Várzea Grande
Comitê de Enfrentamento aos Alagamentos realiza reunião semanal para alinhar ações preventivas e emergenciais
Várzea Grande
Durante o encontro, foram abordados temas relacionados às atribuições de cada pasta diante de situações emergenciais causadas pela força da natureza, com foco na agilidade e na comunicação entre os órgãos envolvidos
Representantes de diversas secretarias municipais que compõem o Comitê de Enfrentamento aos Alagamentos de Várzea Grande se reuniram na manhã desta quinta-feira (23) para discutir medidas de prevenção e resposta a possíveis ocorrências durante o período de chuvas.
Criado pela prefeita Flávia Moretti (PL), o Comitê tem como objetivo integrar as secretarias municipais e garantir respostas rápidas e coordenadas em situações de risco, minimizando os impactos das chuvas e prevenindo alagamentos.
Durante o encontro, foram abordados temas relacionados às atribuições de cada pasta diante de situações emergenciais causadas pela força da natureza, com foco na agilidade das ações e na comunicação integrada entre os órgãos envolvidos.
Entre os assuntos tratados, destacou-se a remoção de lixos e entulhos arrastados pelas águas das últimas chuvas e a elaboração de materiais informativos, em formato impresso e digital, para orientar os moradores sobre a destinação correta dos resíduos. O descarte irregular de lixo tem sido um dos principais fatores que contribuem para o entupimento de bocas de lobo e o consequente alagamento de vias em regiões mais vulneráveis.
Também foi apresentada a proposta de cercamento de áreas de córregos e passagens de água, como forma de prevenir o descarte irregular de resíduos. A ação, em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural Sustentável, será discutida entre os gestores para definir a melhor forma de implantação. O objetivo é impedir que restos de construção, galhos, móveis e outros tipos de entulho sejam depositados em córregos, canais e margens de rios, evitando o bloqueio do fluxo natural das águas.
Outro ponto discutido pelo comitê foi o monitoramento das áreas de risco ocupadas de forma irregular, que dificultam a execução de ações legais e preventivas por parte do poder público. Esses locais continuam sendo acompanhados pela Defesa Civil, que atua em conjunto com as demais secretarias.
IN LOCO – O Comitê teve sua primeira atuação durante a chuva do último sábado (18) e também na noite de quarta-feira (22), quando as equipes estiveram mobilizadas em diversos pontos da cidade para garantir o escoamento das águas e evitar transtornos à população. A avaliação até o momento é de que a situação está sob controle, mas o grupo reforça que é necessário seguir atuando e monitorando continuamente as áreas críticas.
O secretário de Viação e Obras, Celso Pereira, classificou a reunião como produtiva e reforçou a importância da colaboração da população.
“As equipes estão mobilizadas e prontas para agir sempre que necessário, mas é fundamental que cada morador faça sua parte, evitando o descarte irregular de lixo e entulho, que acaba prejudicando toda a cidade”, destacou o secretário.
ATENÇÃO – Em caso de emergência, a população pode acionar a Defesa Civil pelo número 65 98475-7112 ou a Guarda Municipal pelo 153.
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Várzea Grande
Entre lágrimas, abraços e esperança: Histórias de quem dedica a vida ao cuidado da população
“Eu saí no quintal para chorar”. A frase simples, dita pela Agente Comunitária de Saúde, Francisca dos Santos Barata, carrega quase duas décadas de dedicação ao cuidado com o próximo. Aos 70 anos, Francisca revive na memória uma das cenas mais marcantes da sua trajetória: a visita a uma moradora encontrada debilitada, sozinha, desidratada e tomada por piolhos dentro da própria casa, na região do Capão Grande.
Agente Comunitária de Saúde da Unidade Maria José Pedrosa, do bairro Capão Grande, desde 2007, Francisca lembra que, ao ver a situação da paciente, sentiu o coração apertar. Voltou ao local junto com a enfermeira-chefe da unidade, e juntas, iniciaram um verdadeiro mutirão de cuidado humano. Deram banho na paciente, limparam a casa, providenciaram roupas e lençóis e passaram a acompanhá-la constantemente.
“Eu peguei roupa da minha casa para ajudar ela. A gente acompanhava, fazia visitas, conversava. Ela estava em depressão por problemas familiares”, relembra emocionada.
O cuidado contínuo mudou a vida da moradora, que conseguiu superar o quadro de abandono e reconstruir a própria história. Hoje vivendo no Rio Grande do Sul, ela mantém contato frequente com Francisca e costuma repetir uma frase que emociona a agente até hoje: “Se não fosse você, eu não estaria viva”.
Histórias como essas mostram que a rotina dos agentes vai muito além das visitas domiciliares. É um trabalho silencioso, diário e profundamente humano.
CATEGORIA VALORIZADA – No último dia 25, a Prefeitura realizou a posse de 48 Agentes de Combate às Endemias e de 86 Agentes Comunitários de Saúde. A efetivação dos profissionais foi possível após uma articulação inédita conduzida pela prefeita Flávia Moretti (PL), junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), que autorizou a incorporação dos ACS e ACE ao regime estatutário, tornando Várzea Grande o primeiro município do estado a cumprir a Lei Federal nº 14.536/2023 e servindo de referência na valorização e reconhecimento desses profissionais.
Entre os profissionais empossados também estava Suzana Nádia Romão, Agente de Combate às Endemias que iniciou a carreira aos 19 anos e hoje soma 24 anos de atuação. “É um momento de vitória, inexplicável, sem palavras. Só quero agradecer”, disse emocionada durante a cerimônia.
Mas foi ao lembrar de uma história vivida há 16 anos que Suzana traduziu o tamanho do vínculo criado com a comunidade ao longo da profissão.
Ela conta que uma colega de trabalho havia sido vítima de feminicídio. A notícia se espalhou rapidamente e chegou até uma antiga área onde Suzana atuava. No horário de almoço, uma moradora apareceu desesperada na frente da casa dela, pedalando uma bicicleta.
“Ela gritava no meu portão. Quando eu apareci, ela jogou a bicicleta no chão e veio me abraçar com as mãos tremendo, geladas. Ela dizia: ‘Ô minha baixinha, não foi você? Achei que era você que aquele homem tinha matado’”, relembra.
Naquele instante, Suzana chorou junto com a moradora. “Ali eu tive a confirmação de que estava exercendo a profissão que Deus preparou para mim. Eu percebi que estava deixando um legado por onde passava, criando vínculos não só profissionais, mas humanos”, disse.
As histórias de Francisca e de Suzana representam a realidade de centenas de agentes que enfrentam sol, chuva, distância e dores sociais diariamente para garantir dignidade, prevenção e acolhimento à população.
Mais do que profissionais da saúde pública, eles se tornaram presença constante na vida de milhares de famílias — muitas vezes sendo o primeiro abraço, o primeiro cuidado e a primeira esperança dentro de uma casa que não é a deles.
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