Cuiabá
Dia da Dança (29 de abril): Câmara de Cuiabá aprova lei que institui o Siriri e o Cururu como patrimônio imaterial da cidade
Cuiabá
Os vereadores de Cuiabá aprovaram, e o prefeito municipal sancionou, em 2025, o projeto de lei que institui duas manifestações culturais tradicionais da capital —o Siriri e o Cururu — como patrimônio histórico e cultural imaterial de Cuiabá (Lei Municipal nº 7.339/2025). De autoria do vereador Eduardo Magalhães, a legislação visa preservar a herança histórica, cultural e social dessas duas importantes manifestações culturais da cuiabania, devendo ao poder público o auxílio aos grupos artísticos e a promoção de eventos. Mas o que é o cururu e o siriri? O que significa instituí-los como patrimônio imaterial da cidade? Quais são os principais benefícios e desafios com essa institucionalização?
O escritor Roberto Loureiro apresenta em sua obra —Cultura mato-grossense: Festas de Santos e outras tradições— as origens e características dessas duas manifestações artísticas e culturais. O siriri é uma dança típica regional composta por elementos africanos, portugueses e espanhóis. Pesquisas indicam que o seu nome estaria relacionado à forma alada dos cupins, que voariam em torno das luminárias, em um ritmo parecido com uma dança. A coreografia segue a essência do carimbó — dança de roda, típica do nordeste do Pará. Os bailarinos dançam, ora em roda, ora em fileiras, batendo palmas e pés, de preferência descalços, e cantando em respostas aos versos dos violeiros. A indumentária é simples, a mesma que é usada no cotidiano, mas em eventos especiais as mulheres usam saias com estampas de folhas e flores e uma delicada flor no cabelo; os homens apresentam-se com calças de cores diversas, camisa de manga arregaçada e lenço no pescoço.
O cururu teria sido, de acordo com Loureiro, trazido à região pela ordem religiosa dos jesuítas no período colonial. Após a expulsão dos jesuítas em 1759, outras ordens não aceitaram o cururu, e ele passou a substituir a liturgia católica nas Festas de Santos das zonas rurais. Loureiro diz que o cururu é uma música e/ou dança executada por dois ou mais cururueiros que cantam — dançando ou não — em dupla, em desafio à outra, ou com mais parceiros. É uma música de poucas notas, repetitiva, acompanhada pelo ritmo marcado pelas violas de cocho e ganzás, trovos (versos), carreiras (conjunto de versos) e toadas (versos curtos e sem rima) sobre religião, comandos de rituais sagrados, assuntos do cotidiano e outros temas, em uma voz anasalada, muito difícil de ser entendida por quem não é da região. Inicialmente aberta às mulheres, a dança restringe-se atualmente aos homens, que cantam geralmente em pé, balançando o corpo no ritmo da música. Quem dança fica em fila única, criando um círculo, que roda no sentido do braço das violas — horário. A coreografia resume-se a dar dois passos mais longos à frente e fazer uma breve parada, quando se juntam os pés, para depois repetir o movimento, sempre balançando o corpo no ritmo dos instrumentos.
A UNESCO publicou em 2003 a Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial com o propósito de incentivar os países a identificarem e preservarem suas tradições e expressões culturais. Antes disso, o Brasil havia instituído, em 2000, o Registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial (Decreto Federal nº 3.551/2000) que normatiza a inclusão de elementos culturais como patrimônio imaterial no país. O bem imaterial é intangível, ou seja, não tem existência física. Diferente de uma escultura, que pode vir a ser um patrimônio material — se tombado —, deve estar preservada em um espaço físico adequado (um museu), o patrimônio imaterial, como uma dança, pode se perder entre as gerações. Daí a importância do seu reconhecimento para o implemento de políticas públicas. Aaron Lopes afirma que o cururu e o siriri sofreram um esquecimento acentuado em Mato Grosso desde a década de 1950, em virtude de fatores como a modernidade, os fluxos migratórios, a grande mídia e a uniformização da produção cultural.
O poder público vem apoiando ações de fomento em Mato Grosso. Um grande exemplo é o apoio ao Festival Cururu Siriri, realizado anualmente desde 2002. Aaron Lopes acompanhou as edições de 2009 e 2010 durante as pesquisas para o seu mestrado, e afirma que o propósito dos organizadores do evento é resgatar as tradições e profissionalizar os grupos de músicos e dançarinos, alavancando o turismo e o entretenimento local. No entanto, inseriram elementos externos— música gospel, pop, violão e sanfona — para atrair o público, em especial nas apresentações do siriri, que possui destaque visual, assemelhando às quadrilhas juninas. Já no cururu, onde os aspectos visuais não são o foco principal, Lopes percebe a manutenção do original, criando um “choque de mundos” entre o tradicional (antigo) e o moderno. Afirma ainda, que as apresentações de cururu eram feitas majoritariamente pelos mais velhos, que se sentiam, de certa forma, acanhados em um contexto tão diferente.
As adaptações a um novo público e o desinteresse das novas gerações em participarem, em especial como cururueiros e dançarinos, podem prejudicar a essência e a continuidade. Por isso, a instituição do siriri e do cururu como patrimônio imaterial de Cuiabá pela Câmara Municipal é um passo importantíssimo, funcionando não somente como um título honroso, mas sim uma ferramenta jurídica e política. É preciso identificar o que originalmente são essas manifestações culturais para assim propor ações a fim de desvinculá-los de outras vertentes culturais, empoderando a sua identidade, garantindo a propriedade cultural e prestigiando os grupos tradicionais, inclusive para que consigam sobreviver através dessa ilustre tarefa que beneficia toda a população cuiabana.
Secretaria de Apoio à Cultura
Fontes de pesquisa:
LOPES, Aaron Roberto de Mello. O Festival Cururu Siriri e seus impactos: Espetacularização, Revalorização e Transformação de duas tradições. EMUS/UFBA, 2010.
LOUREIRO, Roberto. Cultura mato-grossense: Festas de Santos e outras tradições. Cuiabá-MT: Entrelinhas, 2006.
Fonte: Câmara de Cuiabá – MT
Cuiabá
Saúde de Cuiabá lança projeto inédito para criar primeiro Centro de Tratamento da Obesidade do país
A Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), anunciou a criação do primeiro Centro de Tratamento da Obesidade (CTO) do país. A iniciativa será implantada em parceria com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) e foi apresentada durante o Congresso Metabólico Pantanal, realizado na capital, na quinta-feira (2).
Representando o prefeito Abilio Brunini, a secretária municipal de Saúde, Deisi Bocalon, participou do evento e destacou que a implantação do centro atende a um compromisso da gestão municipal de ampliar o acesso ao tratamento da obesidade, oferecendo uma linha de cuidado completa aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).
“Essa parceria entre a Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica vai viabilizar o primeiro Centro de Tratamento da Obesidade do país. Já estamos preparando um espaço acolhedor, onde o paciente terá toda a linha de cuidado ofertada, com diferentes formas de tratamento da obesidade, para que as pessoas tenham mais saúde e qualidade de vida”, afirmou a secretária.
O Centro de Tratamento da Obesidade será estruturado para oferecer atendimento integral aos pacientes. O acesso ao serviço começará pelas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), onde as equipes da Atenção Primária farão a identificação dos casos de obesidade e, quando necessário, encaminharão os pacientes ao CTO.
No centro, cada paciente passará por avaliação de uma equipe multiprofissional, que definirá a conduta mais adequada. Quando houver indicação para tratamento clínico, o acompanhamento será realizado por diferentes profissionais da saúde. Nos casos em que a cirurgia bariátrica for indicada, o procedimento será realizado por equipe especializada e certificada.
O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) e cirurgião de Cuiabá, Dr. Juliano Canavarros, destacou que a parceria permitirá levar ao município toda a expertise da entidade na estruturação de um serviço especializado para o tratamento da obesidade.
“Estamos firmando uma parceria entre a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica e o poder público. A sociedade traz sua experiência na capacitação e certificação das equipes, além da governança no tratamento da obesidade. Cuiabá está de parabéns, porque quem ganha com essa iniciativa é a população cuiabana e mato-grossense”, afirmou.
Segundo o médico, o CTO não será um centro voltado exclusivamente para cirurgias, mas uma unidade especializada no tratamento da obesidade em todas as etapas.
“O paciente será identificado na Unidade Básica de Saúde e encaminhado ao Centro de Tratamento da Obesidade, onde passará por uma avaliação completa. Se houver indicação para tratamento clínico, será acompanhado por uma equipe multidisciplinar. Se houver indicação cirúrgica, receberá atendimento de uma equipe altamente capacitada e certificada”, explicou.
Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT
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