Opinião
Despacho forçado da mala de mão: veja quais são seus direitos
Opinião
Em tempos de voos cada vez mais cheios, é comum que passageiros sejam surpreendidos no portão de embarque com um pedido aparentemente inofensivo: que a mala de mão seja despachada gratuitamente. O que muitos não sabem é que aceitar essa solicitação sem questionar pode acabar trazendo prejuízos em caso de extravio ou dano da bagagem, e o pior, sem nenhuma garantia de indenização proporcional ao valor real do que foi perdido.
A maioria dos consumidores desconhece que a legislação brasileira prevê mecanismos específicos de proteção nesses casos. A Resolução nº 400 da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), em seu artigo 17, assegura ao passageiro o direito de preencher o Formulário de Declaração Especial de Bagagem sempre que houver despacho, inclusive quando ele for gratuito e determinado pela companhia aérea.
Esse formulário permite ao passageiro declarar antecipadamente o valor da bagagem despachada, o que pode aumentar significativamente o valor da indenização em situações de extravio, roubo ou dano. Em outras palavras, trata-se de um instrumento jurídico legítimo e eficaz de proteção patrimonial, mas que, infelizmente, ainda é pouco divulgado pelas próprias companhias.
Vale reforçar que a empresa aérea não pode se recusar a fornecer o formulário nem dificultar seu preenchimento. Qualquer tentativa nesse sentido representa descumprimento da norma da ANAC e uma clara violação dos direitos do consumidor.
Cabe a reflexão: Quantos passageiros já tiveram suas malas despachadas compulsoriamente e depois enfrentaram transtornos sem qualquer ressarcimento à altura dos prejuízos? É fundamental, portanto, que o consumidor assuma uma postura ativa na defesa de seus direitos, munido de informação e amparo legal.
Não se trata de gerar conflito com os funcionários da companhia, mas de exercer um direito previsto em norma federal com firmeza e educação. O que está em jogo não é só uma bagagem, e sim o respeito ao consumidor e à legislação que o protege.
Na próxima vez que pedirem para despachar sua mala de mão, lembre-se de que você tem direito ao Formulário de Declaração Especial de Bagagem. Solicite. Fazer valer seus direitos não é exagero. É cidadania em prática.
*LUIZ FELIPE GONSALVES DOS SANTOS é advogado na Cadore e Gonsalves Advogados.
Opinião
Quando perder músculo também ameaça o cérebro
Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.
Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.
Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.
Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.
O que a ciência mostra :
Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.
Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.
Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.
Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.
Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?
Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.
Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.
O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.
Por que o músculo influencia a saúde cerebral?
A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.
A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.
Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.
Como enfrentar cientificamente esse problema ?
O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.
O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.
A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.
Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.
Envelhecer bem ,exige preservar força
A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.
Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.
Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.
Saúde não é sorte. É rotina.
Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308 Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.
Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.
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