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Com agro em alta, superávit comercial tem segundo melhor janeiro da história

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A balança comercial brasileira começou 2026 no azul e com forte participação do campo. Dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) indicam que janeiro fechou com superávit de aproximadamente R$ 23,45 bilhões, resultado 85,8% maior que o registrado no mesmo mês de 2025, quando o saldo positivo havia sido de cerca de R$ 12,62 bilhões.

O desempenho foi o segundo melhor para meses de janeiro desde o início da série histórica, ficando atrás apenas de janeiro de 2024, quando o saldo havia atingido cerca de R$ 33,46 bilhões.

O resultado foi influenciado principalmente pela queda das importações, reflexo da desaceleração econômica e da redução das compras externas de combustíveis e bens de investimento. Ainda assim, o setor agropecuário teve papel decisivo para manter o saldo positivo.

As exportações totais configuraram o terceiro melhor janeiro da série iniciada em 1989, enquanto as importações registraram o segundo maior valor para o mês — perdendo apenas para o ano passado.

No campo, os números mostram o peso do agro no início do calendário comercial. As exportações de soja cresceram 91,7% em relação a janeiro de 2025, impulsionadas pela antecipação de embarques da nova safra. Já as vendas externas de milho não moído avançaram 18,8%.

Por outro lado, o petróleo bruto contribuiu negativamente para o desempenho geral, com queda de cerca de R$ 1,97 bilhão nas exportações em relação a janeiro do ano passado — variação considerada comum por causa de paradas programadas em plataformas.

A retração das importações esteve ligada principalmente à menor compra de petróleo e derivados, além da redução de investimentos industriais.

Para 2026, o Mdic projeta superávit comercial entre R$ 378 bilhões e R$ 486 bilhões. As exportações devem ficar entre R$ 1,836 trilhão e R$ 2,052 trilhões, enquanto as importações devem variar de R$ 1,458 trilhão a R$ 1,566 trilhão.

No ano passado, o saldo comercial brasileiro foi de aproximadamente R$ 368,8 bilhões. O recorde segue sendo o de 2023, quando o país registrou cerca de R$ 534 bilhões.

O início do ano reforça uma tendência observada nos últimos ciclos: mesmo com oscilações na indústria e na energia, o agronegócio continua funcionando como principal estabilizador das contas externas brasileiras — especialmente nos primeiros meses da safra.

Fonte: Pensar Agro

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Câmara avança em mudança na lei e pode simplificar regras

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A Câmara dos Deputados deu mais um passo para revisar o marco legal da aquicultura no país, em uma tentativa de adequar a legislação à expansão recente da atividade e reduzir gargalos regulatórios que ainda limitam investimentos, sobretudo fora de áreas públicas.

A proposta em análise altera a lei que organiza a política nacional do setor e introduz um ponto central: a separação clara entre a produção realizada em corpos d’água naturais — como rios, lagos e reservatórios — e aquela conduzida em estruturas artificiais dentro de propriedades privadas. Hoje, esses dois modelos convivem sob regras semelhantes, apesar de apresentarem níveis distintos de controle e impacto.

Na prática, a mudança tende a aliviar exigências para produtores que operam em sistemas fechados, como viveiros e tanques escavados, onde o manejo é mais previsível e o risco ambiental é mais controlado. O objetivo é dar mais segurança jurídica e reduzir o tempo e o custo de regularização, pontos frequentemente apontados como entraves para expansão da atividade.

O texto foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça, após já ter passado pela Comissão de Agricultura, e recebeu aval quanto à legalidade e à técnica legislativa. Como tramita em caráter conclusivo, poderá seguir diretamente ao Senado, caso não haja pedido para votação no plenário.

A leitura no setor é de que a iniciativa corrige uma distorção histórica da legislação, que acabou tratando de forma uniforme sistemas produtivos com características muito diferentes. Ao separar os ambientes, a proposta cria uma base mais alinhada à realidade da produção aquícola atual, que vem crescendo principalmente dentro de propriedades privadas.

Mesmo com o avanço, o controle sobre a atividade em águas públicas permanece mais rigoroso, mantendo a necessidade de autorizações e regras específicas. Já para a produção em ambiente artificial, a expectativa é de um ambiente regulatório mais simples e previsível.

Para o produtor, o impacto direto tende a aparecer na redução da burocracia e no aumento da segurança para investir. Em um setor que ainda busca ganhar escala no Brasil, mudanças desse tipo podem acelerar projetos e ampliar a participação da aquicultura na renda dentro da porteira.

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