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São Paulo sofre empate do Millonarios no Morumbis em estreia de Dorival Júnior na Sul-Americana
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O São Paulo deixou escapar a vitória diante do Millonarios na noite desta terça-feira, ao empatar por 1 a 1 no Morumbis, pela quinta rodada da fase de grupos da Copa Sul-Americana. A partida marcou o início da terceira passagem de Dorival Júnior pelo comando do Tricolor. Luciano abriu o placar para os paulistas, mas Jorge Hurtado igualou para os colombianos na etapa final.
Mesmo com o tropeço em casa, o time paulista chegou aos nove pontos e segue na ponta do Grupo C. A liderança, no entanto, ainda pode mudar dependendo do resultado do O’Higgins, que iniciou a rodada com sete pontos e enfrentaria o Boston River. Já o Millonarios foi a oito pontos e subiu para a terceira colocação da chave.
O São Paulo começou melhor e precisou de apenas oito minutos para sair na frente. Após receber passe de Bobadilla, Luciano arriscou de fora da área. A bola foi forte, no centro do gol, e Novoa não conseguiu fazer a defesa, vendo a finalização terminar no fundo da rede.
Com mais posse e controlando as ações, o Tricolor quase ampliou pouco depois. Aos 11 minutos, Luciano voltou a aparecer com perigo em uma jogada trabalhada que terminou com uma finalização de calcanhar, defendida pelo goleiro colombiano. O camisa são-paulino ainda teve outra oportunidade aos 37, quando apareceu livre na área, mas chutou por cima.
Apesar do domínio são-paulino em boa parte do primeiro tempo, o Millonarios cresceu nos minutos finais antes do intervalo. Aos 32, David Silva recebeu cruzamento e finalizou sem direção, mas levou perigo. A melhor chance dos visitantes veio aos 44, quando Leonardo Castro desviou de cabeça e a sobra ficou com David Silva, que bateu de perto e parou em grande defesa de Rafael.
Na volta do intervalo, o São Paulo tentou retomar o controle do jogo e voltou a criar chances. Logo aos dois minutos, Ferreira pegou sobra na entrada da área e mandou por cima. Três minutos depois, Lucas Ramon avançou pela direita e cruzou na medida para Ferreira, que cabeceou em cima de Novoa e desperdiçou uma oportunidade clara de ampliar.
O castigo veio na reta final. Aos 35 minutos do segundo tempo, Matheus Dória falhou na saída de bola no meio-campo, Hurtado arrancou em velocidade e concluiu para o gol. A bola ainda desviou em Alan Franco antes de entrar e decretar o empate no Morumbis.
Antes disso, o São Paulo ainda havia chegado com perigo em um contra-ataque aos 34 minutos, quando Tapia arrancou pela esquerda e encontrou Artur livre do outro lado, mas o atacante mandou para fora. Embalado pelo empate, o Millonarios passou a pressionar mais e quase virou. Aos 39, Alex Castro invadiu a área e caiu após contato com Matheus Dória. O árbitro marcou pênalti, mas Contreras desperdiçou a cobrança ao isolar a bola.
Com o resultado, o Tricolor segue dependendo de si, mas perde a chance de encaminhar a classificação com mais tranquilidade. A estreia de Dorival Júnior teve um início promissor, mas terminou com sabor amargo para a torcida são-paulina.
Próximos jogos
São Paulo
São Paulo x Botafogo | 17ª rodada do Brasileirão
Data e horário: 23/05 (sábado), às 17h
Local: Estádio do Morumbis, em São Paulo (SP)
Millonarios
Millonarios x Boyaca Chico | 4ª rodada da Copa da Colômbia
Data e horário: 23/05 (sábado), às 17h
Local: Estádio Nemesio Camacho El Campín, em Bogotá (Colômbia)
| FICHA TÉCNICA | |
|---|---|
| São Paulo 1 x 1 Millonarios | |
| Competição | 5ª rodada da fase de grupos da Copa Sul-Americana |
| Local | Estádio do Morumbis, em São Paulo (SP) |
| Data | 19 de maio de 2026 (terça-feira) |
| Horário | 21h30 (de Brasília) |
| Cartões amarelos | Calleri, Ferreira, Artur e Bobadilla (São Paulo); Mosquera, Sebastían del Castillo e Alex Castro (Millonarios) |
| Cartões vermelhos | Nenhum |
| Arbitragem | Árbitro: Kevin Ortega (Peru); Assistentes: Michael Orue (Peru) e Jesus Sanchez (Peru); VAR: Carlos Orbe (Equador) |
| Gols | Luciano, aos 08′ do 1ºT (São Paulo); Jorge Hurtado, aos 36 do 2ºT (Millonarios) |
| São Paulo | Rafael, Lucas Ramon, Alan Franco, Matheus Dória e Enzo Díaz; Danielzinho e Bobadilla; Luciano, Artur, Calleri (Tapia) e Ferreira (Wendell) |
| Técnico | Dorival Júnior |
| Millonarios | Diego Novoa; Sebastián del Castillo, Andres Llinas, Mosquera, Jorge Arias e Valencia; Mateo García (Stivem Veja), Ureña e David Silva (Alex Castro); Contreras e Leo Castro (Jorge Hurtado) |
| Técnico | Fabián Bustos |
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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