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Brasil colhe safra recorde de maçã e exportações somam R$ 249 milhões

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O Brasil colheu cerca de 1,6 milhão de toneladas de maçã na safra 2025/26, o maior volume já registrado no País, segundo a Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM). A produção supera em aproximadamente 23% o recorde anterior, de 1,3 milhão de toneladas, de 2017, e amplia a oferta depois de duas temporadas com colheitas próximas de 850 mil toneladas cada.

A recuperação também chegou ao comércio exterior. No balanço divulgado pela entidade nesta quarta-feira (21.10), os embarques de 2026 somavam 48,6 mil toneladas, com receita equivalente a R$ 249,37 milhões. O volume é 3,7 vezes o informado para 2025, de 13 mil toneladas.

A receita foi convertida pela Ptax de venda do Banco Central de 21 de outubro, de R$ 5,0277. O valor em reais serve como referência e não corresponde necessariamente ao câmbio contratado pelos exportadores.

Santa Catarina e Rio Grande do Sul concentram a produção brasileira. No levantamento da ABPM, os catarinenses colheram cerca de 830 mil toneladas, e os gaúchos, 710 mil. Juntos, responderam por aproximadamente 96% da safra nacional. O Paraná aparece na sequência, com 50 mil toneladas.

A colheita maior representa uma recuperação importante para os pomares, mas aumenta a necessidade de organizar as vendas. Como parte das frutas permanece armazenada para abastecer o mercado ao longo do ano, o ritmo de saída dos estoques influencia os preços recebidos pela cadeia.

Esse efeito aparece no acompanhamento da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri). Segundo o boletim de outubro, os preços da maçã no atacado catarinense ficaram, no terceiro trimestre, 32,4% abaixo dos registrados um ano antes, em razão dos estoques elevados da safra 2025/26.

Houve, porém, reação recente. Entre agosto e setembro, o preço médio na Centrais de Abastecimento de Santa Catarina (Ceasa/SC) subiu 17,8%, para R$ 105,63 por caixa de 18 quilos. A referência é do atacado e não deve ser confundida com a remuneração recebida pelo agricultor na propriedade.

Para distribuir a oferta ao longo dos meses, cooperativas e empresas responsáveis pela classificação das frutas vêm escalonando a comercialização, conforme a Epagri. A estratégia busca evitar que grandes volumes cheguem ao mercado ao mesmo tempo.

As exportações ajudam nesse escoamento, embora tenham ficado abaixo das 100 mil toneladas inicialmente projetadas pela ABPM. Segundo a associação, dificuldades comerciais e logísticas relacionadas ao conflito no Oriente Médio limitaram os negócios e aumentaram a concorrência em outros destinos.

A Índia foi o principal comprador da maçã brasileira no balanço apresentado, com 18,1 mil toneladas, seguida pela Arábia Saudita, com 10,1 mil. Os dois mercados receberam cerca de 58% do volume exportado. A entidade defende a abertura de destinos como México e Malásia para ampliar as alternativas de venda.

Enquanto comercializa a produção armazenada, o setor acompanha os pomares da safra 2026/27. A ABPM informa condições iniciais favoráveis de inverno e florada, mas a quantidade e a qualidade das frutas ainda dependerão do desenvolvimento até a colheita, prevista para começar no início de 2027.

Para o produtor, os próximos meses combinam o acompanhamento da nova safra com as decisões sobre os estoques da anterior. A recuperação da colheita e das exportações amplia os negócios; preservar a qualidade da fruta e escolher o momento de venda continuam decisivos para transformar volume em renda.

Fonte: Pensar Agro

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Exportações do agro crescem 21% e superam R$ 20 bilhões em outubro

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O desempenho foi acompanhado pela expansão de produtos agroindustriais, como carne de frango e celulose. Outras cadeias, porém, seguiram na direção contrária: carne bovina e açúcar registraram queda de receita. O resultado mostra que o aumento das exportações brasileiras chega de maneira diferente às atividades do campo.

No conjunto da economia, as exportações somaram aproximadamente R$ 105,78 bilhões, enquanto as importações alcançaram R$ 75,82 bilhões. A diferença resultou em superávit de R$ 29,97 bilhões. Na base comparativa apresentada pelo MDIC, as vendas externas cresceram 33,5%, acima dos 21,5% das compras internacionais.

O levantamento ainda é parcial e não representa o fechamento de outubro. Também é necessário distinguir o valor comercializado da quantidade embarcada: a receita varia tanto pelos volumes negociados quanto pelos preços dos produtos.

Na agropecuária, além da soja, as exportações de animais vivos, exceto pescados e crustáceos, avançaram 242,8%. Em contrapartida, as vendas de produtos hortícolas frescos ou refrigerados caíram 24,5%, e as de especiarias recuaram 11,6%. O grupo de sementes de girassol, gergelim, canola, algodão e outras oleaginosas apresentou redução de 53,6%.

Os produtos processados pela agroindústria aparecem em outra classificação do levantamento: a indústria de transformação. Nesse grupo, as exportações de carnes de aves e miudezas cresceram 41,5%, enquanto a celulose avançou 48,2%. A carne bovina fresca, refrigerada ou congelada teve queda de 24,4%, e açúcares e melaços recuaram 28,4%.

Por isso, os R$ 20,56 bilhões classificados como agropecuária não representam todas as exportações do agronegócio. Carnes, açúcar e celulose também integram cadeias ligadas à produção rural, mas entram nas estatísticas industriais.

Do lado das importações, houve redução de 15% no valor das compras de adubos e fertilizantes químicos, exceto os classificados como brutos. O grupo que reúne inseticidas, fungicidas, herbicidas, reguladores de crescimento, desinfetantes e semelhantes apresentou recuo de 16,2%.

A diminuição do gasto externo com esses produtos, entretanto, não comprova que o preço entregue na fazenda tenha caído. O resultado também depende da quantidade importada e dos tipos de insumos adquiridos. Para o agricultor, a comparação precisa considerar a cotação do fornecedor, o frete, o prazo de entrega e as condições de pagamento.

As importações da agropecuária somaram cerca de R$ 1,51 bilhão, alta de 23,3%. Entre os produtos, o valor das compras de trigo e centeio não moídos aumentou 27%, enquanto o de soja avançou 36,5%.

Fora do agro, o petróleo contribuiu para o crescimento das exportações nacionais. A indústria extrativa registrou expansão de 70,7%, com vendas equivalentes a R$ 32,18 bilhões. Esse avanço ajuda a explicar por que o resultado geral do comércio exterior supera o crescimento observado na agropecuária.

De janeiro até a terceira semana de outubro, o Brasil acumulou exportações equivalentes a R$ 1,54 trilhão e importações de R$ 1,19 trilhão, consideradas pela mesma taxa de conversão. O saldo positivo chegou a aproximadamente R$ 343,64 bilhões.

Para o produtor, a expansão das vendas externas é um sinal favorável ao escoamento da produção, mas precisa ser acompanhada por produto. Receita de exportação maior não garante, sozinha, preço melhor na propriedade: custos, câmbio, fretes e condições locais de comercialização continuam determinantes para a margem da atividade.

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