Agricultura
Safra de grãos deve crescer em 2025/26, apesar de queda na produtividade
Agricultura
A produção de grãos em Minas Gerais caminha para um leve crescimento na safra 2025/2026, mesmo diante de desafios climáticos e de uma redução na produtividade média. A estimativa é de que o Estado colha 18,7 milhões de toneladas, volume 1,6% superior ao registrado no ciclo anterior, segundo dados consolidados a partir do terceiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
O avanço da produção está ancorado principalmente na expansão da área plantada, que deve alcançar 4,5 milhões de hectares, crescimento de 3,6%. Em contrapartida, a produtividade média tende a recuar 2%, ficando próxima de 4,2 toneladas por hectare, reflexo das oscilações climáticas registradas ao longo do plantio.
As chuvas tiveram comportamento irregular no Estado. Em boa parte das regiões produtoras, os volumes mensais superaram os 90 milímetros, o que ajudou a recompor a umidade do solo e favoreceu o desenvolvimento das lavouras. No entanto, áreas do Norte de Minas e do Triângulo Mineiro enfrentaram acumulados abaixo do necessário, limitando a recuperação hídrica em alguns talhões.
Soja e milho concentram produção
Soja e milho seguem como os pilares da produção mineira, respondendo juntas por cerca de 85% do total colhido, o equivalente a aproximadamente 16 milhões de toneladas nesta safra. Apesar de manterem a liderança, ambas as culturas enfrentaram atrasos e ajustes no calendário.
O plantio da soja avançou de forma mais lenta entre outubro e novembro, principalmente por causa da baixa umidade do solo em diversas regiões. Ao fim de novembro, pouco mais de 85% da área prevista havia sido semeada, abaixo do ritmo observado no ciclo anterior. Em algumas áreas, houve redução de estande, mas os replantios foram pontuais. O quadro geral da cultura é considerado regular.
No milho de primeira safra, o avanço do plantio chegou a cerca de 74% da área estimada, percentual inferior ao do ano passado. A priorização da soja, especialmente nas regiões mais tecnificadas, contribuiu para esse ritmo mais lento. Ainda assim, a avaliação predominante é de bom desenvolvimento das lavouras, apesar das adversidades climáticas.
Outras culturas ganham espaço
Além das principais culturas, o levantamento aponta crescimento na área e na produção de algodão, amendoim, feijão, sorgo e milho, reforçando a diversificação agrícola no Estado. O plantio do algodão, inclusive, já começou em algumas regiões.
O amendoim segue ampliando área pelo segundo ano consecutivo, impulsionado por melhor rentabilidade e valores de arrendamento mais atrativos em comparação à soja. A semeadura ocorreu mais tarde, em função da irregularidade das chuvas, e as lavouras ainda estão nos estádios iniciais de desenvolvimento.
No caso do arroz, o cenário varia conforme a região. No Sul de Minas, onde predomina o cultivo irrigado, o plantio já foi concluído e as lavouras apresentam bom desenvolvimento vegetativo. No Norte do Estado, tanto as áreas de sequeiro quanto as de várzea também finalizaram o plantio. Já no Noroeste e no Triângulo Mineiro, a tendência é de redução expressiva da área cultivada, influenciada principalmente pelos preços pouco atrativos do cereal, com a cultura ficando restrita a áreas em sucessão à soja irrigada.
Feijão avança apesar de entraves
O feijão de primeira safra avançou mesmo com a concorrência por máquinas e mão de obra com a soja. Até o fim de novembro, cerca de 75% da área prevista havia sido plantada. Onde há irrigação complementar, as lavouras apresentam bom potencial produtivo, e as operações seguem em ritmo considerado satisfatório pelos técnicos.
No conjunto, a safra 2025/26 em Minas Gerais confirma um cenário de crescimento moderado, sustentado pela ampliação da área cultivada, mas ainda dependente do comportamento do clima nos próximos meses para consolidar os resultados no campo.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Nova safra de soja pode superar 22,6 milhões de toneladas, estima Deral
A primeira estimativa para a safra 2026/27, divulgada nesta quinta-feira (27.09), aponta uma nova expansão da produção de soja, com 22,64 milhões de toneladas previstas, crescimento de 4% em relação ao ciclo atual. O avanço deve ocorrer praticamente sem aumento da área plantada, sustentado principalmente pela expectativa de maior produtividade nas lavouras.
A projeção foi divulgada pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), e coloca a produtividade como principal fator para o crescimento esperado na próxima temporada.
A área destinada à soja está estimada em 5,76 milhões de hectares, apenas 0,5% acima dos 5,73 milhões de hectares cultivados em 2025/26. Já o rendimento médio deve passar de 3.802 para 3.930 quilos por hectare, avanço de aproximadamente 3,4%.
Se a previsão se confirmar, serão quase 840 mil toneladas adicionais de soja sem uma expansão proporcional das lavouras. O resultado reforçaria um movimento importante para o produtor em um momento de margens mais apertadas, no qual elevar a produção por hectare tende a ser mais relevante do que simplesmente aumentar a área cultivada.
A estimativa parte de uma base já elevada. Para 2025/26, o Deral calcula produção de 21,80 milhões de toneladas, 3% superior às 21,14 milhões de toneladas colhidas em 2024/25. A projeção praticamente não mudou em relação ao levantamento anterior.
O desempenho da próxima temporada, entretanto, ainda dependerá principalmente do clima. A projeção inicial trabalha com condições consideradas normais de desenvolvimento, enquanto o plantio e as fases mais importantes para definição da produtividade ocorrerão ao longo dos próximos meses.
Milho verão mantém produção acima de 4 milhões de toneladas
Para o milho da primeira safra, a expectativa é de estabilidade. A produção está projetada em 4,10 milhões de toneladas em 2026/27, apenas 1% abaixo dos 4,14 milhões de toneladas obtidos no ciclo atual.
A área, por outro lado, deve crescer 2%, passando de 365,7 mil para 373 mil hectares. A produtividade esperada é de 10.984 quilos por hectare.
O número chama atenção pelo elevado rendimento do milho verão, que permanece concentrado em uma área muito menor do que a ocupada pela segunda safra. A maior parte do milho paranaense é produzida depois da colheita da soja.
Na temporada 2025/26, o milho verão apresentou forte recuperação. As 4,14 milhões de toneladas representam crescimento de 36% em relação às 3,05 milhões de toneladas colhidas no ciclo anterior.
A segunda safra de milho, atualmente em fase final, também recebeu uma revisão positiva. O Deral elevou sua estimativa de 17,05 milhões para 17,32 milhões de toneladas, acréscimo de aproximadamente 270 mil toneladas em relação à previsão de julho.
Mesmo com a revisão, o volume permanece 3% abaixo das 17,90 milhões de toneladas obtidas em 2024/25. A área cresceu 3%, para 2,917 milhões de hectares, mas a produtividade caiu de 6.317 para 5.940 quilos por hectare.
Trigo perde área e produção
O quadro é menos favorável para o trigo. A estimativa para a safra 2025/26 caiu para 2,37 milhões de toneladas, redução de 18% frente às 2,88 milhões de toneladas do ciclo anterior.
A retração combina menor área e menor produtividade. O plantio recuou 11%, para 726,9 mil hectares, enquanto o rendimento médio está estimado em 3.259 quilos por hectare, ante 3.526 quilos na temporada passada.
A primeira fotografia da safra 2026/27, portanto, indica que a soja continuará ocupando praticamente a mesma área, mas poderá entregar uma produção maior. Para o produtor, o desafio será transformar o ganho esperado de produtividade em resultado financeiro num cenário em que custos de produção e preços recebidos continuam determinantes para a margem da atividade.
Fonte: Pensar Agro
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