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Palmeiras goleia Red Bull Bragantino de virada e mantém liderança isolada do Brasileirão
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Em uma exibição de força e resiliência, o Palmeiras goleou o Red Bull Bragantino por 5 a 1 na noite desta quarta-feira, no Allianz Parque. A equipe alviverde, que saiu atrás no placar, orquestrou uma virada impressionante para registrar sua quarta vitória consecutiva no Campeonato Brasileiro e se isolar ainda mais na ponta da tabela.
Os gols que selaram o triunfo palmeirense foram de Bruno Fuchs, Vitor Roque (duas vezes), Felipe Anderson e Flaco López. Jhon Jhon, ex-jogador do Palmeiras, havia aberto o placar de pênalti para os visitantes.
Pressão, pênalti e reação rápida
A partida começou com o Palmeiras tomando a iniciativa, com Piquerez e Vitor Roque criando as primeiras chances que exigiram defesas de Lucão. O Bragantino, no entanto, não se intimidou e respondeu com arremates de Eric Ramires e cabeçadas de Thiago Borbas e Lucas Barbosa, testando Weverton.
Aos 33 minutos, um lance capital agitou o jogo: após revisão do VAR, o árbitro assinalou pênalti para os visitantes por toque de mão de Bruno Fuchs. Jhon Jhon, com passagens pelo Palmeiras, não perdoou e abriu o placar, silenciando a torcida alviverde. Contudo, nos acréscimos do primeiro tempo, a reação palmeirense veio: em um cruzamento preciso de Maurício, Bruno Fuchs se redimiu do lance do pênalti e subiu para cabecear firme, deixando tudo igual antes do intervalo.
Segundo tempo de gols e domínio alviverde
A segunda etapa foi um show do Palmeiras, que transformou a igualdade em uma goleada incontestável. Logo aos 12 minutos, Vitor Roque aproveitou uma sobra na área após jogada de Maurício e Murilo para virar o jogo para o Verdão. A superioridade alviverde se traduziu em mais gols rapidamente. Aos 27, Felipe Anderson recebeu a bola após um corta-luz inteligente de Vitor Roque em cruzamento de Allan, e chutou forte para fazer o terceiro.
O recém-chegado da seleção argentina, Flaco López, também deixou sua marca, aproveitando um rebote do goleiro Lucão após finalização de Vitor Roque para ampliar a vantagem. Para coroar a noite, Vitor Roque, em grande fase, demonstrou toda sua habilidade aos 43 minutos, driblando a marcação dentro da área e marcando um golaço que selou a goleada de 5 a 1.
Situação na tabela
Com a vitória avassaladora, o Palmeiras solidificou sua posição na ponta da tabela, atingindo 61 pontos e a liderança isolada do Brasileirão, abrindo vantagem sobre seus concorrentes. Por outro lado, o Red Bull Bragantino permanece na nona colocação, com 36 pontos, vendo a distância para o G6 aumentar para sete pontos, complicando suas aspirações por uma vaga na Libertadores.
Próximos compromissos
O Palmeiras terá um clássico desafiador pela frente, enfrentando o Flamengo no Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ), no dia 19 de outubro de 2025 (domingo), às 16h (de Brasília). Já o Red Bull Bragantino buscará a reabilitação fora de casa, contra o Juventude, no Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul (RS), em 20 de outubro de 2025 (segunda-feira), às 19h (de Brasília).
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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