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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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Vasco vence o Cruzeiro em São Januário antes de decisões pela Copa do Brasil

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O Vasco venceu o Cruzeiro por 3 a 1 na noite deste sábado (29), em São Januário, pelo Campeonato Brasileiro. A equipe carioca construiu a vantagem ainda no segundo tempo e garantiu um resultado importante antes do confronto contra o Vitória, pela Copa do Brasil.

O jogo

O placar foi aberto aos 33 minutos do primeiro tempo. Após lançamento de Facundo Colidio, Tchê Tchê disputou a bola com Matheus Henrique, levou a melhor e finalizou na saída do goleiro Otávio para colocar o Vasco em vantagem.

O time da casa ampliou aos nove minutos da segunda etapa. Em uma jogada iniciada a partir de um escanteio, Lucas Piton recebeu passe de Adson e cruzou para a área. A bola passou por Carlos Cuesta e encontrou Lucas Freitas livre na segunda trave. O zagueiro cabeceou e marcou o segundo gol vascaíno.

Na reta final da partida, o Vasco voltou a balançar as redes. Aos 46 minutos, Ramon Rique recebeu pela esquerda e levantou a bola na área. David apareceu bem posicionado e cabeceou para fazer o terceiro gol dos donos da casa.

O Cruzeiro conseguiu diminuir a diferença aos 49 minutos. Matheus Pereira cobrou escanteio curto e cruzou para Felipe Morais, que cabeceou para marcar o gol da equipe mineira.

Com o resultado, o Vasco chega embalado para o próximo compromisso, que será novamente decisivo. O time enfrentará o Vitória na quarta-feira (2 de setembro), às 21h30, no Barradão, em Salvador, pelo jogo de volta das quartas de final da Copa do Brasil.

O Cruzeiro terá pela frente o Atlético-MG na terça-feira (1º), às 21h, na Arena MRV, em Belo Horizonte. O clássico será válido pela partida de volta das quartas de final da Copa do Brasil.

FICHA TÉCNICA
Partida Vasco 3 x 1 Cruzeiro
Competição Campeonato Brasileiro Série A — 25ª rodada
Local Estádio de São Januário, Rio de Janeiro (RJ)
Data 29 de agosto de 2026 (sábado)
Horário 21h20 (de Brasília)
Cartões amarelos Adson e Lucas Freitas (Vasco); João Marcelo (Cruzeiro)
Cartões vermelhos Nenhum
Gols Tchê Tchê, aos 33 minutos do 1º tempo (Vasco); Lucas Freitas, aos 10 minutos do 2º tempo (Vasco); David, aos 46 minutos do 2º tempo (Vasco); Felipe Morais, aos 49 minutos do 2º tempo (Cruzeiro)
Árbitro Fernando Antonio Mendes de Salles Nascimento Filho (PA)
Assistente Eduardo Gonçalves da Cruz (MS)
VAR Heber Roberto Lopes (SC)
Vasco Léo Jardim; Paulo Henrique, Carlos Cuesta, Lucas Freitas e Lucas Piton; Santiago Sosa (Cauan Barros), Tchê Tchê (Ramon Rique) e Thiago Mendes; Adson (Puma Rodríguez), Colidio (David) e Andrés Gómez (Hinestroza). Técnico: Pedro Emanuel.
Cruzeiro Otávio; William, João Marcelo, Jonathan Jesus e Gabriel Rojas; Zé Lucas (Lucas Silva), Matheus Henrique e Kaique Kenji (Felipe Morais); João Costa (Wesley), Villarreal (Wanderson) e Lucho Rodríguez (Matheus Pereira). Técnico: Artur Jorge.

Fonte: Esportes

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