlatas que se mostrarem necessárias ao cumprimento de sua finalidade.
Conforme a publicação realizada nesta terça-feira (8), no Jornal Oficial dos Municípios (AMM), foi designada como preposta para representar Várzea Grande oficialmente junto à Fipe, a secretária municipal de Assuntos Estratégicos, Ina de Maria.
“Essa comissão foi formada para garantir a transparência, o rigor técnico e o cumprimento deste contrato, pois esse é o mais importante da história do Município. Vamos acompanhar de perto para que todas as etapas sejam cumpridas e com eficiência”, disse Ina de Maria.
CONTRATO COM FIPE – A contratação da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) para realizar o diagnóstico financeiro, patrimonial e estrutural do Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE-VG). A elaboração deste estudo é fundamental para a valoração do DAE e, então, para a publicação do edital de Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) para início de processo de concessão pública.
O coordenador técnico da Fipe no projeto de estudo de viabilidade da concessão do DAE, André Chagas, explica que todo o processo tem três grandes fases: estudo técnico, consultas e audiências públicas, além do leilão. “Estamos iniciando o estudo técnico, nesta fase, temos o primeiro diagnóstico e a análise de como está a situação. Assim vamos analisar quais itens obrigatórios que a concessionária precisa atender. A Fipe tem o compromisso de entregar este estudo técnico o mais rápido possível”, afirmou Chagas.
CONFIRA OS MEMBROS DA COMISSÃO:
I – Preposta: Inaciray Ramos de Brito Tavera (secretária Ina de Maria)
II – Departamento de Água e Esgoto: Hércules Thiago Batistella Sguarezi e Rosiley Nunes de Paula; Laudo Rodrigues da Silva
III – Secretaria Municipal de Assuntos Estratégicos: William Takemura Iwakura
IV – Secretaria Municipal de Viação e Obras: Dyoni Toshio Trettel Hataqueiama e Raulmar Rodrigues de Freitas
Várzea Grande
Entre lágrimas, abraços e esperança: Histórias de quem dedica a vida ao cuidado da população
“Eu saí no quintal para chorar”. A frase simples, dita pela Agente Comunitária de Saúde, Francisca dos Santos Barata, carrega quase duas décadas de dedicação ao cuidado com o próximo. Aos 70 anos, Francisca revive na memória uma das cenas mais marcantes da sua trajetória: a visita a uma moradora encontrada debilitada, sozinha, desidratada e tomada por piolhos dentro da própria casa, na região do Capão Grande.
Agente Comunitária de Saúde da Unidade Maria José Pedrosa, do bairro Capão Grande, desde 2007, Francisca lembra que, ao ver a situação da paciente, sentiu o coração apertar. Voltou ao local junto com a enfermeira-chefe da unidade, e juntas, iniciaram um verdadeiro mutirão de cuidado humano. Deram banho na paciente, limparam a casa, providenciaram roupas e lençóis e passaram a acompanhá-la constantemente.
“Eu peguei roupa da minha casa para ajudar ela. A gente acompanhava, fazia visitas, conversava. Ela estava em depressão por problemas familiares”, relembra emocionada.
O cuidado contínuo mudou a vida da moradora, que conseguiu superar o quadro de abandono e reconstruir a própria história. Hoje vivendo no Rio Grande do Sul, ela mantém contato frequente com Francisca e costuma repetir uma frase que emociona a agente até hoje: “Se não fosse você, eu não estaria viva”.
Histórias como essas mostram que a rotina dos agentes vai muito além das visitas domiciliares. É um trabalho silencioso, diário e profundamente humano.
CATEGORIA VALORIZADA – No último dia 25, a Prefeitura realizou a posse de 48 Agentes de Combate às Endemias e de 86 Agentes Comunitários de Saúde. A efetivação dos profissionais foi possível após uma articulação inédita conduzida pela prefeita Flávia Moretti (PL), junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), que autorizou a incorporação dos ACS e ACE ao regime estatutário, tornando Várzea Grande o primeiro município do estado a cumprir a Lei Federal nº 14.536/2023 e servindo de referência na valorização e reconhecimento desses profissionais.
Entre os profissionais empossados também estava Suzana Nádia Romão, Agente de Combate às Endemias que iniciou a carreira aos 19 anos e hoje soma 24 anos de atuação. “É um momento de vitória, inexplicável, sem palavras. Só quero agradecer”, disse emocionada durante a cerimônia.
Mas foi ao lembrar de uma história vivida há 16 anos que Suzana traduziu o tamanho do vínculo criado com a comunidade ao longo da profissão.
Ela conta que uma colega de trabalho havia sido vítima de feminicídio. A notícia se espalhou rapidamente e chegou até uma antiga área onde Suzana atuava. No horário de almoço, uma moradora apareceu desesperada na frente da casa dela, pedalando uma bicicleta.
“Ela gritava no meu portão. Quando eu apareci, ela jogou a bicicleta no chão e veio me abraçar com as mãos tremendo, geladas. Ela dizia: ‘Ô minha baixinha, não foi você? Achei que era você que aquele homem tinha matado’”, relembra.
Naquele instante, Suzana chorou junto com a moradora. “Ali eu tive a confirmação de que estava exercendo a profissão que Deus preparou para mim. Eu percebi que estava deixando um legado por onde passava, criando vínculos não só profissionais, mas humanos”, disse.
As histórias de Francisca e de Suzana representam a realidade de centenas de agentes que enfrentam sol, chuva, distância e dores sociais diariamente para garantir dignidade, prevenção e acolhimento à população.
Mais do que profissionais da saúde pública, eles se tornaram presença constante na vida de milhares de famílias — muitas vezes sendo o primeiro abraço, o primeiro cuidado e a primeira esperança dentro de uma casa que não é a deles.
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