Várzea Grande
Mutirão de chamamento emociona mulheres e garante novos encaminhamentos para laqueadura em Várzea Grande
Várzea Grande
A manhã de sábado (13) foi marcada por emoção e esperança na Secretaria Municipal de Saúde de Várzea Grande, durante o mutirão de chamamento do Programa de Planejamento Familiar. A ação teve como objetivo atender mulheres que já haviam concluído todas as etapas do processo, que não foram chamadas e que não puderam ser localizadas por telefone.
A Secretaria esperava o comparecimento de 144 pacientes, mas o número superou as expectativas: foram 182 atendimentos realizados. Desses, 133 voltados ao planejamento familiar, três vasectomias, demonstrando também a busca dos homens pela responsabilidade compartilhada, e 46 encaminhamentos para laqueaduras. As cirurgias serão realizadas pelo programa Fila Zero, na Maternidade Cegonha e também no Hospital Santa Rita.
Entre as histórias de vida que marcaram a manhã está a de Alessandra Fernanda, 27 anos, atendente de padaria, casada e mãe de cinco filhos. Determinada, ela chegou à sede da Secretaria às 3h da manhã para garantir seu atendimento. Alessandra já havia dado entrada no processo em 2023, mas não conseguiu prosseguir, por não ter recebido a ligação. Agora, com o encaminhamento em mãos, se prepara para realizar a cirurgia no próximo sábado (20). “Esperei muito por esse momento. Estou feliz porque agora vou poder cuidar melhor da minha família”, relatou emocionada.
Outra beneficiada foi Suzana Danelichen, 29 anos, que deu entrada no processo em 2015. Mãe de quatro filhos, sendo dois com necessidades especiais, Suzana já havia participado de palestras e passado por acompanhamento de psicólogo, assistente social e ginecologista, mas nunca foi chamada. “Minhas crianças dependem muito de mim. Esperei anos e agora sinto um alívio enorme”, destacou.
A emoção também tomou conta de Camila Espinosa, 32 anos, mãe de quatro filhos e que já sofreu dois abortos. Ela ingressou no programa neste ano e buscou ativamente seu direito. Ao receber o encaminhamento para o pré-operatório, mal conseguiu acreditar. “Estou temendo de felicidade. Sei das minhas dificuldades e agora vou ter mais tranquilidade para cuidar da minha família”, disse.
Já Sueli da Silva esperava há cinco anos. Ao sair com o encaminhamento para os exames pré-operatórios, não conteve a alegria. “Achei que esse dia nunca chegaria. Agradeço muito empenho e pelo olhar humano da prefeita Flávia Moretti”, comemorou.
A secretária municipal de Saúde, Deisi Bocalon, ressaltou que o mutirão é uma das estratégias para resgatar a dignidade de muitas mulheres. “Sabemos que há mães que enfrentam gestações de risco, que já têm muitos filhos e não possuem condições familiares ou financeiras. O nosso compromisso é garantir o direito à saúde e à escolha responsável”, destacou.
A reguladora Mariely Monteiro, que esteve à frente do mutirão, reforçou a importância da ação. “Foi emocionante atender as mãezinhas, ouvimos cada história e trazer esperança e acolhimento é gratificante. É uma ação que impacta diretamente no futuro das famílias”, afirmou.
Mariely reforça o quão elas foram desassistidas durante anos. Muitas com processos parados desde 2015, outras que o processo desapareceu do sistema e até quem tinha dois processos concluídos em anos diferentes e não foi chamada para fazer a laqueadura.
Novos atendimentos
A Secretaria Municipal de Saúde informa que, a partir desta segunda-feira (15), mulheres interessadas em ingressar no programa de planejamento familiar, assim como aquelas que deram entrada mas não deram sequência ou participaram apenas de uma palestra, devem procurar a Secretaria, localizada na Avenida da FEB, ao lado da concessionária 35, em horário comercial: das 8h às 11h30 e das 13h às 17h.
Várzea Grande
CAPS AD III amplia rede de saúde mental com estrutura própria e acolhimento 24 h em Várzea Grande
A construção da sede própria do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas III (CAPS AD III) representa um passo histórico para a saúde mental de Várzea Grande. Mais do que uma nova estrutura física, a unidade promete ampliar o atendimento especializado às pessoas em sofrimento psíquico decorrente do uso abusivo de álcool e outras drogas, oferecendo acolhimento 24 horas e suporte multiprofissional contínuo pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Com investimento superior a R$ 3,1 milhões, viabilizado por meio do Novo PAC Saúde, a obra já está em andamento e deve ser concluída em aproximadamente dez meses. Atualmente, o CAPS AD funciona em um prédio alugado de 250 metros quadrados. A nova sede terá 635 metros quadrados e estrutura voltada para acolhimento humanizado, atendimento intensivo, acompanhamento terapêutico integral e hospitalidade.
A secretária municipal de Saúde, Valeria Nogueira, destacou que a implantação da unidade marca uma transformação no cuidado em saúde mental no Município. “Essa é uma conquista muito grande para Várzea Grande. Estamos falando de um CAPS que vai funcionar 24 horas, com atendimento integrado, equipe multiprofissional formada por médicos, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogo e psiquiatra, ofertando terapias voltadas aos usuários do SUS. É uma tratativa diferenciada, que vai abarcar toda a questão social, mental e também os problemas relacionados ao álcool e outras drogas”, afirmou.
Segundo a secretária, a nova sede permitirá oferecer mais conforto, acolhimento e dignidade aos pacientes e familiares. “Hoje funcionamos em um espaço alugado e improvisado que havia se tornado, até então, definitivo. Com a sede própria, teremos uma estrutura ampla, adequada e dentro dos padrões recomendados pelo Ministério da Saúde”, completou.
DEMANDA LEVADA A SÉRIO – A responsável técnica dos CAPS do Município, Marisa Rodrigues, explicou que a transformação do CAPS AD II em CAPS AD III era uma demanda defendida pela equipe desde 2018. A principal diferença entre os dois modelos está justamente na possibilidade de acolhimento noturno e permanência transitória de pacientes em situações de crise o atendimento permanente 24 horas por dia e sete vezes por semana.
“O CAPS III permite leitos de hospitalidade, ou seja, o paciente pode permanecer na unidade por um período transitório para estabilização clínica e acompanhamento intensivo. É uma ampliação muito importante da estrutura e no cuidado individualizado”, explicou.
Atualmente, cerca de 800 pacientes são acompanhados pelo serviço no Município. Grande parte deles é formada por usuários de álcool e outras drogas, incluindo pessoas em situação de rua. O trabalho desenvolvido pela equipe busca reduzir danos, fortalecer vínculos sociais e estimular a autonomia dos usuários.
“A gente trabalha a autonomia e a redução de danos dentro da unidade. Muitos pacientes procuram ajuda justamente para diminuir o uso da droga e reconstruir a própria vida”, ressaltou Marisa.
O funcionamento da unidade será dividido entre atendimentos terapêuticos diurnos e acolhimento intensivo noturno. Durante o dia, os pacientes terão acesso às consultas individualizadas, grupos terapêuticos, oficinas de expressão, atividades culturais e ações psicoeducativas voltadas ao fortalecimento emocional e social.
Já o acolhimento noturno será destinado às pessoas em crise, incluindo casos de intoxicação aguda, abstinência, descompensações psíquicas ou vulnerabilidade social. O objetivo, segundo a equipe técnica, não é institucionalizar o paciente, mas oferecer suporte temporário até sua estabilização.
“O acolhimento noturno não tem caráter de asilo. É um apoio transitório para estabilização e retomada do projeto terapêutico no território”, reforçou a responsável técnica.
NOVO ESPAÇO – A estrutura contará com oito leitos — cinco masculinos e três femininos — para permanência breve de até 14 dias. O espaço foi planejado para oferecer suporte clínico e psicossocial intensivo, evitando internações hospitalares desnecessárias e mantendo o cuidado em ambiente comunitário e protegido.
Além do atendimento clínico, a equipe também atuará no acompanhamento social dos usuários, auxiliando em processos de escolarização, inserção no mercado de trabalho, acesso a benefícios sociais e fortalecimento da rede de apoio familiar e reinserção na sociedade.
A nova sede terá salas de atendimento individualizado, banheiros adaptados, farmácia, sala administrativa, sala de reunião, espaços internos e externos de convivência, refeitório, cozinha, lavanderia, posto de enfermagem, almoxarifado, abrigo de resíduos, DML, DMI e sala de repouso. A unidade contará ainda com quartos coletivos separados em alas masculina e feminina, além de quarto de plantão para os profissionais.
Para a médica psiquiatra Dra. Ackermann Fortes, a nova estrutura permitirá ampliar o acolhimento humanizado tanto aos pacientes quanto às famílias.
“Ter uma sede adequada significa poder oferecer um tratamento mais humanizado aos nossos acolhidos e também estender esse cuidado às famílias, que muitas vezes também precisam de apoio para enfrentar o sofrimento causado pelo álcool e outras substâncias psicoativas”, afirmou.
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