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Flamengo goleia o Sport e confirma rebaixamento Pernambucano
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Em uma partida eletrizante e cheia de reviravoltas na Arena Pernambuco, o Flamengo aplicou uma goleada de 5 a 1 sobre o Sport neste sábado, catapultando-se temporariamente à liderança do Campeonato Brasileiro. A vitória implacável do rubro-negro carioca teve um sabor amargo para o Leão da Ilha, que, com o resultado, teve seu rebaixamento para a Série B matematicamente selado.
O confronto começou com um susto para os visitantes, mas a superioridade numérica, fruto de duas expulsões na equipe pernambucana, abriu caminho para a virada arrasadora, com gols de Luiz Araújo, Juninho, Bruno Henrique, Ayrton Lucas e o jovem Douglas Telles.
Classificação e consequências
Com os três pontos conquistados, o Flamengo atingiu a marca de 71 pontos, assumindo a ponta da tabela enquanto aguarda o desfecho do clássico entre Palmeiras (68 pontos) e Santos. A torcida flamenguista agora seca o Palmeiras na expectativa de um tropeço do rival paulista para consolidar-se na liderança.
Para o Sport, a tarde foi de lamentação. Afundado na lanterna da competição com apenas 17 pontos e a cinco rodadas do fim, a equipe pernambucana não conseguiu evitar a queda para a segunda divisão, coroando uma campanha desastrosa.
Detalhes da partida
O início do jogo foi surpreendente. Aos 14 minutos, Pablo aproveitou uma falha na defesa flamenguista e abriu o placar para o Sport, levando a torcida local ao delírio. Contudo, a alegria durou pouco. Aos 32 minutos, Matheus Alexandre foi expulso, deixando o Sport com dez jogadores. O Flamengo soube aproveitar a vantagem e, aos 40 minutos, Luiz Araújo, com um belo chute, empatou a partida.
A situação do Sport se agravou ainda mais nos acréscimos da primeira etapa, quando Ramon Menezes também recebeu o cartão vermelho, deixando os donos da casa com apenas nove atletas em campo.
Na segunda etapa, com a dupla vantagem numérica, o Flamengo não deu chances. Aos 15 minutos, Juninho virou o placar. Dois minutos depois, o goleiro Gabriel do Sport errou na saída de bola, entregando-a nos pés de Bruno Henrique, que não perdoou e marcou o terceiro. O massacre continuou com Ayrton Lucas, que fez o quarto aos 25 minutos, e foi sacramentado por Douglas Telles, aos 34, fechando a goleada em 5 a 1.
Próximos Ccompromissos
O Sport, já rebaixado, enfrenta o Botafogo na terça-feira (18/11), às 20h30 (de Brasília), no Nilton Santos, pelo Campeonato Brasileiro.
O Flamengo, por sua vez, terá um clássico pela frente. A equipe mede forças com o Fluminense na quarta-feira (19/11), às 21h30 (de Brasília), no Maracanã, em um confronto que pode ser crucial para suas pretensões na liderança do Brasileirão.
FICHA TÉCNICA
Sport 1 x 5 Flamengo
- Competição: Campeonato Brasileiro (Jogo atrasado da 12ª rodada)
- Local: Arena de Pernambuco, Recife (PE)
- Data: 15 de novembro de 2025 (sábado)
- Horário: 18h30 (de Brasília)
Arbitragem:
- Árbitro: Rafael Rodrigo Klein (RS)
- Assistentes: Maira Mastella Moreira (RS) e Michael Stanislau (RS)
- VAR: Rodrigo D’Alonso Ferreira (SC)
Cartões Amarelos:
- Sport: Riquelme
- Flamengo: João Victor, Erick Pulgar, Saúl
Cartões Vermelhos:
- Sport: Matheus Alexandre, Ramon Menezes
Gols:
- Sport: Pablo (14′ do 1ºT)
- Flamengo: Luiz Araújo (40′ do 1ºT), Juninho (15′ do 2ºT), Bruno Henrique (17′ do 2ºT), Ayrton Lucas (25′ do 2ºT), Douglas Telles (34′ do 2ºT)
Sport:
- Goleiro: Gabriel Vasconcelos
- Defensores: Matheus Alexandre, Rafael Thyere, Ramon Menezes, Luan Cândido
- Meio-campistas: Rivera (Riquelme), Lucas Kal, Lucas Lima (Adriel)
- Atacantes: Léo Pereira (Sérgio Oliveira), Matheusinho (Aderlan), Pablo (Igor Cariús)
- Técnico: César Lucena
Flamengo:
- Goleiro: Rossi
- Defensores: Emerson Royal, João Victor (Michael), Léo Pereira, Ayrton Lucas
- Meio-campistas: Erick Pulgar (Evertton Araújo), Saúl, Wallace Yan (Juninho)
- Atacantes: Luiz Araújo, Bruno Henrique (Douglas Telles), Samuel Lino (Everton Cebolinha)
- Técnico: Filipe Luís
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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