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Alta externa e recomposição de estoques reativam mercado de trigo no Brasil

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Mesmo produzindo cerca de 8 milhões de toneladas de trigo por ano, o Brasil ainda depende fortemente do cereal importado para abastecer o mercado interno. O consumo nacional gira entre 12 milhões e 13 milhões de toneladas anuais, o que obriga o país a importar volumes próximos de 6 milhões a 7 milhões de toneladas por ano, principalmente da Argentina e do Paraguai.

Esse quadro estrutural ajuda a explicar por que movimentos no mercado internacional têm impacto direto sobre as negociações internas. Nas últimas semanas, a valorização do trigo nas bolsas globais e a necessidade de recomposição de estoques por parte dos moinhos voltaram a movimentar o mercado brasileiro, após um período de baixa liquidez.

A retomada das compras ocorreu principalmente no Sul, responsável por mais de 80% da produção nacional. No Rio Grande do Sul, negócios com trigo pão chegaram a cerca de R$ 1.250 por tonelada posto moinho, sinalizando maior disposição da indústria em garantir matéria-prima.

O aumento da demanda ocorre em um momento de oferta relativamente restrita. Parte dos produtores ainda mantém estoques da última safra, mas muitos optam por segurar o produto diante da expectativa de novos reajustes.

No interior gaúcho, os preços pagos ao produtor já se aproximam de R$ 55 por saca em algumas regiões. O cereal também tem sido procurado por indústrias do Paraná e de Santa Catarina, ampliando o fluxo interestadual de negociações.

No Paraná, as cotações registraram recuperação gradual. Negócios foram reportados próximos de R$ 1.250 por tonelada, com algumas ofertas chegando a R$ 1.300 em regiões do norte do estado. No oeste paranaense, porém, a competitividade do trigo importado do Paraguai ainda limita a liquidez.

Em Santa Catarina, o mercado permanece mais estável, com negócios pontuais e volumes reduzidos. Lotes de trigo de melhor qualidade foram negociados ao redor de R$ 1.250 por tonelada, enquanto os preços pagos ao produtor variaram entre R$ 59 e R$ 64 por saca.

Outro fator que tem restringido a oferta no mercado interno é o calendário agrícola. Com a colheita da soja em andamento, produtores têm priorizado a comercialização da oleaginosa, o que reduz temporariamente a disponibilidade de trigo no mercado físico.

Esse comportamento contribui para manter uma disputa entre compradores e vendedores. Enquanto moinhos buscam recompor estoques diante da alta externa, muitos produtores resistem a vender esperando preços mais elevados.

O ambiente externo reforça esse movimento. Nas últimas semanas, os contratos futuros de trigo negociados em Chicago voltaram a superar US$ 6 por bushel, impulsionados por preocupações com o clima em regiões produtoras e por tensões geopolíticas que afetam rotas comerciais no Mar Negro.

Esses fatores têm efeito direto sobre o Brasil, já que o país permanece estruturalmente dependente do cereal importado.

Apesar de avanços recentes na produção, o Brasil ainda está longe da autossuficiência em trigo. Em 2024, a colheita nacional ficou próxima de 8 milhões de toneladas, enquanto a demanda interna superou 12 milhões de toneladas, obrigando o país a recorrer ao mercado externo para preencher o déficit.

Esse cenário faz com que oscilações internacionais de preço e oferta continuem sendo determinantes para a formação das cotações no mercado interno.

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócio brasileiro movimenta R$ 446 bilhões e bate recorde no semestre

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As exportações do agronegócio brasileiro somaram o equivalente a R$ 446 bilhões no primeiro semestre de 2026, maior valor já registrado para o período. O resultado representa crescimento de 6,2% em relação aos seis primeiros meses de 2025 e foi impulsionado principalmente pela soja, pelas carnes e pelo algodão.

Os embarques do setor responderam por 47,1% de tudo o que o Brasil vendeu ao exterior entre janeiro e junho. A participação, porém, ficou abaixo dos 49,5% registrados um ano antes, porque as exportações dos demais setores avançaram 16,7% no período.

Somente em junho, as vendas externas do agro alcançaram R$ 85 bilhões, alta de 14% na comparação com o mesmo mês de 2025 e novo recorde para o mês. O crescimento resultou da combinação entre aumento de 7,2% no volume embarcado e valorização de 6,4% dos preços médios.

As importações de produtos do agronegócio ficaram em aproximadamente R$ 51,2 bilhões no semestre, queda de 1,1%. Com isso, o setor acumulou superávit de cerca de R$ 394,2 bilhões. Esse cálculo não inclui insumos utilizados na produção, como fertilizantes e defensivos agrícolas, conforme os dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), elaborados com informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

O complexo soja liderou a pauta, com R$ 178,7 bilhões em exportações e participação de 40,1% no total do agronegócio. Considerada isoladamente, a soja em grão gerou R$ 149 bilhões e respondeu por aproximadamente um terço da receita externa do setor.

O Brasil embarcou 69,6 milhões de toneladas de soja entre janeiro e junho, volume 7,1% superior ao do mesmo período de 2025 e recorde para um primeiro semestre. O preço médio aumentou 7%, alcançando o equivalente a R$ 2.144 por tonelada. A China recebeu cerca de 69% do grão exportado.

O farelo de soja também bateu recorde, com 12,7 milhões de toneladas embarcadas, crescimento de 11,4%. A receita chegou a R$ 23,6 bilhões, alta de 14,8%. O avanço dos derivados ocorreu em meio ao aumento do processamento doméstico da oleaginosa.

As carnes formaram o segundo maior grupo da pauta exportadora, com receita de R$ 90,1 bilhões e participação de 20,2%. A carne bovina in natura respondeu por R$ 46,6 bilhões, alta de 38,5%. O volume chegou a 1,5 milhão de toneladas, crescimento de 16,2%.

O desempenho da carne bovina foi sustentado tanto pelo aumento dos embarques quanto pela valorização de aproximadamente 19% no preço médio. A China concentrou 52% das compras, enquanto os Estados Unidos responderam por 12%.

As exportações de carne de frango in natura alcançaram R$ 25,6 bilhões, avanço de 17,8%, com 2,5 milhões de toneladas embarcadas. O volume aumentou 13,7%. A carne suína também atingiu recorde: R$ 8,7 bilhões em receita e 683,8 mil toneladas exportadas, altas de 7,3% e 8,5%, respectivamente.

O algodão gerou R$ 14,3 bilhões em vendas externas, crescimento de 12,5%. Os embarques avançaram 21,4% e chegaram a 1,8 milhão de toneladas. A diferença entre o aumento do volume e da receita ocorreu porque o preço médio da fibra caiu cerca de 7%.

O milho rendeu aproximadamente R$ 8,7 bilhões no semestre, alta de 20,6%. Foram exportadas quase 7,9 milhões de toneladas, crescimento de 22%, favorecido principalmente pelo avanço das compras do Vietnã e do Egito.

A expansão da soja, das carnes e do algodão compensou as perdas registradas por outras cadeias. A receita com açúcar bruto caiu 24,5%, reflexo principalmente da redução de 21,9% no preço médio e de uma pequena retração nos embarques.

O etanol apresentou a maior queda em volume. As exportações totalizaram 349 mil metros cúbicos, 53% abaixo do primeiro semestre de 2025. O preço médio subiu 7%, mas não foi suficiente para compensar a redução das vendas.

O café verde também perdeu espaço. Os embarques recuaram 17%, para 930 mil toneladas, enquanto a receita diminuiu na mesma proporção. O preço médio apresentou queda de aproximadamente 1%.

A China permaneceu como principal destino dos produtos brasileiros, com compras equivalentes a R$ 156,2 bilhões, alta de 10,5%. O país respondeu por 35,1% das exportações do agronegócio, puxadas principalmente por soja, carne bovina e algodão.

A União Europeia ocupou a segunda posição, com R$ 64,5 bilhões e crescimento de 4,6%. O Oriente Médio comprou R$ 29,2 bilhões, avanço de 4%. Juntos, os dois mercados concentraram 21% da receita externa do agro.

As vendas para os Estados Unidos seguiram na direção contrária e caíram 25,1%, para R$ 25,6 bilhões. A participação norte-americana recuou de 8% para 6%, principalmente pela redução das receitas com café verde, suco de laranja e sebo bovino. O crescimento das exportações de carne bovina evitou uma retração ainda maior.

Os valores originalmente apurados no comércio internacional foram convertidos pela cotação de R$ 5,12, referência de 10 de julho.

Fonte: Pensar Agro

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