Várzea Grande
Produtores da comunidade Formigueiro são capacitados para operar trator agrícola
Várzea Grande
Dez produtores da comunidade participaram do treinamento, que abordou temas como segurança na operação de máquinas, manutenção preventiva e regulagem adequada para diferentes tipos de cultivo. O trator será utilizado de forma coletiva, atendendo às famílias da comunidade em atividades de preparo do solo e plantio
Produtores rurais da comunidade Formigueiro, em Várzea Grande, participaram do Curso de Operação e Regulagem de Tratores Agrícolas, promovido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), com apoio da Prefeitura de Várzea Grande, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural Sustentável (SEMMADRS). A capacitação foi realizada utilizando um dos tratores entregues recentemente pelo governo do Estado de Mato Grosso para fortalecimento da agricultura familiar no Município.
Ao todo, 10 produtores da comunidade participaram do treinamento, que abordou temas como segurança na operação de máquinas, manutenção preventiva e regulagem adequada para diferentes tipos de cultivo. O trator será utilizado de forma coletiva, atendendo às famílias da comunidade em atividades de preparo do solo e plantio.
O presidente da comunidade Formigueiro, Jairo Antônio da Silva Borges, destacou a importância do curso e do novo equipamento. “Foi uma grande satisfação participar dessa capacitação em nome de todos os produtores. Muitos de nós nunca tínhamos operado um trator e agora estamos preparados para usar o maquinário com segurança e eficiência. Esse curso é um aprendizado que fica para toda a comunidade”, afirmou.
Jairo explicou ainda que o trator atenderá as quase 400 famílias que vivem na localidade. “Aqui a gente planta de tudo um pouco: pimenta de cheiro, mandioca, banana, maxixe, abobrinha, feijão de corda, quiabo… O trator vai ajudar muito, tanto na limpeza quanto no preparo da terra, beneficiando todos que tiram seu sustento da agricultura”, completou.
O secretário municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural Sustentável, Ricardo Amorim, ressaltou que a parceria com o Senar e o governo do Estado tem sido essencial para fortalecer a agricultura familiar no Município. “A qualificação técnica é um passo fundamental para garantir mais produtividade e sustentabilidade no campo. Tanto o trator entregue e o curso de capacitação são conquistas que refletem o compromisso da gestão municipal com o desenvolvimento rural e a melhoria da qualidade de vida nas comunidades”, destacou.
Já o coordenador de Desenvolvimento Rural da SEMMADRS, Leandro Luiz da Silva, lembra que a formação prática é um diferencial importante. “Mais do que entregar o maquinário, é preciso garantir que os produtores saibam utilizar corretamente o equipamento, o que aumenta sua durabilidade e o aproveitamento no trabalho e especialmente, a produtividade dos cultivos. Ver a comunidade engajada e disposta a aprender é muito gratificante”, afirmou.
Ricardo Amorim ainda pontua que “com o novo trator e o conhecimento adquirido no curso, a comunidade do Formigueiro dá mais um passo rumo ao fortalecimento da produção agrícola local, reforçando o papel da agricultura familiar como base do desenvolvimento sustentável de Várzea Grande”.
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Entre lágrimas, abraços e esperança: Histórias de quem dedica a vida ao cuidado da população
“Eu saí no quintal para chorar”. A frase simples, dita pela Agente Comunitária de Saúde, Francisca dos Santos Barata, carrega quase duas décadas de dedicação ao cuidado com o próximo. Aos 70 anos, Francisca revive na memória uma das cenas mais marcantes da sua trajetória: a visita a uma moradora encontrada debilitada, sozinha, desidratada e tomada por piolhos dentro da própria casa, na região do Capão Grande.
Agente Comunitária de Saúde da Unidade Maria José Pedrosa, do bairro Capão Grande, desde 2007, Francisca lembra que, ao ver a situação da paciente, sentiu o coração apertar. Voltou ao local junto com a enfermeira-chefe da unidade, e juntas, iniciaram um verdadeiro mutirão de cuidado humano. Deram banho na paciente, limparam a casa, providenciaram roupas e lençóis e passaram a acompanhá-la constantemente.
“Eu peguei roupa da minha casa para ajudar ela. A gente acompanhava, fazia visitas, conversava. Ela estava em depressão por problemas familiares”, relembra emocionada.
O cuidado contínuo mudou a vida da moradora, que conseguiu superar o quadro de abandono e reconstruir a própria história. Hoje vivendo no Rio Grande do Sul, ela mantém contato frequente com Francisca e costuma repetir uma frase que emociona a agente até hoje: “Se não fosse você, eu não estaria viva”.
Histórias como essas mostram que a rotina dos agentes vai muito além das visitas domiciliares. É um trabalho silencioso, diário e profundamente humano.
CATEGORIA VALORIZADA – No último dia 25, a Prefeitura realizou a posse de 48 Agentes de Combate às Endemias e de 86 Agentes Comunitários de Saúde. A efetivação dos profissionais foi possível após uma articulação inédita conduzida pela prefeita Flávia Moretti (PL), junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), que autorizou a incorporação dos ACS e ACE ao regime estatutário, tornando Várzea Grande o primeiro município do estado a cumprir a Lei Federal nº 14.536/2023 e servindo de referência na valorização e reconhecimento desses profissionais.
Entre os profissionais empossados também estava Suzana Nádia Romão, Agente de Combate às Endemias que iniciou a carreira aos 19 anos e hoje soma 24 anos de atuação. “É um momento de vitória, inexplicável, sem palavras. Só quero agradecer”, disse emocionada durante a cerimônia.
Mas foi ao lembrar de uma história vivida há 16 anos que Suzana traduziu o tamanho do vínculo criado com a comunidade ao longo da profissão.
Ela conta que uma colega de trabalho havia sido vítima de feminicídio. A notícia se espalhou rapidamente e chegou até uma antiga área onde Suzana atuava. No horário de almoço, uma moradora apareceu desesperada na frente da casa dela, pedalando uma bicicleta.
“Ela gritava no meu portão. Quando eu apareci, ela jogou a bicicleta no chão e veio me abraçar com as mãos tremendo, geladas. Ela dizia: ‘Ô minha baixinha, não foi você? Achei que era você que aquele homem tinha matado’”, relembra.
Naquele instante, Suzana chorou junto com a moradora. “Ali eu tive a confirmação de que estava exercendo a profissão que Deus preparou para mim. Eu percebi que estava deixando um legado por onde passava, criando vínculos não só profissionais, mas humanos”, disse.
As histórias de Francisca e de Suzana representam a realidade de centenas de agentes que enfrentam sol, chuva, distância e dores sociais diariamente para garantir dignidade, prevenção e acolhimento à população.
Mais do que profissionais da saúde pública, eles se tornaram presença constante na vida de milhares de famílias — muitas vezes sendo o primeiro abraço, o primeiro cuidado e a primeira esperança dentro de uma casa que não é a deles.
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