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Vitória vence Atlético-MG no Barradão; Galo se aproxima da Z4
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Em um confronto pela sexta rodada do Campeonato Brasileiro, o Vitória conquistou uma importante vitória por 2 a 0 sobre o Atlético-MG neste sábado, em sua casa, o Barradão. O resultado não apenas garantiu alívio para o time baiano na tabela, mas também acendeu o alerta no lado atleticano, que agora flerta com as últimas posições.
Com os três pontos somados, o Vitória deu um salto significativo, subindo cinco posições e estacionando no 11º lugar, com sete pontos acumulados. O Atlético-MG, por outro lado, teve um revés, caindo duas colocações e ocupando a 15ª posição, com apenas cinco pontos, perigosamente perto da zona de rebaixamento.
Primeiro tempo
O início do jogo em Salvador mostrava um Atlético-MG mais proativo, exercendo pressão e somando quatro finalizações contra nenhuma do Leão em um breve período. No entanto, foi o Vitória quem inaugurou o placar de forma inusitada: Renato Kayzer aproveitou uma cobrança de falta astuta, passando a bola por baixo da barreira e enganando a defesa adversária.
Na etapa complementar, o time da casa tratou de ampliar sua vantagem. Após uma rápida reposição do goleiro Lucas Arcanjo, Erick tabelou com Baralhas, invadiu a área e desferiu um chute certeiro no ângulo, sem chances para o goleiro Everson, marcando um golaço e aumentando a diferença para 2 a 0.
Ao longo do segundo tempo, o Atlético-MG tentou reagir com as substituições, buscando incessantemente o gol que diminuiria a desvantagem. Apesar da pressão e de algumas oportunidades criadas, o Galo demonstrou falta de efetividade no último terço do campo, falhando em converter as chances em gols e não conseguindo alterar o placar final.
Próximos jogos
Vitória
- Grêmio x Vitória (Campeonato Brasileiro)
- Data e horário: 19 de março de 2026 (quinta-feira) 19h
- Local: Arena do Grêmio, em Porto Alegre
Atlético-MG
- Atlético-MG x São Paulo (Campeonato Brasileiro)
- Data e horário: 18 de março de 2026 (quarta-feira) 20h
- Local: Arena MRV, em Belo Horizonte
FICHA TÉCNICA
| VITÓRIA 2 x 0 ATLÉTICO-MG | |
|---|---|
| Competição | 6ª rodada do Campeonato Brasileiro |
| Local | Barradão, em Salvador |
| Data | 14 de março de 2026 (sábado) |
| Horário | 18h30 (de Brasília) |
| Gols | Renato Kayzer, aos 19’ do 1ºT (Vitória) Erick, aos 22′ do 2ºT (Vitória) |
| Cartões Amarelos | Caíque, Erick (Vitória); Tomás Pérez, Preciado, Ruan (Atlético-MG) |
| Arbitragem | |
| Árbitro | Joao Vitor Gobi |
| Assistentes | Neuza Ines Back e Luis Filipe Goncalves Correa |
| VAR | Daniel Nobre Bins |
| Escalações | |
| VITÓRIA | Lucas Arcanjo, Nathan Mendes, Camutanga, Cacá, Ramon, Caíque (Edenílson), Baralhas, Emmanuel Martínez, Matheuzinho (Renzo López), Marinho (Erick) (Fabri) e Kayzer (Anderson Pato). Técnico: Jair Ventura |
| ATLÉTICO-MG | Everson, Iván Román (Preciado), Ruan, Junior Alonso, Renan Lodi, Alan Franco, Tomás Pérez (Hulk), Gustavo Scarpa (Cassierra), Reinier (Minda), Victor Hugo e Cuello (Dudu). Técnico: Eduardo Domínguez |
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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