Várzea Grande
Guardas Municipais participam de aula prática sobre fiscalização de trânsito
Várzea Grande
O curso visa aprimorar o trabalho e a formação inicial para os guardas municipais recém-integrados no serviço público de modo a assegurar que possuam a devida qualificação para o exercício
Os 41 guardas municipais de Várzea Grande, recém-formados, estão participando de um curso de qualificação para Agente de Trânsito. A ação está sendo realizada em parceria com Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MT) e Polícia Militar de Mato Grosso. Ontem (28), a turma participou de uma aula prática e será concluído amanhã, dia 30.
Ao todo, os GMs terão 200 horas/aulas de formação, com a abordagem de temas como Legislação de Trânsito, Noções de Engenharia de Tráfego e Sinalização de Trânsito, Legislação de Trânsito Aplicada, Ética e Cidadania, Psicologia Aplicada, O Papel Educador do Agente, Língua Portuguesa, Operação e Fiscalização de Trânsito e Prática Operacional, em consonância com as disposições da Portaria nº 966/2022 da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).
Conforme o comandante da Guarda Municipal, inspetor GM Juliano Lemos, o curso visa aprimorar o trabalho e a formação inicial para os guardas municipais recém-integrados no serviço público de modo a assegurar que possuam a devida qualificação para o exercício das atividades de fiscalização, operação e policiamento ostensivo de trânsito.
“Os nossos novos guardas municipais que já estão atuando em Várzea Grande, e, fazendo a diferença na vida da população várzea-grandense. Com esse curso, os GMs têm seus conhecimentos aprimorados para a prestação de um serviço de maior qualidade a sociedade local. Fiscalizar o trânsito é salvar vidas, cuidar do próximo fazendo valer a legislação”, enfatizou.
O coordenador de trânsito da Guarda Municipal, Marcelo Jassek Drumond, a aula prática é fundamental para pôr em prática os conhecimentos teóricos. “A formação continuada dos agentes de trânsito é requisito primordial para a promoção da segurança viária e para a preservação da vida no trânsito e uma premissa da atual gestão municipal”, disse.
A diretora de Educação e Fiscalização de Trânsito do Detran, Adriana Carnevale, destacou o papel essencial do órgão na capacitação dos agentes para a atuação cotidiana no trânsito. “Com este curso, proporcionamos aos guardas municipais de Várzea Grande uma formação sólida que une conhecimento técnico, responsabilidade social e compromisso com a preservação da vida”, falou.
O Guarda Municipal, Robson Oliveira Lima, é um dos agentes de trânsito que participou do curso e comentou sobre os aprendizados com a capacitação. “Como guarda municipal recém-formado vejo essa capacitação como uma grande oportunidade. Recebemos instruções voltadas não apenas para sanções, aplicações de multas, mas também para a preservação da vida. Essa capacitação vem para preparar os agentes na atuação nesse cenário, que não é fácil”, relatou.
Várzea Grande
Entre lágrimas, abraços e esperança: Histórias de quem dedica a vida ao cuidado da população
“Eu saí no quintal para chorar”. A frase simples, dita pela Agente Comunitária de Saúde, Francisca dos Santos Barata, carrega quase duas décadas de dedicação ao cuidado com o próximo. Aos 70 anos, Francisca revive na memória uma das cenas mais marcantes da sua trajetória: a visita a uma moradora encontrada debilitada, sozinha, desidratada e tomada por piolhos dentro da própria casa, na região do Capão Grande.
Agente Comunitária de Saúde da Unidade Maria José Pedrosa, do bairro Capão Grande, desde 2007, Francisca lembra que, ao ver a situação da paciente, sentiu o coração apertar. Voltou ao local junto com a enfermeira-chefe da unidade, e juntas, iniciaram um verdadeiro mutirão de cuidado humano. Deram banho na paciente, limparam a casa, providenciaram roupas e lençóis e passaram a acompanhá-la constantemente.
“Eu peguei roupa da minha casa para ajudar ela. A gente acompanhava, fazia visitas, conversava. Ela estava em depressão por problemas familiares”, relembra emocionada.
O cuidado contínuo mudou a vida da moradora, que conseguiu superar o quadro de abandono e reconstruir a própria história. Hoje vivendo no Rio Grande do Sul, ela mantém contato frequente com Francisca e costuma repetir uma frase que emociona a agente até hoje: “Se não fosse você, eu não estaria viva”.
Histórias como essas mostram que a rotina dos agentes vai muito além das visitas domiciliares. É um trabalho silencioso, diário e profundamente humano.
CATEGORIA VALORIZADA – No último dia 25, a Prefeitura realizou a posse de 48 Agentes de Combate às Endemias e de 86 Agentes Comunitários de Saúde. A efetivação dos profissionais foi possível após uma articulação inédita conduzida pela prefeita Flávia Moretti (PL), junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), que autorizou a incorporação dos ACS e ACE ao regime estatutário, tornando Várzea Grande o primeiro município do estado a cumprir a Lei Federal nº 14.536/2023 e servindo de referência na valorização e reconhecimento desses profissionais.
Entre os profissionais empossados também estava Suzana Nádia Romão, Agente de Combate às Endemias que iniciou a carreira aos 19 anos e hoje soma 24 anos de atuação. “É um momento de vitória, inexplicável, sem palavras. Só quero agradecer”, disse emocionada durante a cerimônia.
Mas foi ao lembrar de uma história vivida há 16 anos que Suzana traduziu o tamanho do vínculo criado com a comunidade ao longo da profissão.
Ela conta que uma colega de trabalho havia sido vítima de feminicídio. A notícia se espalhou rapidamente e chegou até uma antiga área onde Suzana atuava. No horário de almoço, uma moradora apareceu desesperada na frente da casa dela, pedalando uma bicicleta.
“Ela gritava no meu portão. Quando eu apareci, ela jogou a bicicleta no chão e veio me abraçar com as mãos tremendo, geladas. Ela dizia: ‘Ô minha baixinha, não foi você? Achei que era você que aquele homem tinha matado’”, relembra.
Naquele instante, Suzana chorou junto com a moradora. “Ali eu tive a confirmação de que estava exercendo a profissão que Deus preparou para mim. Eu percebi que estava deixando um legado por onde passava, criando vínculos não só profissionais, mas humanos”, disse.
As histórias de Francisca e de Suzana representam a realidade de centenas de agentes que enfrentam sol, chuva, distância e dores sociais diariamente para garantir dignidade, prevenção e acolhimento à população.
Mais do que profissionais da saúde pública, eles se tornaram presença constante na vida de milhares de famílias — muitas vezes sendo o primeiro abraço, o primeiro cuidado e a primeira esperança dentro de uma casa que não é a deles.
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